O segundo dia da Casa de Criadores começou com o desfile de quem sintetiza o espírito do evento, o Projeto Lab. Nessa edição, foram apresentadas criações de estilistas com conceitos bem diferentes entre si, mas todos com a mesma intenção: experimentar. O projeto é o carro chefe do evento e serve para os novíssimos estilistas mostrarem as suas caras e provarem que tem futuro. Desfilaram Mahogany, Danilo Costa, Twooin, Arnaldo Ventura e Jadson Raniere.

As coleções foram bem diferentes entre si. O beachwear de Mahogany mostrou uma mulher que desfila rica na praia, super inspirado na alma Disco, abusou do brilho e colocou até drag na passarela! As meninas da Twooin contaram que usam de referência as pequenas emoções do cotidiano. Tudo muito lúdico, com direito a bicicleta na passarela, leggings estampadas e até um vestido com franjas de caneta BIC. O que roubou a cena foi os acessórios com pequenas almofadinhas. Já Jadson Raniere pegou a força dos aventureiros dos mares para colaborar na textura e na silhueta marcada de suas peças, tanto para homens quanto para mulheres. A malha extrafina também foi vista por aqui, junto com muita transparência e textura.

Os mais aplaudidos do Lab foram Danilo Costa e Arnaldo Ventura. Danilo foi beber da mesma fonte que Jeff Koons e colocou elementos da sua infância na coleção. Os acessórios merecem um post a parte- óculos com aplicações de corações, colares com diarinhos, ursinhos de plástico recheados de balas, patos metalizados- tudo para quem assistir ter aquela vontade de soltar um EU QUERO AGORA. A alfaiataria feita em malha e as peças com o fechamento invertido propositalmente deram graça e informação à coleção. Se alguém (como eu) desejou muito os óculos com acabamento flocado, pode esquecer – eles não serão vendidos. Segundo Danilo, o flocado só era para efeito de desfile e na primeira chuva ia sumir todo! Arnaldo conseguiu misturar três elementos que podem parecer bem estranhos juntos – Militar, Futurista e Cigano. Muita alfaiataria bem feita, cores densas, paetês e tafetá. Os detalhes e fechamentos foram todos feitos em dourado, fosco e brilhante, conferindo um glamour poderoso à coleção.

Logo após o Projeto Lab entrou a Tudicofusi, marca conhecida por suas coleções irreverentes, intervenções e prostestos. Dessa vez resolveram mostrar looks para pessoas que normalmente são excluídas da sociedade, como a modelo com apenas uma perna que andava com o auxilio de muletas. A marca também apresentou peças para grávidas, e todas as peças foram desfiladas por “pessoas normais”, que também não costumam mostrar suas caras nas passarelas. Apesar de todo o conceito de inclusão, as roupas em si deixaram muito a desejar. Assim não funciona, né? Valeu a experimentação do jeans com a seda.

Ainda no backstage, quem olhava para os looks da Purpure só pensava uma coisa – Lady Gaga! Na verdade os estilistas foram buscar referências bem mais para trás, olhando para Grace Jones e o Kitsch. O brocado – que está aparecendo bastante nessa edição da Casa – também não escapou das mãos da dupla. A coleção é inteira de um beachwear que não pode nem chegar perto da areia, mas impressionou. As ombreiras estavam à mostra dando um poder a mais à sua mulher. Volumes a la Balenciaga, tecidos resinados com aparência molhada mostram que o ousado e o elegante caminham lado a lado.

Geraldo Couto quis ser diferente e foi o único que mudou a passarela de vinil preta, para uma listrada. Contou na apresentação antes do desfile que se inspirou no Dalidá (movimento francês que explora a mulher elegante no palco). A coleção inteira foi realmente bem elegante, mas os veludos no começo foram ficando um pouco repetitivos ao decorrer do desfile. No segundo tempo do desfile, os looks vermelhos se transformaram em pretos, e paetês e brilhos começaram a aparecer, com um olhar mais novo e interessante. Apesar da repetição, a tal elegância feminina que o estilista almejava estava presente em todas as peças.

ADD trabalhou muita estamparia digital e “peças de vida real” como gostam de dizer. Foi uma das coleções mais bem amarradas do dia, propôs um verão bem colorido, com referencias do navy, mas fugindo do marinho, e colocando bastante vermelho. A maioria dos looks, por mais esportivo que fosse estava acompanhado de gravatas retas na ponta, deixando o tudo mais irreverente para quem veste, e uma ótima solução para fugir da mesmice.

Prints I like. Precisa dizer mais ? Estampas, estampas e mais estampas. Tudo bem colorido e em tecidos levinhos, bem verão mesmo. A marca sempre encanta pela sua delicadeza e humor na estamparia, que parece que foi feita na hora com pincel e aquarela! Os tailleurs de seda são de desejo imediato.

Os volumes de Rober Dognani continuam lá, mas dessa vez foram bem melhor desenvolvidos. A coleção foi inteira em verde neon e cinza, com micro comprimentos e muito tomara que caia. Volumes na parte da frente parecendo dobraduras no tecido acetinado são super modernos, mas vale lembrar que as mais gordinhas devem fugir desse modelo. Usadas como fechamento e finalizações, as amarrações estavam presentes em quase todas as peças, fugindo bem da caretice das tradicionais coleções de vestidos de festa que vemos por aí. Sua proposta era misturar o clássico e o futurista, funcionou.
Enfim, confesso que gostei bem mais do 2º dia do que do primeiro, teve mais inovação e um clima bem mais jovem, agora vamos esperar o 3º e último, que promete ser melhor ainda.