A Women’s March 2017 aconteceu globalmente no dia 21 de janeiro e aqui tem um pouco do que a gente pensa respeito

Sororidade, parceria e força: foi isso que o mundo assistiu nesse dia 21 de janeiro com a Women’s March Global, uma marcha das mulheres (incluindo celebridades) comprometidas com a igualdade, a diversidade e a inclusão, e daqueles que entendem os direitos das mulheres como parte dos direitos humanos. A manifestação, que teve como palco principal Washington DC nos Estados Unidos, se espalhou de forma global em mais de 670 marchas acontecendo simultaneamente em vários países e provando que estamos, sim, brigando por equidade em diversas frentes e culturas.

Não é coincidência que a Women’s March Global tenha acontecido no dia seguinte à posse de Donald Trump como presidente dos EUA. Quando um conhecido misógino assume o cargo mais poderoso do mundo e promete uma posição hiper conservadora, é esperado que haja uma reação. Mas mais do que isso, a marcha global de mulheres veio numa demonstração de resistência, de rejeição da política opressora de gênero, da forma física do “não passarão”.

a marcha e a irmandade entre mulheres

Como já comentamos em outros posts e algumas vezes no nosso grupo no Facebook, a posição feminista pode ser muito cansativa e dolorosa, até mesmo quando ela é extremamente liberal. Não é de se estranhar que muitas mulheres no mundo, que defendem a igualdade e equidade de direitos e oportunidades entre gêneros, não se declarem feministas. Afinal, o feminismo carrega um enorme peso político e toda uma sorte de estereótipos consigo.

Além disso, nós mulheres fomos doutrinadas a enxergar outras mulheres como competição, a tratar as relações femininas como inseguras e a entender que devemos ser acima de tudo rivais. É bem simples: quando somos inimigas não formamos grupos fortes e resistentes. Quando desconfiamos de nós mesmas, isolamos a mulher feminista e a transformamos numa figura solitária e infeliz. Mas, olha, não mais. Chega disso.

A Women’s March Global de 2017 veio provar que somos mais fortes do que nunca e estamos mais unidas globalmente do que jamais estivemos. Sim, diversas mulheres (principalmente privilegiadas e conversadoras) votaram em prol do governo opressor – não só nos EUA – mas a reação e o avanço conservador é de praxe, sempre que os movimentos de grupos oprimidos e marginalizados começam a realmente ameaçar a posição de um certo número de poderosos.

espalhando as ideias além da marcha

E, olha, como costumamos dizer, existem muitas formas de promover as ideias feministas (sem nem precisar fazer declarações polêmicas) e de espalhar o sentimento de igualdade por aí. Você não precisa escrever um cartaz ou brigar nas reuniões de família. Para fazer sua parte, basta compartilhar a informação, evitar dizer que qualquer desconforto de uma mulher é mimimi, dar espaço para outras mulheres se sentirem empoderadas a seu redor e defender o direito de outra mulher ser livre da forma que ela entende. Simples, vai.

Que a atitude e as mensagens dessas mulheres que participaram da Women’s March desse ano sirvam de inspiração eterna para todas nós.

Women’s March Global: feminismo, sororidade, inspiração e polêmica

“Queridas mulheres jovens, eu marcho hoje para que um dia você não precise marchar.”
@oroma.elewa

a inevitável polêmica

Segundo o The New Yorker, a Women’s March tem a autoria creditada a Teresa Shook, uma advogada aposentada do Havaí, que criou uma página no Facebook no dia seguinte à eleição de Trump sugerindo um protesto, e a página viralizou. Nesse mesmo dia, a designer Bob Bland sugeriu também em seu facebook um protesto das mulheres. Ela foi a criadora da camiseta “Nasty Woman” e por isso já tinha milhares de seguidoras politicamente preocupadas. Teresa e Bob juntaram seus eventos e a ideia se espalhou organicamente.

Ainda segundo o The New Yorker, o nome é originalmente reivindicado como de autoria do movimento feminino negro em um protesto na Philadelphia em 1997, e isso causou uma espécie de conflito paralelo a respeito da Women’s March de Washington – que então foi considerado por muitas um movimento feminista branco. Quando dizem que a mulher negra é a mais desvalorizada perante toda a sociedade e até dentro dos movimentos em prol dos direitos das mulheres não é mimimi. É uma doença estrutural que vem de anos, por isso é importante reconhecer que há 10 anos e que elas conseguiram reunir antes da era do facebook mais de 1 milhão de mulheres

Essa foi a principal crítica social ao movimento, junto com considerações sobre a participação masculina na marcha.

Women’s March Global: feminismo, sororidade, inspiração e polêmica

E vocês, o que acham?

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Sobre o autor

Esses posts são feitos em conjunto pela equipe - juntando as ideias loucas de umas e a sensatez de outras - e representam o que a gente acredita, aposta ou quer discutir com o mundo. Porque tudo que é compartilhado é mais incrível.

  • Érica Heringer Machado

    Que FODA ne?
    E gente, é impressao minha ou o Brasil ficou de fora novamente desse tipo de mobilizacao?
    Pergunto por que moro fora, nao tenho FB e isso complica um pouco o acesso a infos. E bem, conhecendo nosso ainda embrionario movimento nas ruas…

  • Natalie Furlan

    Achei a coisa mais maravilhosa
    fiquei até emocionada em ver tantas fotos, tantas mulheres unidas <3

  • mariana

    Amo quando tem esse assunto aqui, gostaria um dia ler um post flando sobre feministas que devemos conhecer (brasileiras)… Bjos!