Viajar sozinha ou não? Ser mulher faz com que a gente questione os limites da nossa liberdade e o que fazer com ela. Vem ver as dicas do nosso squad para você que quer ganhar o mundo sozinha – sem precisar de ninguém te acompanhando.

Certos momentos são muito mais agradáveis quando estamos com as companhias certas, mas ‘cê já parou pra pensar que essa companhia pode ser você mesma? A gente entende os medos que batem lá dentro, principalmente se você é mulher e escolhe fazer algo sozinha. Dá um friozinho na barriga porque não é fácil se sentir segura em certas situações, considerando a sociedade em que vivemos. Só que a nossa vontade de expandir tem que ser maior que qualquer medo e estar só, em qualquer momento, torna-se um ato de resistência, provando que existimos e estamos criando os nossos espaços sem precisar de ninguém além de nós mesmas.

“É libertador, um exercício de autoconhecimento também. Você faz os seus horários e os seus programas, o que der na telha, se junta a grupos ou não se você quiser, e se expõe a diversas situações que não viveria se estivesse na “comodidade” de uma companhia. Fiz grandes e verdadeiros amigos viajando sozinha.” (Juliana Chambarelli)

viajando sozinha

A Carla te conta aqui como foi a primeira experiência dela viajando sozinha, ó:

Eu sou muito independente. Quando comecei a viajar pra fora do país foi sempre a trabalho e em grupos grandes e que nem sempre (na real nunca) eu conseguia fazer os meus rolês, ir nos lugares que eu queria conhecer e tinha a ver comigo. Então, depois das 2 primeiras viagens nesse esquema correria eu decidi que toda viagem de trabalho eu ia reservar pelo menos 2 dias pra mim, pr’eu conhecer meus museus, meus bairros alternativos, minhas lojinhas indie. E a primeira vez que fiz isso foi justamente a minha primeira vez em NYC: e foi muito mágico, maneiro, maravilhoso.

Cheguei na cidade, larguei minhas coisas no hotel e fui passear.  Eu queria conhecer aquele lugar que eu já conhecia tanto de filmes e séries… Estava hospedada do ladinho da Times Square o que foi ótimo pra essa primeira vez, porque mesmo que você se perca, todos os caminhos levam pra lá – e isso é muito importante quando cê viaja sozinha: ficar hospedada num lugar de fácil acesso. E dali fui explorando a cidade, fotografando tudo que via pela frente as placas, as luzes, os prédios…

Era tudo tão ~familiar, que no fim das contas, a cidade já era minha companheira. Da Broadway com a 42, fui subindo a ilha até o Central Park. E era primavera, as árvores todas verdinhas, um sol lindo e um clima super agradável. Sentei num banquinho e comecei a observar o mundo acontecer (herança do subúrbio de quando as mães colocavam as cadeiras de praia na rua pra ver as modas). Nisso chega um senhor com um cachorrinho. Eu que não tenho maturidade pra cachorro já comecei a brincar e quase rolar na grama com o bichinho e comecei a trocar ideia com o cara.

Ele era roteirista e começou a me contar do trabalho dele, onde ele morava e no fim do papo, acabei descobrindo que ele era primo do Bern Stein, o fotógrafo que fez os últimos registros da Marylin Monroe e que eu tinha acabado de ver a exposição no MAM aqui do Rio (!). Ele ficou super empolgado que eram as minhas primeiras horas na cidade, me encheu de dicas maravilhosas e ainda me deu seu cartão e endereço caso eu tivesse alguma emergência. E fez questão de fazer uma foto* minha na escultura de Alice no País das Maravilhas que tem lá no Central Park.

Dois dias depois chegaram as minhas amigas (que saudade minhas ursinhas Lia, Lu e Thereza!) e a viagem ficou ainda mais maravilhosa, sim. Mas aqueles primeiros dias sozinha na cidade, foram tão bons pra mim… Pra me conhecer, entender minhas vontades e principalmente entender o que eu gosto em viagem.” *E acabei perdendo todas as fotos daquele primeiro dia sozinha (inclusive a foto amor que o senhorzinho fez) mas o que importa é o que fica no coração, não é mesmo?

Lá no nosso grupinho do amor, a Fabíolla Dunga pediu dicas para viajar sozinha e como já falamos antes, as nossas meninas são incríveis e estão dando várias dicas tão maneiras que a gente resolveu trazer pra cá. Se você ‘tá nessa mesma vontade de se jogar no mundo, cata essas dicas aqui:

– A Nayara Araújo indicou um grupinho chamado “Couchsurfing das Minas” que é um grupo que disponibiliza hospedagens, dicas e companhias pra rolês turísticos em viagens pelo Brasil (e afora). Tem também o Traveletts, que tem minas do mundo todo que viajam sozinhas e dividem suas experiências, e foi indicado pela Carolina Sanches.

– Antes de viajar, é importante se planejar. Sempre ver como você vai e como vai voltar. Conhecer o caminho, seja por guias, videos e até google maps e waze. Se informar também sobre a movimentação lugar e se seus transporte públicos são seguros. Essa foi a dica da Manu Barbara. Assim como a Manu, a Andrea Gervasio também aposta na organização. Se você se organizar diretinho, não passa nenhum perrengue. Faça uso do maps pra marcar os lugares e rotas que quer fazer, isso ajuda bastante! Pesquise sobre o que fazer na cidade e tente ficar hospedada em algum lugar com acesso fácil ao transporte público.

“Você desenvolve um senso de responsabilidade e individualidade maravilhoso, se desafia a todo momento e vive a independência em toda a sua plenitude.” (Babu Carreira)

– A Gabriela Cargnelutti indicou o livro “Mas você vai sozinha?” da Gaia Passarelli que foi feito no formato de crônicas e cheio de ilustrações fofas e relatos reais que vão te dar vontade de fazer as malas. E ainda na vibe de textos, tem o “Por que viajar sozinha é tão libertador?”, indicado pela Camila Araújo.

viajar sozinha

Ilustração por Anália Moraes, do livro “Mas Você Vai Sozinha?” de Gaia Passarelli.

– Se você tá com receio, por que não começar com viagens menores como a Maria Farias? Ela disse que normalmente faz viagens pra praia, vilarejos no interior da Bahia, cidades pequenas porque se sente mais confortável. Dá pra conhecer muita gente e não se sentir tão “grão de areia no olho do furacão”.

– A Juliana Chambarelli contou que depois de ~crescida, sempre viajou sozinha e deu dicas de ouro pra gente: hospede-se em hostels ou locais compartilhados em que poderá ter contato com outras pessoas que estão na mesma vibe que você. Ficar em um hotel, por exemplo, não te possibilitará muita interação com outros grupos e pode ser menos divertido. Permita-se conversar com desconhecidos e aproveite para ouvir as histórias das pessoas – você as levará sempre contigo! Sempre comunique a alguém que ficou (amigo ou família) seus passos, telefone, endereço e etc. por segurança, não custa nada. Tenha um livro e muita música para os momentos mais introspectivos.

Às vezes, viajar pode não ser uma tarefa fácil pelo apego que temos com as pessoas que estão ao nosso redor. Seja, namorado/a, familiares ou amigos. Muitas vezes eles nem notam, mas certas palavras que seriam para demonstrar um carinho, acabam nos desestimulando e fazendo com que muitas vezes deixemos nossos sonhos de lado, apenas para ficarmos mais perto. Só que mana, pensa bem… você certamente batalhou para ter o dinheiro da viagem, se planejou e tem isso como um objetivo.

Quem te ama, vai sempre te apoiar, por mais que isso signifique um tempinho de saudade. Toda viagem é um oportunidade de crescimento pessoal e muitas vezes profissional. Esteja perto de quem queira realizar os seus sonhos tanto quanto você e jamais se sinta culpada por querer voar sozinha. Você é e sempre será a sua companhia. Não deixe que o medo dos outros interfira naquilo que tanto vai te fazer bem.  De 10/10 das meninas confirmaram que é uma experiência incrível de autoconhecimento e toda experiência que nos deixe ainda mais próxima de nós mesmas, é válida.

Estar em contato com outras culturas e pessoas diferentes da sua ~bolha também é importante para o seu crescimento social e cultural, ou seja, você só tem a ganhar.

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Sobre o autor

Esses posts são feitos em conjunto pela equipe - juntando as ideias loucas de umas e a sensatez de outras - e representam o que a gente acredita, aposta ou quer discutir com o mundo. Porque tudo que é compartilhado é mais incrível.

  • Tatiana Franceschini

    a primeira vez que eu saí do país foi sozinha (p’ra BUE) <3
    desde então, prefiro viajar assim do que acompanhada. é terapêutico, divertido e você se abre muito mais p'ra conhecer outras pessoas.
    as precauções que sempre tomei são as mesmas que tenho na minha cidade, Curitiba: pesquisar previamente os lugares aos quais pretendo ir (especialmente à noite), evitar ruas vazias, observar se há outras mulheres por perto, manter alguém informado sobre onde estou e prestar atenção ao que diz a intuição.