Nesses dias andei me lamentando pelo término de um delicioso rolo enrolado demais caso que eu estava tendo com um cara que costumava me arrepiar… Antes de continuar, preciso pontuar que se o cara não me arrepia dos pés à cabeça, não adianta, ele não me ganha. Com você também é assim? Então já que ele deixava todos os meus pelinhos em pé, me joguei de cabeça nesse mar de amor e, é claro, me apaixonei (quem nunca?).

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O que eu só percebi depois que já estava afogada nele é que a linda e recíproca paixão que vivíamos, na verdade, só existia na minha cabeça, rs (quem nunca de novo?). Ouvimos tanto Bob Dylan juntos, assistimos Tarantino entrelaçados na cama tantas vezes e dividimos tantas garrafas de cerveja (na minha cabeça) que eu jurava que aquele era “o caso” da minha vida.

Ele me arrepiava de fato na vida real, ok. Mas as melhores partes desse caso aconteciam somente na minha mente apaixonada por paixões arrepiantes. Na realidade não dávamos tão certo (e não demos) simplesmente porque não tínhamos que dar certo. Porque não nos encaixávamos perfeitamente como eu adoraria que fosse possível e porque na vida real éramos pouco um para o outro. Acontece…

Minha pele precisa de um “mais” e de um quê de realidade que ele não podia me dar naquele momento da vida, então foi o fim. Acontece que a saudade bateu, o que já era se esperar… Eu sentia falta do sorriso dele, da companhia dele e do “estar com ele” que não aconteceria mais. Batia na quina a dor da saudade da conveniência de dar “oi” para ele e de em 15 minutos estarmos juntos e imperfeitamente encaixados.

Foi aí que notei que grande parte da saudade que eu sentia era do que eu amaria que nós tivéssemos vivido, mas não vivemos. Dos carinhos que ele não me deu, das músicas que a gente não ouviu, dos filmes que a gente não viu, das cervejas que a gente não tomou, dos segredos que a gente não compartilhou. E eu desafoguei desse mar de amor que não rolou simplesmente porque não tinha que rolar. Não agora. Não na vida real.

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Então se você, por um acaso, estiver aí morrendo de saudade de alguém que te arrepia mas com quem você não se enrosca mais, pare e se pergunte: sinto falta dele ou do que eu gostaria que ele tivesse sido? Se você, como eu, se der conta de que a saudade é de algo que foi muito mais legal na sua cabeça do que na vida real, descubra como focar sua energia e todo o seu amor em algo que te faça bem de verdade verdadeira. Que tal?

_ a @claraabrahim é poetisa e agora escreve aqui no Modices toda semana – clica aqui e vê os posts dela _

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Sobre o autor

27 verões de pura intensidade fervente. Sou dramática (quero demais, penso mais que deveria, exagero em quase tudo, passo batom na boca, tenho gênio de loba e jeitinho de louca), mas sou legal.​

  • Priscila

    Tô aqui chorando pq estou passando por isso… Saudade de uma pessoa que tem um espírito livre e eu romântica, não me encaixo nessa vida dele! Ai como dói!!!! Saudade do que vivemos e do que poderíamos viver… Ainda é muito recente, a dor vai passar, só espero que seja rápido!

  • Daniella Cadranel

    To aqui chorando porque essa pessoa que escreve esses textos além de ser muito querida é uma das pessoas que mais admiro. Vê-la escrevendo e colocando suas questões pessoas em forma de conselho e passando suas vivências. Me orgulha! Clara minha amiga, continue escrevendo, sendo você! Eu leio e te vejo nos textos. Fico mt emocionada e encho o peito pra falar: é minha amiga!

  • Natalia

    ” .. adoro um amor inventado”
    Na nossa cabeça é sempre perfeito né ?
    Triste é quando você sabe que tá nessa situação e não consegue largar ! Rs