Tudo sobre semanas de moda
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Logo depois de escrever o post sobre Clara Bow, resolvi tirar o atraso das semanas de moda internacionais e me deparei com a década de Clara influenciando diversas coleções de verão 2012 (deles, nosso 2013) em NY e Milão com saias e vestidos de cintura baixa, caimento lânguido e comprimento comportado.
Durante a pesquisa de Clara Bow vi várias vezes a palavra “flapper” que se repetia nas descrições dos desfiles. Flapper é como eram chamadas as meninas novinhas (adolescência e pós) que usavam saias menores (estas na altura dos joelhos), tinham cabelos mais curtos (estilo Chanel ou Bob), ouviam jazz , e gostavam de contestar as regras sociais — as melindrosas eram mais velhas e já fumavam, bebiam, dirigiam e eram a favor do sexo casual (!). E flapper ainda designa este “estilo” que incluiam vestidos, sem mangas e com balançantes detalhes na barra (como os da Gucci e Etro) os ideias para se dançar o American Jazz.
Além do Flapper e seu jazz, os ritmos latinos — mambo e flamenco — foram inspiração das coleções das italianas Dolce & Gabbana e Missoni que criaram roupas com cara de verão (tropical) em peças com mais volumes, cores e exuberância, como exigem as danças (e amo que as estampas de Dolce & Gabbana são legumes!).
Temporada de danças e sereias.
Este é o último dia de SPFW e, mesmo faltando poucas horas para dar adeus à Bienal, já sinto que vi tudo que poderia ter visto nesta temporada. Uma temporada sem-graça. Confusa e, sinceramente, entediante. A moda mudou. Mas, infelizmente, boa parte dos estilistas parecem insistir em pautar suas coleções na mesma fórmula de anos atrás: completamente inspirada nas coleções de grandes maisons. Salvo uma adaptação aqui e ali, o que vemos nas passarelas é um moodboard, uma colagem de tudo que estes estilistas viram de interessante no style.com . A criatividade foi tendência em baixa nesta temporada de moda brasileira.
O consumidor hoje tem um acesso muito fácil à informação de moda. Não dá mais para estilistas e clientes beberem da mesma fonte. A gente quer mais. De que vale um desfile, numa estrutura que vale milhões de reais, se ele vai só reproduzir a informação de moda que encontramos em sites e blogs meses antes? Como pode valer tanto peças sem nenhum esforço artístico?
O que acontece nas passarelas não é muito diferente do que é visto em lojas de socialites paulistas com suas versões “inspired” de itens de luxo (e que inclusive não tem preços nada acessíveis). A diferença é que ali, sob os holofotes das principais semanas de moda brasileiras, aquela que deveria “criticar” e incitar a evolução dos criadores nacionais, apontando de forma construtiva suas falhas, prefere esquecer as referências, fingir que não acompanhou nenhuma outra semana de moda no mundo, e ver todos aqueles looks desfilados como uma grande novidade. A imprensa brasileira de moda se esquiva da sua responsabilidade.
E não é que se nada mudar, se nossos estilistas não pararem de se “inspirar” em marcas internacionais, as pessoas deixarão de consumir e a indústria da moda vá quebrar. Mas, por quanto tempo ainda valerá a pena fazer o esforço de se “ilhar” durante quase um mês do ano, para “exaltar” a mesmice da moda brasileira?
Para o estilista André Lima, ser desafiado é o que faz seu trabalho valer a pena. Para ele, não existe sucesso sem estudos, André, que é twiteiro viciado assumido, conta que o “São Google” é sua maior fonte de pesquisa e “onde eu recorro quando tenho alguma dúvida”, confidenciou o adepto à tecnologias.
Abusando dos “tecidos leves como cetim e cetim gazar”, o estilista rompe as dificuldades de trabalhar com anáguas e barbatanas, pois “esses tecidos não respeitam o caminho, eles tem vontade própria, e é muito difícil controlá-los e fazer tudo parecer natural e leve”, mas após pesquisas, André não só conseguiu alcançar seu objetivo, como os apresentou, em “21 vestidos longos, curtos e dúbios” encerrando o último dia de desfiles.
Uma das características do seu trabalho são as formas mais próximas ao corpo. André contou que fica feliz quando consegue valorizar ainda mais as formas femininas e deixar sua cliente com sorriso no rosto. Outro ponto importante para ele é o uso de estampas em suas criações, e segundo ele, “as estampas nunca seguem um tema específico, elas nascem de coisas que eu acho bonitas, do que eu usaria, aí as insiro na mesma peça e às vezes isso não faz sentido”.
A dupla Mauro Freire e Robert Estevão, foram os responsáveis por deixar as modelos a altura das criações do estilista. Mauro preparou dois penteados diferentes para este desfile, “um era uma banana, já o outro eram duas bananas, com uma pegada meio década de 1960, um cabelo para noite, para uma mulher glamourosa”. Para deixar os fios da maneira que queria, Mauro usou enchimento nas madeixas e finalizou com spray seco. A frente ficou com um penteado com ares da década de 1920, mas sem os exageros da época, “para não ficar over”, contou.
Já Robert preparou algo para “mulheres excentricas, que adoram maquiagem e entendem este universo”, os olhos ganharam traços curvos feitos com pincel delineador e pigmento MAC (verde para alguma e cobre para outras), além do batom Lustre Freckltone, também da MAC.
Com resultados tão satisfatórios, André e todas as suas clientes querem desafios assim sempre.