Antes de chegar em Londres fiz conexão naquele encantador aeroporto de Paris, o Charles de Gaulle. E logo que cheguei no saguão de conexão dei de cara com uma exposição do ilustrador brasileiro Filipe Jardim.
O Filipe é carioca e já desenvolveu ilustrações para marcas como Tiffany & co, Louis Vuitton, Hermès e estampas de diversas coleções da Neon, Amapô e Issa — inclusive são dele as estampas da coleção que será apresentada esses dias aqui na London Fashion Week.
Fiquei muito orgulhosa de ver a arte de um brasileiro sendo valorizada assim na França. E, inclusive, #ficaadica para os administradores dos aeroportos brasileiros. Antes de embarcar para Londres, num dos vários corredores abandonados do Galeão, dei de cara com uns quadros expostos em gradezinhas de metal (desses de floresta e rio que a gente vê em qualquer loja de beira de estrada). Um lugar por onde passam tantos turistas, todos os dias, tem a obrigação de exibir o que nós temos de melhor e mais criativo. Não deveria funcionar assim?
Azealia Banks tem 20 anos, é de NY e acabou de assinar contrato com uma gravadora para lançar seu primeiro álbum no meio do ano. Bom, até lá a mocinha promete causar muito: ela cantou numa festa de Karl Largefeld semana passada e no mês anterior ela estava em Paris com Nicola Formichetti (stylist da Lady Gaga e diretor criativo da Mugler) gravando seu novo vídeo.
Seu visual me parece uma versão 2012 e feminina de The Fresh Prince of Bel Air. Ela tem muita referência dos anos 90 no seu visual com saltos plataformas. tênis esportivos e moletons do Mickey (quem não teve um da Disney ou da Pakalolo?) — sua peça ícone. Azealia foi indicada como aposta musical do ano pelo WGSN e, além desse hype todo, a rapper ainda faz um som ótimo (de balada boa).
Tudo parece ter começado com a estreia do seriado Pan Am: as aeromoças ganharam sua versão romantizada na série, estrelada por Christina Ricci, de olho em outra faceta dos anos 60, tão em alta na tevê americana desde Mad Men. Os uniforme das comissárias de bordo da década tinham uma inspiração futurista muito forte, já que todos olhavam para cima graças a corrida espacial entre EUA e a então União Soviética. Foi nesta época também que os vôos comerciais se popularizaram (quando a economia se recuperou da 2ª Guerra) e a profissão era o que havia de mais moderno.
Daí, juntamos a isso o retorno dos principais nomes do futurismo, com a passagem de Pierre Cardin pelo Brasil (com desfile e exposição no ano passado), a retomada da grife Paco Rabanne nas mãos do indiano Manish Arora, com seus looks neo-futuristas vestindo a musa do novo pastiche,Lady Gaga, a Courrèges, ensaiando um retorno desde o ano passado, já tem inclusive jaquetas a venda aqui no Brasil na NK Store. Teve também o remix de Nicolas Ghesquière na Balenciaga — que nos tempos de Cristóbal influenciou os estilistas do movimento (Andre Courrèges, inclusive, trabalhou com Cristóbal Balenciaga por uma década) — nas últimas coleções de prét-à-porter.
Todas estas referências supracitadas podem ter originado a coincidência de coleções inspiradas na aviação nestas primeiras fashion weeks do ano. Primeiro (!) chegamos ao desfile da New Order, no Fashion Rio de inverno 2012, cheio de itens-desejo inspirados em bagagens, uniformes e aparatos de um avião, com direito a aeromoças e carrinho de serviço. Duas semanas depois, Karl Largefeld na alta-costura da Chanel saiu do seu palco tradicional (o Grand Palais) e levou seus convidados ao espaço no avião mais luxuoso dos últimos tempos, numa coleção toda azul (a cor dos uniformes das atendentes de bordo nos 60s).
A China está na moda e não podia ser diferente já que o país comunista é a economia que mais cresce no mundo (ou seja, um mercado consumidor efervecente!). Além da sua cultura estar influenciando mais que nunca, suas meninas estarem fazendo sucesso em passarelas e campanhas (inclusive da Victoria’s Secret) agora o Ocidente começa a voltar seus olhos também para os artistas chineses modernos, como a fotógrafaChen Man.
Li pela primeira vez sobre a fotógrafa numa matéria de revista (acho que da Bazaar Brasil de Fevereiro) e fiquei encantada com seu trabalho que mistura fotografia com altas doses do Photoshop e 3D Max. Com 31 anos ela já é considerada a mais importante fotógrafa da história do seu país e suas imagens tem sido responsáveis por levar a cultura moderna da China para o mundo — ela ficou famosa pelos seus retratos de celebridades e colaborações em revistas de moda e beleza.
Quando pensamos em culturas tão diferentes da nossa, como a chinesa (indiana, russa ou africana), acabamos esquecendo que eles, assim como nós, estão em constante evolução e cheios de energia e necessidade de fazer coisas novas. Vale a pena parar de buscar referiências só no passado e começar a observar o presente (da cultura dos outros e da nossa própria)