Como discutir com uma feminista sem ser babaca? :)

A internet é uma linda maravilhosa e a gente não viveria sem ela. Mas como já compartilhado e retuitado mil vezes por aí, ela também é estimulante de comportamentos humanos quase inacreditáveis e borderline inaceitáveis. Numa época em que os textões existem para serem amados e odiados, parece que todo mundo tem algo a dizer. A gente vive em um momento (e em um país) em que o espaço para dar sua opinião está disponível 24/7. O problema é que quando todo mundo pode falar, todo mundo quer ser ouvido. Como não dá pra falar e ouvir ao mesmo tempo, a maioria escolhe falar – doa a quem doer, diga-se de passagem.

E ó, tudo bem se você quer falar. Posta seus textões no facebook, cria um blog, sei lá. Mas a partir do momento que você entra escreve um comentário online, ou que você posta sobre um assunto polêmico, é seu dever ouvir o que o outro tem a dizer. Isso vale para a vida real também: responder alguém é automaticamente dar ao outro o direito de responder de volta. Se você não quer (não pode, não tem tempo) de ouvir, não entre em discussão alguma, pois você certamente se comportará como um babaca.

Eu não precisaria dizer nada disso, aposto que seus pais te ensinaram isso em algum momento da vida. Mas quanto mais escrevo e milito sobre feminismo, mais me deparo com esse tipo de atitude que inviabiliza papos saudáveis sobre questões importantes.

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Então, preparei um pequeno guia:

Fato X Opinião 

Quando alguém te apresenta um fato, das duas uma: ou a pessoa sabe o que está falando, ou inventou aquilo. Você está com o celular na mão para descobrir se é verdade ou não. Descubra e, se realmente a informação for correta, aceite. Você está livre para construir um contra-argumento baseado no mesmo fato, mas não para desqualificar uma informação correta dizendo que aquilo é mera opinião. Se eu digo que, baseado numa pesquisa que leva dois cliques para você achar, uma em cada seis mulheres tem chance de ser estuprada durante a sua vida, você não pode me falar “essa é sua opinião, eu não concordo”. Fato é fato.

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 Nem tudo é sobre você 

É natural que a usemos nossas próprias experiências e nossas próprias réguas para construir argumentos. Mas, acredite em mim, os argumentos das outras pessoas não necessariamente fazem referência direta a você. Se eu falo que, na minha opinião, as mulheres deveriam valorizar mais o cabelo natural, e você me responde: “mas eu gosto de alisar meu cabelo”, você está apenas ignorando que existam outras pessoas no universo além de você.

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 Às vezes, é sobre você 
 

 

No meu último texto sobre depilação, eu apresentei um fato: o ser humano é um ser social e seu comportamento é fruto do que é apreendido durante a vida e com a convivência com os outros seres humanos, e portanto, nenhuma escolha (inclusive a sua de se depilar) é livre de influência social. Você está livre para refutar esse argumento com outros fatos, eu prometo que vou ouvir. Mas dizer que não, que exclusivamente no seu caso se depilar é uma escolha totalmente livre de amarras sociais, é assumir que você é uma pessoa tão especial a ponto de que está em um nível muito superior dos demais seres humanos.

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  Bananas e laranjas 
 

Preste atenção e, antes de falar, repare se o que você tem a dizer é realmente relevante e se encaixa no que está sendo discutido. Muitas vezes ficamos tão empolgados para dar nossa opinião, que acabamos perdendo o core do assunto. Se as pessoas estão dizendo que a descriminalização do aborto é uma questão de saúde pública por causa do número de mulheres que morre em abortos clandestinos, não vem dizer que você conhece o caso de uma gravidez indesejada que terminou super bem com a mãe amando a criança. Não é sobre isso.

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Discutir educadamente é assumir que você não sabe tudo e que você pode mudar de opinião. Mais difícil do que isso, discutir de forma adequada é se afastar um pouco do próprio umbigo e, ao mesmo tempo, admitir que talvez você tenha fraquezas e que elas estão sendo retratadas bem ali na sua frente. Crescer é isso aí.

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Carla Lemos no Esquenta! 

Bateria arrebenta que hoje eu tô no Esquenta! Não é demais minha gente? ❤️ Fui convidada pra falar sobre cabelos coloridos — tendência que vem, que vem, que vem com tudo — e que eu já sou expert depois de tantas cores, né?

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Eu tava louca pra participar do Esquenta de novo. Sim, eu participei da gravação de um dos pilotos do “novo programa da Regina Casé” antes mesmo da estreia e quando entrei naquele cenário foi amor à primeira vista. Aquele monte de gente, aquele colorido, aquela loucura toda foi identificação instantânea :) Mas dessa vez, claro foi muito mais legal ♥ Ainda na ligação-convite, a produtora me conta uma das atrações musicais do programa, que inclusive inspirou o tema dos cabelos coloridos: Karol Conká.

 

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E aí eu pirei: não bastasse participar do programa mais maneiro da tevê ainda do lado da minha nova musa nacional. A Luiza Brasil já falou da Karol nesse post aqui sobre as garotas do rap nacional e eu já curtia a moça daí, mas depois que assisti o show dela no Back2Black (festival mara de música e cultura negra que rola aqui no Rio) virei fãzona. A bixa é muito destruidora. Uma energia, uma atitude e uma vibe fantásticas, sem falar das suas letras cheias de empoderamento e #girlpower.  E quando cheguei no camarim, não é que a gente tava com o mesmo look? Vestido de moletom + tênis ♥

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Já no PROJAC descubro os outros convidados do programa e aí vi que era meu dia de sorte! A atriz convidada da vez era apenas a gata Sophia Abrahão que foi lá falar sobre o seu blog que é uma graça, cheio de dicas super espertas e com os looks mara da Sophia — pq a danada adora moda e tem um estilo super cool (tô amando os looks que ela tá postando de NYC no insta!).

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Falando em blogs, outra alegria do Esquenta foi conhecer ao vivo a Luane (♥)  que lançou um blog há pouco tempo que já entrou pra minha lista de favoritos. Posts criativos e um texto super esperto com tiradas que me fazem rir alto (assim como no programa) — pode clicar que você vai adorar também, certeza ;) Ainda encontrei as minhas lindas Vivi e Dandara e a Natalia. É muita gente bacana numa gravação só :D

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Sobre o look do dia :)

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Acho que nunca foi tão fácil escolher um look. eu tava louca nas peças com estampa de arco-íris da Farm – e esse foi o pretexto perfeito pra ir na loja experimentar tudo. Acabei gamando nesse moletom, me sentindo meio ursinhos carinhosos, meio Super Xuxa contra o Baixo Astral :D O tom off-white dele foi ótimo pra me destacar no cenário supercolorido do programa e a estampa não podia ter mais a ver com o tema :)

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Cheguei em casa com o moletom encontrei seu par perfeito: meu tênis jeans com asas do Jeremy Scott pra Adidas Originals (comprei ele na minha primeira viagem a Londres uns 3/4 anos atrás).  Pra completar o look (e garantir impacto na telinha) maxibrinco pra dar um poder ao moletom (dei essa dica lá no gshow, cê viu?). Escolhi um colorido e geométrico da Berenice, marca de uma leitora super querida.

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E pra fechar quero agradecer demais à Zildinha (pentagonais, yey!), Alê, Paulinha e toda equipe de roteiro e produção que foram super atenciosos. Vocês são demais ♥

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Você conhece a origem da palavra “fashionista”?

Muita vê o termo “fashionista” como uma coisa fútil. Ligada à fashion victims, gente que usa a moda sem nenhum pensamento crítico. Confesso que até eu já pensei assim. Por mais que o termo seja muito usado hoje em dia e até seja o nome de um dos meus sites favoritos (fashionista.com, te amo!), minha percepção só mudou quando descobri a origem da palavra. E aprendi que ela significa exatamente o contrário! Por isso vim aqui pra fazer umas das minhas coisas preferidas: muda sua visão de alguns aspectos da moda. Levanto a bandeira de “fashionista com orgulho” e vou te mostrar porque você tem que entrar nesse time também!

 

Dos anos 90 para os dicionários

Poucas palavras têm data, local e autor bem documentados – e “fashionista” é uma delas. A expressão apreceu pela primeira vez em 1993 (essa década está com tudo!), na página 100 do livro Thing of Beauty: The Tragedy of Supermodel Gia, escrito pelo jornalista Stephen Fried. O livro é sobre umas das primeiras supermodels de todos os tempos (Gia Carangi), e o termo foi usado para designar o exército de profissionais que faziam os editoriais e campanhas junto dela. Depois disso, vieram muitas críticas ao termo, e até o próprio Stephen se desculpou (20 anos depois) pela criação dele. Mas nada pode mudar o fato de que a palavra faz sucesso até hoje e já faz parte até o Oxford English Dictionary (entrou em 1999, bjos)!

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O segredo que faz toda a diferença

Só que pouca gente sabe de onde que ele tirou a ideia para criar o termo – e é aí que está o segredinho que muda tudo. Como Fried estava escrevendo um livro sobre uma modelo que fez muito sucesso entre os anos 70 e 80, ele releu a maioria dos jornais da época. E entre essas décadas aconteceu uma revolução na Nicarágua, e sabe como os revolucionários eram chamados? De Sandinistas (por causa de Augusto César Sandino, que inspirou a luta deles)! O sufixo -ista virou uma piadinha interna entre os amigos jornalistas de Fried naquela época, e ele acabou levando para o livro.

Então, deixa eu te mostrar que coisa linda: a palavra “fashionista” foi criada com a a força de revolução, de valores fortes! Tudo bem, talvez essa não tenha sido a intenção do criador da palavra, mas acabou indo nessa direção. Fui pesquisar o significado desse sufixo – ista, e olha o que eu achei: “que segue um princípio; que é estudioso ou profissional de um assunto; que usa algo“. Faz todo o sentido com a visão de moda consciente, divertida e plural que temos da moda!

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Sem falar que também já existiram outros revolucionários usando essa sufixo: os Fidelistas (seguidores de Fidel Castro) em Cuba. Os Surrealistas, Cubistas e Modernistas já apareceram nas artes nas artes, os Tropicalistas aqui pela música brasileira e ainda tem as visões Capitalistas, Socialistas e Comunistas na política e economia. Posso continuar também com visões religiosas e filosóficas, como Feminista, Criacionista, Budista, Catolicista, etc. É muita força pra um pedacinho de vocábulo só, gente!

E é por essa palavra ser acompanhada de ideais e significados, princípios e impactos na sociedade que agora eu me digo fashionista sim, já que eu também visões que podem mudar partes da sociedade e quero seguir com elas pelo mundo fashion! Então, da próxima vez que você ver alguém algum coleguinha fazendo cara feia quando chamado de fashionista, chama ele no cantinho e mostra que coisa linda que temos como nomenclatura! <3

 

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O novo longo e a tendência do normcore: qual é a relação?

Quem aqui reparou em uma nova tendência que está ganhando força, uma geração de roupas com bainhas lá embaixo e comprimentos avantajados? Por enquanto ela é discreta no Brasil, mas decididamente forte na gringa, acho que é uma das tendências mais relevantes no contexto do normcore atual.

Às vezes, as tendências nascem como reações a alguma monotonia estética (uma tendência antiga, por exemplo), às vezes, como uma idéia materializada, uma mensagem para o mundo em forma de roupas. Pode até chamá-las de atitudes visuais. As novas silhuetas alongadas são originadas (entre uma mistura de outros motivos)  dessas razões; elas são uma reação ao domínio do cropped dos últimos anos e também uma evolução do normcore.

A dominação dos croppeds que tanto amamos e a introdução dos “novos” longos

O normcore já está na cena desde que o grupo de trend forecasters K-Hole colocou a palavra no dicionário da moda no manifesto “Youth Mode”. Essa evolução estilística nasceu como uma reação a muitas pretensiosidades vistas na moda… É um estilo sóbrio, uniforme, que visa a unanimidade. Um certo tipo de não-pertencer, um “bando de gente vestida de gente normal” como disse a Carla.

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Durante o inverno em Londres, vi pelas ruas sobreposições chiquérrimas de calças de alfaiataria com tricots que chegam até os joelhos. Entre as mais ousadas, saias de tricot até os pés com blusões de tricot até as coxas. Os casacos são particularmente apaixonantes  – modelos roubados dos ‘gentlemans’ do começo do século. Soturnos, pesados em cores de preto, marinho, cinza e marrons, esses casacos terminam entre os joelhos e os calcanhares. Também vi muitas blusas modeladas como túnicas retas, geralmente com golas mais altas. Acho esse novo longo uma das silhuetas mais elegantes do últimos tempos.

No estilo, há muitas referências do minimalismo e muita apropriação de roupas masculinas no guarda-roupa feminino, como podemos ver entre as passarelas da Dior, Stella McCartney, Acne, The Row, Rag and Bone, J.W. Anderson e Proenza Schouler. Nas ruas, vemos as blogueiras com estilo minimalista e super moderno como Camille Over The Rainbow e Look de Pernille.

Elegantíssima, a mulher que ousa na combinação longo + longo ou investe em siluetas desse comprimento é super segura de si. Ela não tem interesse em mostrar a silhueta, mas sim a postura. Seu conteúdo é paupável. Feminina e moderna, não se preocupa com as ideias tradicionais e ultrapassadas do que deveria ser um “guarda-roupa de mulher”.

Estar na moda é um conceito engraçado – se pensarmos bem; “estar na moda” apenas significa usar mais ou menos as mesmas coisas que um monte de outras pessoas. “Estar na moda” significa se encaixar em um grupo e se separar de outros, estar na moda é enviar para as pessoas códigos visuais que dizem: eu acredito nessa filosofia. O normcore é bem assim, é uma negação dessa “autenticidade” cobrada na cena fashion. Os novos longos são a expressão fashion dessa normalidade.

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Legal entender por que escolhemos o que escolhemos, não é? Por um mundo com mais escolhas de moda feitas com o coração e menos feitas pelas tendências!

 

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