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Eu e meu sapato de golf

Rio de Janeiro,

Não, não comecei a jogar golf com o Jorge Ben e Rodrigo Lombardi (Are Baba!) no Itanhangá Golf Club. É que eu descobri no WGSN que o sapatinho com aba de franjas, que eu estava louca desde que vi a Alexa Chung usando, é na verdade inspirado nos modelos dos antigos calçados usados no jogo. Miuccia Prada resgatou eles numa das últimas temporadas da Prada, na coleção masculina (e daí começaram a surgir os modelos inspired de todos os tipos).

E eu tenho 2 fracos de moda que adquiri na adolescência e não larguei nestes (longos) anos que se passaram: usar camisa de banda e sapatos masculinos. É, Carrie Bradshaw era louca por saltos Manolo e eu só queria saber de usar um sapato de camurça (clássico!) da Mr.Cat aos 15 anos. Os garotos começaram a usar, eu curti e resolvi adotar (era decote, minissaia e sapato de menino). E desde então é assim: não posso ver um par de inspiração masculina que já vira desejo imediato.

Assim sendo, não tinha como ser diferente com o modelo que vi justamente na Alexa Chung (a única pessoa do mundo que eu tenho vontade de sair com o look idêntico todas-as-vezes). Nunca tive esperanças de encontrar sapato assim no Brasil, mas não é que a Gloria Coelho fez um pra sua coleção da Shoestock? Descobri só quando fomos gravar o vídeo da Costanza e trouxe, claro, um pro Rio comigo.

_fotos de Vitor Fernandes

Daí, este post é um teste do que pretendo fazer aqui esta semana. Mostrar um pouco mais do meu estilo (como minhas amigas tanto falavam pr’eu fazer e tantas leitoras sugeriram no questionário) falando das peças/tendências que eu mais tô curtindo.

Fui assim ontem na apresentação do verão da Patricia Viera. A blusa cropped (que eu amo!) é da seção fitness da C&A (custou tipo 30 reais) e a saia é meu clássico da Osklen. Esta estampa é um xódo porque ela é da fase da marca do Oskar que toda pessoa legal e descolada da cidade usava suas coleções. Eu era louca pra ter uma peça com esta estampa especificamente e achei esta saia num Top Fashion Bazar por tipo 50 dinheiros há uns 6 anos (e só fui usá-la pela primeira vez ano retrasado!).

Agora que eu estou trabalhando meu embaraço para aparecer mais por aqui, você podia participar mais também. Hein, hein :)

Sobre o pantanal e a moda

Rio de Janeiro,

Você já está cansada de saber que o animal print está em alta, certo? As mais aceleradinhas já viram nos blogs de streetstyle que as estampas de folhagens estão bombando no verão europeu. E agora as leitoras do Modices, que são ligadinhas em todos os passos da moda, vão ligar um ponto com outro da melhor maneira.

Olha só, nosso país é super tropical, cheio de plantas e flores bonitas. Aqui também temos animais bem diferentes e que inspiram ótimas imagens, como onças, tucanos, cobras e jacarés. Basta encontrar a fonte de tudo isso no nosso território, que é o pantanal! (pensou na Amazônia, né?)

Quem já viu em alguma loja essas peças com folhagens escuras? É facinho de encontrar, viu. A Gucci lançou no começo do ano uma mini coleção inspirada no pantanal, em homenagem à abertura da sua terceira loja em terras tupiniquins. A coleção de inverno da Enjoy, que já está nas lojas, tem a mesma região como inspiração, usando as cores quentes da seca e as frias dos rios quando estão cheios. E esse mood promete durar, já que na coleção de verão 2013 do estilista Victor Dzenk iremos ver estamparia de folhas, flores e até uma estampa inspirada na pelagem da jaguatirica!

Para mostrar sua brasilidade no look, fazendo o seu pantanal, é só usar uma peça com estampas de folhas mais escuras e densas com tons de azul escuro. As mais ousadas podem misturar com outra estampa “natural” daquela área: de onça e de cobra! Ou jogar uma estampa de papagaio, acessórios com penas ou até sapatos e bolsas em materiais diferentes, tipo os que têm textura de couro de avestruz ou jacaré. E ainda dá pra fazer referência mais sutil com um Tuiuiú no escapulário da Enjoy.

E aí, vamos vestir nosso país de uma maneira mais criativa?

East London, roteiro alternativo de Londres

Rio de Janeiro,

Falei tão pouco da minha viagem aqui. Ok, de lá era praticamente impossível fazer um post mais elaborado, mas acabei me dando conta que deixei de compartilhar as coisas mais diferentes que fiz por lá. O roteiro alterrrna (como diz Lalá), longe do padrão de compras e realeza. Londres é uma das cidades mais ricas do mundo, não só em renda per capita, mas também em cultura. E, desde a minha primeira visita, eu estava doida para conhecer o outro lado de Londres. A Oxford Street é incrível, mas antes das tendências irem parar ali, elas passeavam em outra freguesia. Se um dia foi Carnaby Street ou Kings Road, hoje é em East London que está o que e quem deve ser visto. 

Não me tornei especialista, nem mesmo uma insider (AINDA), mas tive sorte… Poucos dias depois de terem acabados meus compromissos da London Fashion Week, meu querido (gerente de marketing da maior marca de moda brasileira no facebook, a Farm) André Carvalhal chegou de férias. Nos encontramos num sábado em Bricklane, e começamos a caminhada com destino a Broadway Market pela Fashion Street. Ao contrário do que o nome possa fazer você imaginar, a Fashion Street não é cheia de lojas incríveis, mas é nela que se encontra o Istituto Marangoni, uma das principais escolas de moda da Europa. Ou seja, esta área é repleta de gente que está sendo preparada para criar as roupas que eu e você vamos querer nas temporadas que estão por vir.

Claro que não lembro as ruas que percorremos (aí sim, cheias de lojas incríveis), mas chegamos em Broadway Market, uma feirinha que rola aos sábados cheia de comidas e temperos dos mais variados e exóticos tipos — a barraca de fila interminável era a de hamburguer vegan. A cozinha típica de Londres não é das mais saborosas da Europa (aquele Fish and Chips deles é bem, literalmente, sem sal), então eles adoram experimentar coisas novas (principalmente se for oriental – da Tailândia ao Japão).

Uma máxima que o povo por aquelas bandas leva a sério também em estilo. Qualquer pessoa que você olhasse tinha uma identidade expressa através de suas roupas. É como se ninguém fosse figurante, sabe?

A (pequena e estreitinha) Broadway Market termina em London Fields, um parque delicioso (daqueles de filme que você tem uma tarde agradável) com muita gente estilosa. O Vitor fez dezenas de fotos de streetstyle e eu fiquei com ainda mais vontade de revirar o álbum da memória dos anos 80/90.

De London Fields, os amigos do André nos levaram para conhecer algumas galerias de arte (e no caminho estava o Regents Canal, que tinha barcos fazendo as vezes de sebos!) e quanta coisa incrível eu vi. A primeira, por exemplo, estava expondo o trabalho de um artista todo feito de raio x de bichos escrotos (e essa estética é a inspiração da coleção que a TNG vai apresentar essa semana no Fashion Rio) tipo baratas e ratos.

Mais do que ver o que os artistas estão criando bom foi ver a proximidade que as pessoas tem da arte. Além das ruas estarem cobertas de intervenções (grafites, cartazes, etcs) é fácil você adquirir uma obra de arte. Várias destas galerias tinham peças mais “comerciais” e acessíveis pra você levar aquela ideia pra casa. Em uma delas o release do artista era um cartaz (tamanho A3!) com uma obra dele na frente. Vitor não pensou duas vezes, pegou um trouxe com maior carinho de Londres pro Rio (e hoje ele decora nossa casa <3).

Se você for a Londres reserve o final de semana, sábado ou domingo, para percorrer esta área de Hackney e Bricklane. Vale a pena para renovar as ideias de moda, arte e até culinária ;)

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CARLA LEMOS é uma garota carioca de 20 e poucos anos. Tem Sol em Áries, acredita que astrologia é uma ciência exata, e que a moda é um meio de comunicação interpessoal. Passou pelas faculdades de Moda e Publicidade, atuou como stylist de campanhas, editoriais e atrizes globais.

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On the Road e a geração Beat

Rio de Janeiro,

Começou o festival de Cannes e rola aquele entusiasmo pelos lindos looks de balneário das atrizes do momento (que vou postar na categoria celebridades que vai entrar ali no menu) e saber quais os filmes tem-que-ver do ano, não necessariamente nesta ordem. Mas eu estou animada mesmo para a edição deste ano por conta da estreia de On the Road, filme de Walter Salles (com a Kristen Stewart, Kirsten Dunst e etcs) inspirado no livro clássico cult “Pé na Estrada” de Jack Keuroac.

A história de passa nos anos 50 e retrata uma galera (a do autor, no caso) do universo undergorund de Nova Iorque, questionadora e despreendida dos valores tradicionais, a Geração Beat. Sabe o American way of life, as cinturas marcadas, cores açucaradas e mundo plástico que está em todas as revistas e blogs de moda agora? Então é isso, só que ao contrário. Essa turma de artistas, intelectuais e poetas não se identificavam com este perfeitinho mundo cor-de-rosa e começaram a pregar uma vida anti-materialista, além de viver como nômades ou em comunidades. Lembrou do hippies? Pois é, os Beats — que também eram chamados de hipsters (>hippies) por serem modernos demais e beatniks, de cunho meio pejorativo — eram os “irmãos mais velhos” e melancólico deles (e do punk parece). Os Beatniks usavam muito preto, gola rolê, óculos escuros e boina além de calça cigarrete (ou cropped), saia com fenda, sapatilhas e slippers (repara na foto da Audrey Hepburn!).


Estilinho bem parisiense, não? Este é o esteriótipo dos beatniks (O Nouvelle Vague estava rolando na mesma época em Paris) , mas o figurino do filme parece seguir outra linha (acho esquisito uma menina, por mais rebelde que fosse, dos anos 50 usando shortinho). Na Estrada (título em português) estreia no Brasil mês que vem (dia 8 ou 15 de Junho) e torço para que ele entre em circuito com um Leão de Cannes no cartaz ;)