Sumi, eu sei. Já pretendia tirar uma folga, fazer um recesso nesta última semana do ano, mas a vida acabou antecipando esta pausa. Depois de um ano que valeu por três, o cérebro estafou. Sabe aquele tal ócio criativo? Nunca vi tanta utilidade nele na vida. Assim declaro oficialmente Férias de verão, com uma semana de duração (totalmente contra as leis sindicais deste país).
Quero aproveitar o restinho de 2011 para garantir que tudo que desejo acontecerá no ano que (já já) vem. Isso inclui os preparativos finais de alguns ajustezinhos no layout e uma nova ilustração feitos pelo (talentosíssimo) ilustrador Herbert Loureiro (lá de Maceió!), novas seções para mais atualizações diárias, um dasruas que funcionará além das temporadas de moda e umas coisinhas ou outras que acredito que reforçará a mensagem que me esforço a passar a cada post.
Além dessas surpresinhas que aparecerão na primeira quinzena de Janeiro (rezo), no dia 20 de Janeiro — no meio da SPFW — será lançado o F*Hits Shops, o ecommerce da rede, onde cada blog terá uma lojinha personalizada com os produtos mais incríveis de marcas mais incríveis ainda (a primeira a vender Swatch online no mundo, tá!). Mesmo com o lançamento no dia 20 — tem contagem regressiva e tudo no tapume — o F*Hits Shops vai começar devagarzinho… Só para convidadas. Então, quem quiser fazer um pré-cadastro para conhecer o Shopsassim que ele for lançado pode se cadastrar nesse link.
Mas para não deixar ninguém entediado neste restinho de ano atualizei o blogroll(aqui do lado) acrescentando alguns dos endereços que acho mais interessantes da rede. E tem de tudo, blogueira de look-do-dia, blog de música de jornalista de moda, blog de texto bom, entre outros. Inclusive um recém-descoberto de uma carioca (sou bairrista) e astróloga (!), o Mapeando da Maina Mello. Ainda não li todos os arquivos para saber se a Maina acertou meus horóscopos passados, mas adorei o que ela escreveu sobre o ano que vem aí (e ela recomenda calcinha vermelha para a virada!):
Depois dessa esperança de um mundo melhor (e mais criativo) em 2012, desejo para todo mundo — que dedica um pedacinho do seu dia/semana/mês para entrar aqui — um novo ano cheio de sorte, saúde e sucesso.
Minhas tendências favoritas são aquelas as quais a gente pode usar sem precisar sacar o cartão de crédito, que ensinam novas formas de usar o que já existe no armário (e é isso que chamo de Moda Sustentável!). Há um tempo tenho percebido que o novo color blocking é o mix de estampas.
Só que mais que os looks com 2, 3 estampas me chamou atenção ver tanta gente fazendo esta combinação com estampas sem cor — as em preto & branco. Giovanna Battaglia, editora de moda da W e boa coolhunter que é, deu uma forcinha para que este styling(sugerido nos desfiles da D&G e Dolce & Gabbana, marca da qual já foi musa, de inverno) se propague fazendo um editorial todo com esta inspiração na 1ª edição de 2012 da revista com uma das atrizes mais influenciadoras (e cool) do séc.21 Chlóe Sevigny.
Mas, entre desfiles e editoriais, quem mostrou o potencial da tendência foi a rua. Diversas mulheres — entre grunges, clássicas, fashionistas e casuais — começaram a fazer suas versões. E, analisando todos estes looks e estilos de referência dá para perceber que é fácil fazer esta coordenação (já que combinar cores entre estampas diferentes é a maior dificuldade de quem quer usá-las juntas) e é uma opção para as mais clássicas saírem da zona de conforto e experimentarem coisas novas — como a Chris Francini mostrou esses dias.
Se prepare para ver (e ler) muito sobre Léa Seydoux. Esta atriz francesa de 26 anos com rostinho angelical e dentes levemente separados é a nova musa da Prada — ela acabou de estrelar a campanha do Prada Candy, novo perfume da maison (que é uma delícia, mas parecido demais com o Flower by Kenzo), e da coleção de jóias da marca —, ganhou perfil na Bazaar US e na W e tem feito importantes participações em filmes hollywoodianos como Bastardos Inglórios (do Tarantino), Robin Hood, Meia-noite em Paris (do Woody Allen) e no novo Missão Impossível.
Léa começou sua carreira como modelo e antes da Prada já tinha estrelado uma polêmica campanha para a Levi’s (que é ótima!) e para as fast-fashions Uniqlo e American Apparel. Mas o envolvimento da francesinha com a moda começou quando ela tinha 12 anos e ganhou seu primeiro salto — um presente de Christian Louboutin que vem a ser melhor amigo de seu pai.
Seu pai também lhe deu o melhor conselho de estilo quando disse à filha para se comportar como uma menina bonita, fazendo com que as pessoas acreditem que ela é. Léa é a típica francesa com um estilo mais clássico com um q romântico (mesmo tendo uma atitude de menina rebelde) e o que eu adoro nela é seu tipo físico mais voluptuoso, feminino e real e seus cabelos quase sempre despenteados (quase como que uma carioca).
Olhando bem, ela tem uma leve semelhança com Scarlett Johansson, não? Há boatos de que Léa pode tomar o lugar que um dia foi de Scarlett como musa de Woody Allen. Carisma para isso ela tem.
Há quase 6 meses fiz um post dando a dica de prender um pedacinho da blusa para dar um charme tantos nos looks de cintura alta, média ou baixa. Eis que agora me chamou atenção uma certa variação desta tendência. A dica do post de Junho funciona apenas para blusas retas, sem botões (como as camisetas). Aquela informação parece ter despertado o desejo de se criar o mesmo efeito visual também numa camisa de botão. Assim, temos o tema do nosso post de hoje.
O truque é fácil:feche a camisa até a altura da peça de baixo e deixe um lado da blusa preso por dentro e outro para fora. Desta forma você criará uma linha vertical no meio do seu corpo o que resulta num efeito alongador de silhueta(implico com o termo emagrecedor). É que camisa para dentro da calça faz uma linha horizontal no corpo dando um corte na silhueta que se transforma numa ilusão de achatamento (você já se sentiu maior usando ela assim?) e usá-la completamente para fora, fechada, tem efeito semelhante (e ainda pode parecer desleixo). Mas…
Eu já tinha visto umas 2 ou 3 fotos atuais de mulheres usando o casaco fechado apenas nos primeiros botões, deixando os outros abertos. Achei este visual interessante (e acreditei que funcionaria bem no meu quadril), comecei a ver a mesma ideia em figurinos de filmes dos anos 90(se bobear vi até em Mulheres de Areia) e resolvi colocar em prática neste look acima.
Houve um tempo, lá no iníciozinho do século 20, onde a principal capital da América do Sul não era o Brasil, mas sim a Argentina. Em 1913 nossos vizinhos hermanos eram a 10ª maior nação mais rica per capita do mundo e isso foi suficiente para que Buenos Aires se tornasse a capital lançadora de cultura do Sul das Américas — e assim o Tango ficou famoso no Velho Mundo.
A dança nascida nos prostíbulos da capital argentina foi levada por marinheiros franceses para a Europa. Muito dramática, sensual e intensa, o tango tem passos largos e muitos movimentos de perna. (Lembro do meu professor falando que para se dançar tango era preciso estar em tensão constante, já que os corpos estão o tempo inteiro se desafiando — cada passo tem uma resposta). Por isso, no seu característico do traje de baile, o vestido da dama (longo ou curto) tem uma fenda na perna.
A Argentina era tão importante na época que um dos filmes mais famosos do cinema noir se passa no país. Interpretada pela diva Rita Hayworth(um ícone da Velha Hollywood e dos anos 40), Gilda tinha um figurino repleto de fendas, incluindo o clássico vestido preto que marcou sua imagem de femme fatale (lembra da Jessica Rabbit? Então, foi inspirada nela), tal e qual as dançarinas de tango.
As fendas reapareceram (com força) tem umas 2 ou 3 estações para trazer um frescor à profusão de vestidos longos e logo foramse espalhando pela alta costura, prét-à-porter, fast fashions e tapetes vermelhos. Meninas com perfil mais jovem (as quase teen) são curiosamente as que mais tem usado esta imagem de mulher poderosa e sensual do recorte nas pernas (além deste ser o tipo de vestido favorito de Angelina Jolie).
Além da fenda no vestido da dama, o Tango tem sido uma referência de atitude. O tom de laranja eleito pela Pantone como a cor de 2012 atende pelo nome de Tangerine Tango, que ganhou este nome por ser uma cor “sofisticada mas ao mesmo tempo dramática e sedutora”, e no comercial de Prada Candy, novo perfume da grife, a atual queridinha do cinema francês (e de Hollywood e Miuccia)Léa Seydoux provoca seu professor de piano com um dança das gangues de rua de Paris de 1900, que em muito se assemelha ao tango.
Depois da Índia trazer a simbologia, a influência Argentina — junte a adoração hermana por mulheres de Evita Péron a Cristina Kirchner — mostra um pouco da personalidade das mulheres do novo Girl Power. Nunca houve tantas mulheres na presidência de países e empresas. E a economia influencia a moda muito mais do que a gente pode perceber.
Digo e repito: não acredito em peça tem-que-ter da estação. Um ano atrás a calça vermelha começou a se multiplicar em blogs e revistas e no inverno deste ano foi difícil ver uma marca que não tinha a sua versão nas araras (o que levou a pobre red pants à votação de tendência saturada do ano no Fashionismo). Mas depois da overdose vem a criatividade, e agora sim começo a ver looks interessante (esqueça blusas listradas!) tanto com as calças vermelhas quanto com as vinho (que já tem até naMarisa, óh).
- Ei, Lemoxx, mas só tem dois looks com cores coloridas! Os outros misturam o vermelho com neutros!
Sim, sim e vou dizer que pra mim a grande criatividade está nisto. É tão difícil fazer o básico se tornar interessante mas cada look destes aí tem seu charme. O vermelho+bege+preto tem um chapéu que tranforma o visual de sem sal para cool. No caramelo+branco+vinho tem o charme ali do sapato bicolor (pode dizer, um sapato bicolor não seria sua primeira opção neste look). Vermelho com cinza parece fácil, né? Mas reparou que tem 2 tons de cinza ali mais o preto dos acessórios? E o cachecol (jumbo) vermelho dá uma equilibrada no visual (que não sei nem explicar). Já os dois looks coloridos são bons justamente porque não remetem diretamente ao color blocking. São coordenações de cores mais sofisticadas, tanto com o azul marinho quanto com o amarelo quase-pastel.
E, claro, o look chave vermelho+vermelho. Combinação linda e feminina. Há uns meses usei calça e camiseta vinho com blazer branco. Modéstia a parte achei que funcionou muito bem (um visual 70/80). Alguma outra sugestão de combinação ou look (bafo) com calça vermelha? Compartilhe!
Os desfiles de meia estação (os de pré-outono especialmente) da Chanel são ótimos para se encher de referências culturais (lembra que citei o último, o bizantino, quando falei de veludo?). O mais recente com a coleção Pre Fall 2012, Karl Largefeld fez uma coleção inspirada na Índia, mesmo sem nunca ter carimbado seu passaporte por lá. Ele diz que é muito mais inspirador não ir aos lugares que ir — num discurso semelhante ao de Yves Saint Laurent (eles eram desafetos!) que também fez coleções sobre diversos países e culturas usando somente livros como referência.
Neste clima Bombay meets Paris (que fala de decadência e excessos) o destaqueda coleção (pra mim!) foram os acessórios, especialmente estes que seguem do alto da cabeça para a testa com inspiração nas jóias de rituais religiosos hindus.
Pouco antes do desfile da Chanel, eu já tinha salvado fotos que me chamaram atenção de meninas da Califórnia usando o bindi — que a gente chama de terceiro olho. Na cultura indiana o acessório representa a força feminina — e cada vez mais referências a um novo girl power aparece por aí (Who run the world? Girls).
Lá em meados dos anos 90, Gwen Stefani, outra garota da Califórnia, ficou famosa no mundo inteiro usando o bindi no período de divulgação de Tragic Kingdom, álbum que estourou sua banda No Doubt (e a Gwen, de certa forma,era uma versão roqueira e americana do girl power das Spice Girls). Seu estilo virou tendência o que resultou numa popularização do adesivo entre os olhos.
Que a Índia vai influenciar muitas coleções por aí não tenho dúvidas mas… Será que o bindi pega de novo?