Meghan Trainor, te acho uma fofa e sua voz é incrível. Adoro sua música All About That Bass, já dancei muito ouvindo e sei a letra decoradinha. Mas aí é que está o problema: eu sei a letra e a mensagem que ela passa, e não me agrada totalmente. Desde que o feminismo entrou na moda certas armadilhas estão sendo colocadas pela indústria cultural e cair nelas é mais fácil do que você pensa. Mas basta um pouco de atenção que a gente consegue driblar essas ciladas. Vem que eu te mostro como!

Primeiro, uma pausa para ouvir mais uma vez All About That Bass, por favor (pode dançar)…

Agora vem cá conversar sobre o que acabamos de ouvir e ver. É uma música super pra cima, dançante, com um clipe fofo, muita gente feliz e cores alegres, enfim, tudo lindo, certo? Mais ou menos. A Meghan passa uma mensagem de aceitação do corpo incrível, muito feminista e super atual, certo? Mais ou menos. Esse é o ponto perigoso: quando produtores e gravadoras começam a vender artistas com essa imagem feminista e girl power, mas que entregam uma versão meio distorcida do discurso.

Ver meninas com pernas mais grossinhas dançando e um gordinho fofo requebrando e fazendo passos que nem eu consigo é incrível sim. Mas ver uma atriz mais magra sendo mostrada como biscate magrela que é uma chata e só quer se mostrar é bem ruim. Afinal, só as gordinhas que são bonitas ou todas as mulheres são lindas ao seu modo? Eu prefiro a segunda opção.

Meghan Trainor - All About That Base

É maravilhoso ouvir frases como “I see the magazines working that Photoshop/We know that shit ain’t real/Come on now, make it stop(“eu vejo revistas usando o photoshop/nós sabemos que aquela merda não é real/vamos lá, faça isso parar”) ou “If you got beauty beauty just raise ‘em up/Cause every inch of you is perfect/From the bottom to the top(“se você tem beleza apenas eleve-a/porque cada centímetro seu é perfeito/lá de baixo até em cima”).

Mas uma frase como “Cause I got that boom boom that all the boys chase(“porque eu tenho aquele boom boom que todos os garotos procuram”) mostra como essa música não é nada, nada sobre aceitação do corpo. Afinal, se amar e aceitar seu corpo é um processo entre você e você mesma – garotos ficam totalmente de fora dessa conversa. Trocar a ditadura da beleza das revistas de moda pelo padrão imposto pelos homens não vai fazer bem a ninguém. Sem falar naquela parte em que a Meghan canta “I’m bringing booty back/Go ahead and tell them skinny bitches hey(“Estou trazendo as bundas de volta/Vá e diga a essas vadias magrelas ‘e aí’”), que mostra uma visão bem complicada de que para uma menina que tem bumbum maior se sentir bonita, tem que fazer uma que é magra se sentir feia – totalmente o contrário da sororidade, uma das principais bandeiras do feminismo.

Meghan Trainor - All About That Base

Aliás, a própria Meghan Trainor disse numa entrevista que não é feminista, e isso me lembra um caso muito parecido, o da Taylor Swift. Trainor está lançando seu primeiro álbum, Title, cheio de músicas sobre amor e garotos que mais parecem príncipes encantados, ela sabe criar hits incríveis e escreve as próprias músicas – o que lhe dá um poder de mandar mensagens bem importantes para muitas meninas por aí. Agora só nos resta esperar e torcer muito para que ela conheça pessoas incríveis nessa jornada e passe mensagens mais interessantes para as adolescentes.

E como não cair nas armadilhas dos discursos de contra-cultura industrializados? Observando atentamente as mensagens que os artistas passam, por melhor que seja seu trabalho!

Enquanto isso vamos continuar ouvindo as músicas dançantes de Meghan Trainor e fazendo o que muitas feministas fazem há anos: tentar absorver só o melhor da batida ;)

||||| 29 amei! |||||

Sobre o autor

Uma cearense que veio de metida pro Rio de Janeiro, uma jornalista que entrou de metida na moda e uma leitora que, de tão metida em tudo, virou #modicesgirl.

  • http://blogdapx.com/ Blog da PX

    Muito bom! Parabéns!

  • Letícia

    Por isso, o discurso da Emma Watson na ONU foi tão importante! Como uma jovem mulher ícone do cinema, ela foi capaz de levar um verdadeiro e importante discurso feministas a muitas jovens mulheres como ela, muitas que, até então, sequer soubessem o que é feminismo…

  • Tatiana Forneck

    Mely, também fiz um post no meu blog nesse estilo, sobre a música. Adoraria que tu lesse. :)
    http://www.coffeewithtati.com/2014/10/all-about-that-bass-e-sua-mensagem.html

    Fiquei muito feliz de ler esse tipo de mensagem aqui no Modices, um blog que eu adoro. <3 Beijos!

    • http://modices.com.br Melyssi Peres

      Adorei seu texto, Tati!
      Arrasou, vamos espalhar a mensagem de amor ao corpo por aí <3
      Ah e adorei seu blog, muito fofo!
      Beijão

  • http://maylarosa.blogspot.com.br/ Mayla Rosa

    Adoro essas reflexões! Acho que temos que nos manter críticas acerca de tudo! Antes do feminismo, eu me sentia desconfortável com algumas coisas e não sabia explicar o porquê, assim como com músicas. Mesmo as que são feitas com intuito de enganar.

    De que adianta criar uma música que promove a aceitação dos nossos corpos, se ela também reprime outro tipo de corpo? Digo, eu sou magra e não acho que isso seja uma qualidade que me eleva em relação a outras pessoas. Por mais músicas que promovam a aceitação de TODOS OS CORPOS, independente de suas formas. Mais sororidade, por favor.

    http://maylarosa.blogspot.com.br/

    • http://modices.com.br Melyssi Peres

      Disse tudo, Mayla!

  • http://www.eulieagora.com Mareska Cruz

    Amei, amei, amei o texto, porque é MUITO fácil cair nessa de se empoderar às custas da autoestima da outra sem perceber o quanto isso pode ser nocivo. Muito fácil MESMO.

    • http://modices.com.br Melyssi Peres

      Exatamente, Mareska!
      Temos que prestar muita atenção pra não cair nessas armadilhas
      Beijos!

  • Carolina

    Acho que finalmente alguém no mundo teve coragem de fazer música que eleve a auto-estima dos gordinhos, normalmente os clipes e músicas falam de mulheres com corpões e raramente você vê uuma gorda, e quando vê é que ela foi humilhada mais depois emagreceu e ficou diva. Acho que nessa música ela não quis diminuir ou desmerecer corpo de ninguém, para mim ela diz que é preciso aceitar seu corpo do jeito que é, e não ter um padrão de beleza que é magra e “siliconada”. Também mostra que prefere ser gorda do que ter uma doença tipo as meninas magras acham que estão gordas (bulimia). E ela expressou uma opinião dela na música, coisa que pouca gente tem coragem de fazer por conta da mídia. Enfim seu blog é lindo <3 http://www.glamourdajulieta.blogspot.com.br

    • http://modices.com.br Melyssi Peres

      Oi Carol! Sim, é super legal ela dar voz pras gordinhas, mas o ruim é que ela que colocou a magra como sendo “errada” no clipe, o que não curtimos. Sendo gordinha ou magra, o importante é ter qualquer corpo aceito, né.
      Beijos

  • Nágela

    Bom, todas as pessoas tem o seu estilo de corpo. O que tá acontecendo hoje é que as pessoas acham que só gordinhas sofrem com o bullyng, mas não é! Sou magra porque esse é o meu tipo de corpo, não faço regime e nem qualquer outra coisa para ter um corpo magro, e sofro preconceitos. Não adianta você falar que um corpo é bonito e que o outro não é, precisamos aceitar as pessoas como elas são! Sem essa de “magras são lindas, gordas são feias”, “mulher magra é muito feia, as gordinhas são as melhores!”. Chega! Cada um é cada um, precisamos mesmo é parar com toda essa alienação por parte da mídia.

    • http://modices.com.br Melyssi Peres

      Arrasou, Nágela!
      É exatamente isso, gata <3

      Bjos

    • anna

      Exato. Magra tb escuta poucas e boas. Se vc n tiver uma inteligencia emocional vc pira. E o engraçado que gente que nunca vi na vida, vem com o mesmo papo:Nossa, com vc ‘e magra!!!!

    • O/

      Exatamente :)

  • Vanessa

    Não vejo a ”magrela” como a errada, mas sim, fazem uma comparação de que as ”gordinhas” são lindas tanto quanto as magras, por isso vem a frase , que se repete duas vezes ”os garotos só querem nos apertar a noite, e, eles podem fazer isso com pessoas magras, ou gordas, a verdadeira mensagem da música é ”sinta-se bem, não importa sua aparência !

  • Luciana

    Post de gente magra. Ponto.

  • Janaina

    Acho uma besteira esse discurso politicamente correto. Ela não está chamando ninguém especificamente de vadia e acredito que liberdade de expressão deve se sobrepor à qualquer patrulhamento ideológico. Ademais, a máquina de lavar roupas fez muito mais pelas mulheres do que o feminismo.

    • O/

      xingar gordos não pode,mas magros pode??Você não leu?

  • anna

    gg

  • anna

    ADOREI!!!! Explico: Sempre fui MAGÉRRIMA. Estilo oriental mesmo (pequena, sem curvas:)
    E isso quase VIROU UM INFERNO se eu n fosse inteligente……….. Cresci ouvindo coisas GROTESCAS E EXTREMAMENTE MAL EDUCADAS como: vc n come?? onde vc compra roupa?? que homem n gosta de magra e ……… Mas o pior q ouvi de uma ”amiga’ a indagação: Como que eu teria filhos sendo magra??!! E isso que as MAGRAS escutam o tempo todo , e PIOR , de MULHERES.
    Pq as MULHERES são muito CRUÉIS com as outras. E quando o mundo prega SER MAGRA, éa MAGRA GOSTOSONA, com bunda, peito e cintura fina. Se vc éMAGRA, MAGÉRRIMA, OBESA, GORDINHA, GORDA ou qqer coisa q fuja do MAGRA GOSTOSA vc tb vai sofrer com frases indelicadas. E arrisco dizer se vc émagrinha vc sofre MAIS que as gordinhas….. E no final qdo me falam? Nossa, como vc e magra!! Eu , rebato:Antes magra do que gorda. Paciência, preciso me defender…..

    • Eduardo Lacerda

      Sua rebatida acabou com sua tese! Apenas responda com um obrigado sarcástico, que a pessoa vai entender o recado!

  • Allonsa

    A música tem um ritmo bom, mas a letra “xingando” as magrinhas não é lá boa coisa. É importante aceitar o seu próprio corpo, mas também colocar as magras como se fossem pessoas nojentas não é boa coisa, afinal, a aparência não diz nada sobre a personalidade. Prevejo a Meghan ganhando ainda mais dinheiro falando sobre como as gordinhas são maravilhosas (e são, afinal, toda mulher é) e as magrinhas são mulheres mimadas e nojentas.

  • Lívia Maria

    lembrando que é Estados Unidos e a ditadura da magreza lá é muito muito forçada nas pessoas,e eu mesma já conheci o tipo de magra que a Meg fala na musica, garotas que se matam pra entrar num 32 e zoam (as vezes bullyng serio causando até suicidio) as gordinhas que as vezes são até magras aqui no Brasil,eu creio q na musica seja um insulto pra esse tipo de gente,ah é antes que alguém diga que eu não o que uma magra sofre saiba que meu imc e 16