Meus carnavais sempre foram super intensos, do tipo 50 horas em 5 e, mesmo trocando a folia da Sapucaí pela folia da moda, a regra se manteve. A cabecinha está transbordando de tanta informação. Para ajudar a organizar os pensamentos reuni algumas das fotos postadas no instagram (ou que pelo menos deveriam ter sido) para compartilhar um pouquinho do que foi interessante e bacana nesta semana, mas que podem acabar não ganhando um post para chamar de seu.
E aguarde posts empolgadíssimos de novos designers e streetstyle daqui
Quando avistei a Peony Lim no final do desfile da Burberry fiquei toda tietezinha. Ela é das minhas personalidades de streetstyle favoritas mesmo não sendo uma editora de uma revista de moda famosa ou cult. Ela é simplesmente daquelas meninas que inspira. Ela me lembra uma Blair Wardolf chinesa com cabelos sempre muito bem escovados, maquiagem impecável, só que mais simpática (apesar de não ter ido tietá-la a vi sendo muito muito muito fofa com todo mundo) e com looks mais ousados — como dá para perceber neste com chapéu russo e coordenação de cores incrível.
Na primeira vinda à Londres conheci a existência do British Fashion Concil (BFC) e a sua dedicação em promover a moda criada em Londres e posicionar a cidade como pioneira e lançadora de tendências através do NEWGEN. O projeto é sensacional e realmente tem feito a diferença na moda. Alexander McQueen foi revelado por ele e depois vieram nomes como Matthew Williamson, Christopher Kane, Erden e Mary Katrantzou — que ganhou ano passado o prêmio do BFC de Emerging Designer e acabou de assinar uma linha para a Topshop (que patrocina o projeto). Mesmo que você não conheça algum destes nomes, com certeza já viu ou tem alguma peça inspirada neles.
Nesta temporada foram 6 jovens estilistas selecionados para apresentar sua coleção na London Fashion Week. Simone Rocha, Holly Fulton, David Koma, J JS Lee, JW Anderson woman e, se eu posso escolher um favorito, o holandês Michael Van Der Ham. Ele estudou na Saint Martins e trabalhou na Alexander McQueen e tem um trabalho de mistura de texturas fresco e maravilhoso. As peças acompanhavam o movimento do corpo, tinham presença e muita personalidade. Mesmo os looks mais “simples” tinham aquela interessância, o tal it.
Depois de chegar entusiasmada com o desfile fui conferir as coleções anteriores do Michael e confirmei minha identificação com o trabalho dele — principalmente depois que li que ele cria para mulheres que não tem medo de serem ousadas. E no caso da moda dele a ousadia não é antônimo de feminilidade (suas criações tem até uma certa sensualidade).
Uma das experiências F*Hits desta semana foi com a Louis Vuitton. Fomos conhecer à maison da marca na Bond Street — a única do mundo a ter um stylist, o Márcio (que veja só é carioca!), a disposição dos clientes. A gente tem uma imagem da marca, hoje em dia, tão forte com a linha pret-à-porter (criada em 1997) e de bolsas — ambas com direção criativa de Marc Jacobs — que muitos não sabem que a origem da marca está nas viagens, quando lá em 1854 o próprio Louis Vuitton abriu sua oficina e reinventou as malas existentes até então. Assim, o lema da grife é viagens e descobertas, e eles definem isso muito bem num vídeo institucional lançado este ano: “A journey is not a trip. It’s not a vacation… It’s a process of self-discovery”, algo como “Uma viagem não é simplesmente uma viagem. Não é férias… É um processo de auto-descobrimento” (eu me sinto muito assim!)
O diretor geral da Louis Vuitton na Inglaterra, que nos recebeu, também contou que o que torna a loja da Bond Street numa maison é a bookstore do segundo andar, com uma seleção extraordinária de livros de moda e arte, com espaço para pequenas instalações de arte.
A marca tem uma paixão por arte contemporânea (a cara do Marc, né?) e patrocina várias exposições como a da artista japonesa Yayoi Kusama, que rola até Junho, no Tate Modern. Conheci a Yayoi há alguns anos, num anúncio de um celular com a assinatura dela na Guinza (a minha revista japonesa de moda favorita). Ela é conhecida por sua criações com poás, e foi ótimo conhecer outro lado do seu trabalho nesta exposição. Fiquei apaixonada pelas suas pinturas mais recentes que lembravam ilustrações de células do livro de biologia.
Há grandes possibilidades que esta exposição seja uma introdução (aka. hypada) no trabalho da artista para depois a Louis Vuitton lançar bolsas com a colaboração dela (como já foram feitas com tantos outros artistas). Aguarde bolinhas em speedysperto de você