Rock in Rio Lisboa 2016 | Streetstyle e a camisa xadrez

Com um quê de punk rock até hoje, a camisa xadrez costuma ser uma das preferidas quando vamos compor um look para um show ou festival. Primeiro porque ela naturalmente combina com roupas básicas e, principalmente, nasceu para ser usada com camiseta (de banda!). Segundo, porque ‘tá pra aparecer roupa mais confortável do que uma camisa xadrez, sem for de flanela então, é indiscutível, né?

Não é foi à toa que no Rock in Rio Lisboa 2016, ela aparecia em muitos (muitos!) looks. Afinal, como a gente já contou para vocês, o “estilo” mais frequente pelas colinas do RiR português era o prático e eficiente! E a camisa xadrez é praticidade pura: esquenta quando precisa, fica linda na cintura quando passou o frio e ainda serve como “canga” para sentar no chão.

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ph: @fotovitor

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Relato cotidiano da invisibilidade feminina

Quem me acompanha no Instagram, sabe que eu acabei de voltar e uma viagem a Machu Picchu. Ao chegar no hotel, o taxista cumprimentou o meu marido. Eu estendi a mão também, ele passou direto e entrou no carro. “Ele não deve ter visto”, foi o que pensei. Ao chegar na recepção, o atendente não achava a reserva, que eu havia feito, porque procurava insistentemente no nome do meu marido sem nem me perguntar qual era o meu nome. “Ele não deve ter me visto com ele”, foi o que pensei.

Na hora de entregar as duas chaves do quarto, ele colocou tudo em um envelope único e depositou confiantemente na mão… do meu marido. “Será que ele não percebeu que estamos juntos?”, pensei. Com um sorriso extremamente simpático, ele nos deu as boas-vindas e nos ofereceu um Pisco Sour no bar do Hotel. Um Pisco Sour. Entregue diretamente na mão do meu marido. Zero Pisco Sour para mim. “De novo, ele não me viu”, pensei indignada.

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No dia seguinte, fomos a um passeio com o guia. Ao dar bom dia, ele apertou a mão do meu marido, e virou de costas para a minha mão estendida. No almoço, o garçom entregou a conta somente ao meu marido. No primeiro dia. No segundo dia. No terceiro. No quarto. Até chegar no nono e completar a cartela inteira de invisibilidade feminina.

E sabe, dentro disso tudo o que foi pior? O meu marido, que apoia o feminismo, é extremamente esclarecido, se revolta junto comigo em nossos momentos de luta pelos direitos das mulheres, simplesmente não percebeu. E elogiou todos os serviços que tivemos. E achou a cidade extremamente hospitaleira. A mesma cidade que ignorou a minha presença a maior parte do tempo.

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Eu não pude deixar de pensar que é assim que funciona o privilégio e é assim que funciona a mente do privilegiado – independente do grau de consciência que ele carrega. Não ser considerado não faz parte do mundo dele e a falta de vivência joga uma cortina por cima de fatos óbvios. O invisível aos olhos não é o essencial, como diria Antoine de Saint-Exupèrie, é a minoria. E ela é invisível a todos os olhos – inclusive aos quase treinados para enxergar tudo.

A vigilância continua para que ela nunca passe despercebida pela gente.

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_ a Iana Villela é feminista e agora escreve aqui no Modices toda semana sobre o assunto e outros ismos importantes _

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Como aceitei meus óculos de grau e eles viraram parte do meu estilo

Comecei a usar óculos muito pequena (quer dizer, pequena eu sou até hoje) ainda criança. Na escola, olhava em volta e era a única com cara de nerd, na adolescência, só tinha eu de quatrolhos dançando até o chão nas naites, e nos casamentos da vida adulta, eu sou a convidada que precisa de auxílio pra poder enxergar de fato a noiva.

Não, não posso usar lentes de contato. E, hoje em dia, do alto dos meus 30 anos, finalmente posso dizer: nem quero.

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Mas já quis. E muito. Pra me livrar do bullying idiota dos coleguinhas de infância, depois pra me inserir num padrãozinho, num grupinho, pra que eu me mesclasse com a manada, e não me sobressaísse por algo considerado ruim (Nick Hornby explica isso melhor que eu no ótimo “Um grande garoto”, vale ver o filme com o Hugh Grant também), e pra não ser a única nas ocasiões chiques da vida adulta a ver o mundo por trás de uma armação de acetato e lentes arranhadas. Coisa de gente desleixada?

Já quis muito me livrar dos óculos porque eu não podia preferi-los às lentes de contato, e também porque eles nunca foram considerados capazes de deixar as mulheres serem bonitas. É só ver nos filmes (que não o “Um grande garoto”, heh): a patinha feia se transforma em musa da high school ao soltar os cabelos, tirar o aparelho, tomar um banho de loja, e obviamente, se livrar dos óculos. Só assim ela deixava de ser a garota inteligentona pra conquistar o príncipe encantado. Que estereótipo, né?

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Óculos sexy? Só para os nerds, ou aqueles que tinham fetiche pelo estilo secretária bilíngue de filme pornô, clichê do clichê, com lentes falsas sem grau só pra fazer um tipo.

Mas, ao mesmo tempo em que queria me livrar dos óculos, eles eram meu escudo – a zoação refletia nas lentes e voltava. E eu me construía aos poucos. Ao perceber que meu rosto foi moldado por eles. Ao não me reconhecer sem eles. Ao finalmente entender que eles faziam parte de mim. E que tudo bem ser a única quatrolhos na pista de dança.

Como essa transformação se deu? Ora, achando uma armação bacana (com a ajuda da Carla, olha que maravilha, que me deu o belo toque de que um acetato mais claro cairia melhor no meu rosto branquelo e quase infantil, contrastando pouco com meus cabelos ruivos). Finalmente entendi que óculos não é pra ser discreto, que aquelas armações clássicas de metal fininho que apenas seguram as lentes não tornam o aparato invisível, e que eu preciso ter orgulho de quem eu sou. Por dentro e por fora.

Companheiros de tantos anos (mais de um quarto de século!), os óculos, de certa forma, definem quem eu sou. Minha auto-imagem foi construída através deles. E foi com eles que aprendi a aceitar (e amar) quem eu sou. Hoje, depois de tanto tempo querendo me livrar dos meus óculos, finalmente posso dizer: nem quero. E que feliz sou eu por isso.

_ a @livbrandao é jornalista e agora escreve aqui no Modices todo mês, sobre uma infinidade de coisas – clica aqui e vê os posts dela _

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Rock in Rio Lisboa 2016 | Streetstyle

A 7a edição do Rock in Rio Lisboa foi diferente das edições cariocas de várias formas (a gente já contou tudinho sobre ele). Seja pelo clima, pelas colinas, pelos jabás lindões dos patrocinadores, o RiR Lisboa tinha uma vibes toda diferente e que se refletiu muito nos looks: práticos, lindos, bem de acordo com o que a gente vê na rua de verdade. Não tinha muita fantasia de festival ou nada do tipo, era tudo bem funcional! Vem ver!

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Praticidade e conforto né, gente? Casaco na cintura para aquecer quando for preciso, bolsinhos utilitários, sapatos fechados… É por esse caminho que vão os melhores looks para um dia inteiro de shows, não acham?

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Apesar do clima mais primaveril, cheio de sol e fresquinho, não vimos muitas estampas coloridonas por lá. A carioquice aqui tá acostumada a ver looks solares mais nesse clima, né? Em geral, tons terrosos e looks mais minimalistas/normcore foram maioria!

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Aliás, fica ligada nesse tom de verde militar mais amarelado que tem tudo para virar febre em breve, principalmente no nosso outono daqui – mas já dá pra ver que funciona bem no verão, né?

Em breve, vão ter mais looks portugueses de streetstyle por aqui, que tal? Enquanto isso, você pode ler mais sobre o RiR Lisboa e toda sua maravilhosidade ou dar uma olhada no guia de sobrevivência em Lisboa!

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ph: @fotovitor

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