Dia desses, circulou nas redes uma foto de Marta com Cristiano Ronaldo que dizia: “O maior nome do futebol, com 5 títulos de melhor do mundo, maior artilheira da história das Copas do Mundo… ao lado de Cristiano Ronaldo”. Sim, Marta é a melhor do mundo e é fo-do-na. E pra chegar até aí, só com muita inversão de expectativas (como na piadinha do meme)!

Marta vem lacrando nas Olimpíadas, mas não só. Aos 30 anos, ela é embaixadora da Boa Vontade da Onu. Em seu trabalho com a organização, seu papel é ajudar a fortalecer o papel da mulher na sociedade, com foco em comunidades carentes, como aquela da qual saiu, e isso ela faz só por ser quem é. Vai dizer que não é empoderador ver uma mulher jogando aquilo tudo em campo?

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Nascida em Dois Riachos, cidadezinha alagoana de pouco mais de 10 mil habitantes, filha de mãe solteira e irmã de cinco, Marta Vieira da Silva passou fome na infância. Como muitos jogadores a despontarem pro mundo, também começou a jogar num campo de várzea e era a única menina do time.

Até tornar-se capitã da seleção brasileira de futebol feminino, ela sofreu foi preconceito para provar seu valor – que era mais do que óbvio, afinal ela vivia driblando os meninos, que não sabiam lidar com a derrota e reclamavam com os professores da escola, no melhor estilo “chora mais” ;)

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“As pessoas na época não viam com bons olhos uma menina jogando bola no meio de um monte de garotos, e a minha família pensava da mesma forma”, disse.

Aos 14 anos, mudou-se para o Rio sem lenço nem documento para jogar nas divisões de base do Vasco da Gama. Em cinco meses, já tinha sido escalada para a seleção. Aos 17, participava de sua primeira Copa do Mundo (mas, ao contrário de Ronaldo, o Fenômeno, em sua estreia no principal torneio de futebol, ela não só entrou em campo, como fez bonito). Cada gif de drible da Marta é uma loucura. Como dá orgulho!

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Hoje, além de ser a capitã da seleção brasileira, Marta joga no Rosengard, da Suécia, que ela brinca não saber nem onde ficava antes de se mudar pra lá. Ela foi cinco vezes (consecutivas!!!) escolhida a melhor jogadora do mundo, um recorde não só entre as mulheres, mas entre os homens também (pra efeitos de comparação, Cristiano Ronaldo tem “só” três Bolas de Ouro…). Isso num país onde a gente cresce ouvindo que futebol não é coisa de mulher.

Ela acumula ainda os títulos de maior artilheira da história da Seleção Brasileira (feminina e masculina) com 101 gols, desbancando até Pelé, além de ser a maior artilheira da história das Copas do Mundo de Futebol feminino. Seus pés estão marcados na calçada da fama do Maracanã, e são os únicos registros de uma jogadora por lá.

Nessa Olimpíada, Marta busca o primeiro ouro olímpico para a seleção brasileira, com quem ganhou com a medalha de prata em em 2004 e 2008 (e a de ouro nos panamericanos de 2003 e 2007), mas a verdade é que ela não precisa mais provar nada pra ninguém. Rainha, né, mores?

Nos estádios a torcida ecoa “a Marta é melhor que o Neymar”. E ela sonha com o dia que as jogadoras serão tão valorizadas quanto os colegas do time masculino, ainda mais aqui, no chamado país do futebol onde o futebol feminino é tão discriminado.

Soccer player Marta of Brazil smiles during press conference before FIFA World Player gala in Zurich

“Na Europa e nos Estados Unidos, onde joguei e ainda jogo, a diferença no tratamento das atletas é muito grande, a começar pela forma de encarar o futebol feminino como uma modalidade profissional. No Brasil, essa modalidade ainda é vista como amadora. Na Europa, muitas atletas vivem do futebol e são seguidas por milhares de fãs mirins e adultos. Os campeonatos nacionais e internacionais já existem há bastante tempo. A Liga Sueca Feminina, por exemplo, existe desde 1988. As brasileiras continuam lutando pela criação de uma liga feminina”.

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Pra começar, bem que a Nike podia começar a vender camisas da seleção feminina, com o nome dela estampado atrás. Que tal?

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Sobre o autor

Colunista de Gastronomia Carioca

Liv Brandão. 29 anos, jornalista, libriana (apesar de não acreditar nessas coisas). Fala basicamente sobre séries, comida, música, moda e beleza. O que já rende um bom papo de bar, né? Atende no blog Deep Fried Chicks , no Instagram e no Facebook.

  • sara

    marta <3 te amo