beleza

Padrão é uma palavrinha exaustivamente usada hoje em dia. É padrão de beleza pra cá, é fora dos padrões pra lá. O problema das palavras quando elas são muito usadas é que seu significado acaba se esvaziando. Falamos tanto, repetimos tanto que acabamos esquecendo o que elas significam de verdade. É por isso que peço para você que leia com muita atenção a definição do início desse texto. Pausadamente, vírgula por vírgula.

Padrão é aquilo que se repete indefinidamente; padrão é aquilo que se repete tanto que acaba sendo comum e não questionado. Padrão é um saco. E o mais importante: “apesar de altamente recomendado, não é necessariamente obrigatório”.

E se não é obrigatório, por que nós, mulheres, acabamos seguindo o “padrão” como se ele fosse uma regra universal, escrita em pedra, que não pode ser mudada e deve ser exaustivamente alcançada? Por que nós nos acostumamos a não questionar o tal “padrão”?

Afinal, chega ser um contransenso que usemos o termo “padrão de beleza”. Enquanto a palavra padrão nos remete a repetição, homogeniedade, a beleza é uma palavra livre:  pode estar em qualquer lugar. Num design, num movimento, numa pessoa, numa paisagem. Onde a beleza emociona, o padrão normatiza. Se a gente parasse pra pensar um pouquinho, não usaríamos essas duas palavras juntas. Elas não combinam entre si; não da maneira que querem nos fazer acreditar que elas combinam.

Quando tentamos nos encaixar num padrão que não nos cabe, seja emagrecendo demais, alisando excessivamente os fios dos nossos cabelos, colocando uma roupa que não combina com o nosso corpo, mas está na moda, nós na verdade estamos escondendo a beleza intrínseca que existe em nós, a beleza genuína da particularidade. Aquilo que nos faz diferentes de todas as outras pessoas do mundo. Hoje eu acredito muito mais em ser o meu próprio corpo, a minha própria pele, do que ser o corpo que eu vi numa capa de revista. Afinal, há uma vantagem sem precedentes na minha barriguinha saliente contra a barriguinha da capa da revista: a minha é de verdade.

Algumas semanas atrás um ícone de beleza se foi, morreu aos 79 anos uma das atrizes mais belas que o mundo já viu. Elizabeth Taylor tinha uma pele impecável, cabelos negros. Mas o mais importante, que deixava o mundo de boca aberta, eram os tais olhos cor de violeta. Aproveitando a comoção mundial com sua morte, um colecionador de arte, mostrou ao mundo a única foto que Liz Taylor fez nua, aos 24 anos. Foto essa que a atriz iria presentear seu futuro marido.

onde sua beleza se esconde

O que intriga na tal foto é que Liz Taylor está de olhos fechados, escondendo a representação máxima da sua beleza. Olhos de um azul impossível, só encontrados na natureza dentro da sua íris. Justo para o homem que ela amava, ela fechou os olhos. Os olhos que todos queriam ter. E mostrou o resto. E o que era esse resto?

Um corpo magro e pequeno, de uma garota que media apenas 1,57m. Sem intervenções estéticas ou suplementos alimentares. Seios comuns. Uma dobrinha na cintura. Um corpo completamente genuíno. Um corpo que só Elizabeth Taylor poderia ter e mais ninguém.

O que faz dessa foto uma das mais intrigantes que eu já vi é a história por trás dela. A coragem de Liz Taylor. Sua postura diante do homem que ama e de aceitação de quem ela é. Ela se entrega a ele, e também a si mesma. É isso que costumam dizer por aí que se chama “atitude”.

É por isso que eu proponho  que a partir de hoje a gente pare de tentar se encaixar em um “padrão de beleza”, e comecemos a pensar em uma “atitude de beleza”. Pois atitude é aquilo que nos revela, e não aquilo que nos esconde.

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