Após o boom do Normcore e do retorno da estética Clubber, andou pipocando em minhas timelines, pesquisas e pinterest(aliás, me segue lá!) uma tribo que me deixou em um grau máximo de excitação: o Afropunk. A turma reúne muito bem toda a subversão, transgressão e atitude do tradicional punk, sem deixar de lado a “ternura” e a exuberância étnica, típicas de suas raízes.

Sinceramente, foi uma das melhores coisas que vi em 2014. O Afropunk, que tudo indica nasceu no Brooklyn – Nova York, surgiu a partir da inserção dos negros na punk music, entre outras culturas alternativas. Apesar de ainda ser uma minoria diante do cenário musical, o movimento ganhou bastante força e hoje é comparado a outras vertentes famosas como a Riot Girl, dedicadas ao punk feminista, e ao Queercore subgênero que contempla comunidades gay, bissexual e transgênero.

Para a felicidade dos amantes da tribo, desde 2002 acontece na Big Apple o Afro Punk Music Festival, que é um colírio paras os olhos e para os ouvidos, com um line-up que conta não só com nomes consagrados do estilo musical, mas também com novos e bons nomes da black music em geral. Pelo visto, marcas famosas com Kenzo, a Balmain e a Opening Ceremony já “mordiscaram” um pouquinho do grupo que a cada dia que passa conquista o mundo e já trouxeram algumas referências para as suas coleções:

 

Como todas as tribos, a Afropunk também possui um misto de códigos visuais usado pelos seus entusiastas. Seja nos looks ou na beleza, listei alguns tópicos frequentemente presentes nas produções:

LOOKS

Correntes: São elementos obrigatórios. Ok, pode até ser no pulso ou no pescoço, mas o grande barato é usá-las atreladas aos piercings faciais como no nariz e nos lábios.

 

Creepers/Lita Boots/ Sapatos: Essa mania nós também já conhecemos. Mas diferente das propostas ultraproduzidas e sexy que estamos acostumadas a ver com os sapatos-statement,  a intenção do momento é ser a mais despretensiosa possível, com um “quê” de miscelânea.

 

Listras: Se você pegou bode das listras por causa da febre BeetleJuice, pode esquecê-las em 3, 2, 1… o Afropunk descontrói o visual navy e classy das tiras, dando um atitude inusitada com a mistura de elementos rocker e étnicos.

 

Maxióculos redondo: Sensação! Os óculos que remetem aos 60’s/70’s viram item cool em maiores proporções, quase máscaras. Mais é mais!

 

Back to the roots: Em meio ao xadrez, listras e jeans destroyed, não faltam estampas e padronagens afro, que sempre nos fazem lembrar as raízes do subgênero.

 

BELEZA

Piercing no septo: A perfuração que foi mania durante os anos 90 volta com força total!! Em joias mais femininas e imponentes, elas ganham um toque étnico e surgem opções cada uma mais linda que a outra!

 

Rococós e coquetes: O penteado que muito lembra as heroínas de desenho animado japonês ganha versão afro que conquistou uma leva de adeptas. Bora fazer?

 

Cabelos colorido/descolorido: Clubber e o punk também se esbarram em algumas questões, entre elas, as madeixas coloridas e descoloridas. Hoje em dia é mais do que comum ver por aí moçoilas desfilando com seus quase platinados ou tons que passeiam principalmente pelos rosados, azulados e esverdeados – no caso dos fios mais escuros.

 

ATENÇÃO!!! Não se aventure a fazer essa “estripulia capilar colorida” em casa, principalmente se você já usar química. Procure um profissional para avaliar as possibilidades de usar tintura ou não.

Dreads/ rastafári(box breads) / twists: A mulhereda descobriu as dores e delícias dos cabelos entrelaçados. Ok, pode ser trabalhoso, demorado e um pouquinho custosa a execução e o material, mas o resultado está aí: só lindeza. As afropunks em geral curtem os comprimentos mais looooongos e não abrem mão de um penteado escultural.

 

Makes com motivos étnicos: Ultimamente vi em diversos cliques de street style, dos mais variados festivais ao redor do mundo, makes e pinturas corporais que remetiam aos indianos e tribos africanas. No Afropunk não é diferente, porém, essas intervenções soam mais naturais. É nítido que tem uma história, uma relação com antepassados.

 

Black assimétrico: O black power adotado é desregular, com um aspecto “desabado”.  Ponto para a praticidade!!!

 

Moicanos: Seja com entrelaçados, alisados ou black, eliminar as laterais do cabelo virou um must entre aquelas que curtem um pouquinho mais de ousadia…

 

OUTRAS REFERÊNCIAS

Old school: Basquiat, Grace Jones e Tupac.

 

Nova geração: Azelia Banks (madrinha do “seapunk”), BLXPLTN, FKA Twigs, Kelela e Tamar Kali.

 

Nada melhor do que terminar com o lema do Afropunk: “the other Black experience”…

||||| 21 amei! |||||

Sobre o autor

Luiza Brasil, vinte e tantos anos, niteroense, atualmente é paulista por obrigação e carioca por vocação. Formada em Jornalismo pela PUC-RIO com rápida escala em Moda na London College of Fashion, é a fiel escudeira da papisa da moda Costanza Pascolato e acredita que tudo que reluz e tem "animal print" é ouro. Para ela, o "black" sempre será o "the new black", seja na moda, seja na cultura.

  • http://www.gatohype.com.br Kaique Brasileiro

    Caramba, eu nunca li nada parecido ou que fosse tão completo. Já tinha dado uma pesquisada sobre o assunto, mas nunca tinha me aprofundado tanto. Curti muitoooooo! <3

    • Luiza Brasil

      Obaaaaaaaa!!!! :)))))))))

    • http://modices.com.br/ Carla Lemos

      Também tô extasiada com esse post até agora <3

  • Gabriela

    AMEIIIIIIIIIIII! Muito show ver estilos diferentes, inspirador. Não que vc precisa fazer igual, mas vc ve pessoas com criatividade te ajuda a reviver seu estilo

    • Luiza Brasil

      Concordo!!!! ;)

    • http://modices.com.br/ Carla Lemos

      Exatamente <3 Beijo, Gabs

  • Carmen Manzano

    Nossa amei! Foi um artigo totalmente refrescante e super completo sobre o assunto. Inspiração pura! <3

    • http://modices.com.br/ Carla Lemos

      Oba! <3

    • Luiza Brasil

      Legal ter curtido!!

  • Clara Rodrigues

    Admiro quem tem coragem de seguir um estilo tão diferente!

    • http://modices.com.br/ Carla Lemos

      Eu tb! E já tô super me inspirando =D

  • andi

    gente, parabéns pelo post ♥

    • Luiza Brasil

      Opa!!! Valeu Andi!!! ;)

  • Raquel Cirqueira

    Por isso que eu amo o Modices! Onde mais nessa “blogosfera” brasileira eu leria um post tão rico quanto esse?

    • Luiza Brasil

      Que bom que curtiu Raquel!! :D

  • Lyla de Paula

    Adorei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Não sabia que tinha nome pro meu jeito :p