A tropicalidade de Caetano Veloso
Rio de Janeiro,Diz o ditado que baiano não nasce, estreia — e em se tratando do leonino em questão, a máxima é verdadeiríssima. Porque ele é excêntrico, cheio de opiniões, cabeludo, extremamente criativo e apaixonado: pela música e pelas pessoas, pelo novo e pelo Brasil. Caetano Veloso é solar e foto triste dele só no seu período exilado na cinzenta Londres. Inclusive, nesta época, um produtor levou ele para um show do David Bowie na esperança que eles se entendessem e gravassem juntos. Caê não gostou muito do som do inglês e a parceria foi engavetada.
Caetano é fascinante. Toda esta personalidade era representada em figurinos com altas doses de ousadia: gola rolê, blazer (de tweed?) e lencinho na lapela, na fase bossa nova; cores, mix de estampas, bananas, guias, colares e a valorização da cultura brasileira com a Tropicália — que tinha nele um de seus representantes mais importantes; para suportar o frio europeu (imagino o sofrimento do baiano) Caê abusava das peles e lãs (será que era para trazer além de calor um pouco do conforto de casa?) e quando voltou as roupas tinham diminuído de tamanho e ele tornou a sua brasilidade ainda mais aflorada, usando tanguinha (sungas ainda menores que dos meninos dos saltos ornamentais) e mostrando mais seu corpo (como na capa de Araçá Azul e Jóia que foi censurada pela ditadura), num visual mais andrógino (quem aí nunca confundiu ele com a Gal ou Bethânia em fotos dos anos 70?) até chegar nas regatas neon dos anos 80 (Juba e Lula + Luis Caldas) e a fase dos ternos que se seguiu dos anos 90 em diante.
Caetano já foi tema de uma edição inteirinha da Vogue Brasil em 1988 (pago bem por ela!) e ele tem uma característica fortíssima que é proeminente nas pessoas nascidas entre 22 de Julho e 22 de Agosto, a elegância. É um porte, uma presença, uma suavidade de movimentos (tal e qual o Rei da Selva) que deixa qualquer look mais notável (gostando dele ou não).
Ontem, Caê completou 70 anos e várias comemorações estão sendo feitas, como a reedição do seu álbum “Transa” (ganhei do marido!) produzido durante o exílio e remasterizado nos estúdios Abbey Road (sim, o dos Beatles) e um site completinho com toda a discografia dele para ouvir, baixar ou simplesmente ver o encarte (a biografia também é ótima!).
Aproveitando as homenagens, encerro este post com a versão mais que charmosa do Beirut (aquela bandinha folk-cult-hipster de Elephant Gun, a equivalente gringa de A Velha Infância) tocando “Leãozinho” em português!
Fofos ^^
