carnaval

Tenho uma teoria de que o Carnaval do Rio é composto de três realidades que ocorrem simultaneamente. A primeira “camada” é a do sambódromo, com patrocínios milionários, grandes investimentos da prefeitura e ampla cobertura da imprensa – é a mais conhecida mundialmente, carro-chefe das propagandas de turismo na cidade.

A segunda é o Carnaval de rua oficial, com blocos autorizados pela prefeitura. Aí entram blocos tradicionais como a Banda de Ipanema, Cordão do Bola Preta e recentes como a Orquestra Voadora e Sargento Pimenta. A autorização da prefeitura, contudo, significa necessidade de profissionalização – divulgação, infraestrutura de som e segurança ficam a cargo dos blocos e, em ano de crise (sempre ela) não teve patrocínio de cervejaria suficiente para arcar com os custos, e mesmo blocos populares como o Monobloco ameaçaram não desfilar.

@diga_xs no #modicesinspira

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A terceira camada – e de longe a mais fascinante – é o Carnaval de rua não-oficial. Parte oposição à mercantilização do carnaval, parte falta de interesse na necessidade de profissionalizar a folia, pululam ano a ano novos blocos marcados pela vontade de celebrar anarquicamente o carnaval – livres das amarras comerciais que a prefeitura tenta impor.

Seria impossível listar aqui todos os blocos “clandestinos” que vão desfilar no Carnaval deste ano – horário e ponto de concentração são divulgados no boca-a-boca, muitas vezes na véspera ou mesmo poucas horas antes. Mas vale a pena ficar ligada: de que outra maneira você entraria no saguão do Santos Dumont com um bloco?

Aqui vão umas dicas para encontrar esses blocos secretos:

#modicesdecarnaval

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 ✧ Informe-se com músicos e foliões de outros blocos: ter um amigo folião de longa data é uma ótima maneira de se informar. Ele sempre conhecerá o primo de um amigo que mora junto com o cara do bloco tal – e se não conhecer, certamente terá um outro amigo folião que conhece. Melhor ainda é tentar se informar com os músicos – viu alguém carregando um trombone ou trompete? Troca uma ideia e pega o contato.

 ✧ Não vá desacompanhada: há muita informação desencontrada quanto ao horário de saída dos blocos – pensa no atraso rotineiro do carioca e soma cerveja e noites mal dormidas à equação. Não é raro que um bloco esteja com a concentração marcada para 13h e a música só comece a rolar lá pelas 17h. Estar com alguém conhecido é bom para evitar furadas e, em caso de desistência, pensar em um plano B – não é preciso de muita sorte para acabar esbarrando em outro bloco pelas ruas do centro do Rio.

 ✧ Foco no Centro: É no centro (e Santa Teresa) que estão os melhores blocos.

 ✧ Planeje-se: ouviu falar de um novo bloco? É bom se planejar sobre como se deslocar para chegar no bloco nem muito cedo, nem tarde demais. Tente saber a que blocos suas amigas vão estar, para ter um termômetro de que bloco está valendo a pena ir. E ao contrário dos blocos oficiais, esses blocos não costumam ter uma hora certa para acabar.

 ✧ Esteja preparada para mudar de plano no último segundo: não é raro você acabar caindo em uma furada – seja porque a música não é o seu estilo, seja porque um bloco foi demasiadamente hypado mas o repertório não foi bem ensaiado, ou está vazio/lotado demais. Se não estiver agradando, partiu próximo bloco. O carnaval é curto demais para perder tempo com perrengue.

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Post do nosso colaborador especial para Blocos de Carnaval, Bruno CorreiaBruno prefere blocos fora da programação oficial, e aprendeu trombone para tocar no Carnaval. Mora desde o ano passado em Berlim, e de alguma maneira consegue estar por dentro do que está rolando na cidade. É escritor, tradutor e roteirista.

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@jenniferalbuquerque no #modicesinspira

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Ama bloco e suas amigas tão desanimadas esse ano? Ama bloco e quer uma companhia maravilhosa? Lá no grupo do Modices no Facebook (clica e faz parte) tá rolando a organização de um Bonde do Modices para ir pular carnaval com as migas. Vem com a gente!

||||| 1 amei! |||||

Sobre o autor

Esses posts são feitos em conjunto pela equipe - juntando as ideias loucas de umas e a sensatez de outras - e representam o que a gente acredita, aposta ou quer discutir com o mundo. Porque tudo que é compartilhado é mais incrível.