Fashion Rio, quinto dia: o último
Rio de Janeiro,Neste último dia, as conversas pelo Píer era sobre como esta foi uma temporada fria. Não nas passarelas, onde achei até o saldo positivo — a moda apresentada no Rio pode não ser revolucionária, mas tem muita personalidade — mas nos corredores mesmo. E, talvez, seja melhor mesmo cancelar a temporada de inverno no Rio. Só espero que Paulo Borges e sua Luminosidade (os “donos” do evento) tenham sabedoria o suficiente para manter as marcas que desfilam no Rio, na programação de São Paulo. Reflexões à parte vamos ao que interessa: os desfiles que encerraram o Fashion Rio.

Gosto muito da moda de Giulia Borges. Acho girlie, descolada e com atitude — que se vê tanto nas formas e composições quanto na estampa de dente (!). Ela foi mais uma a apostar num bloco inteiro de peças em branco e preto, iluminados no final por cores neon. Curti o excesso de detalhes das peças, uma aplicação de brilhos ali, uma textura interessante acolá. Inspirada em bonecas antigas ela desenhou uma coleção para meninas modernas.
A Nica Kessler se inspirou na migração dos índios americanos e nem por isso a coleção veio carregada no étnico. As referências estavam ali: detalhes charmosíssimos em miçangas, mocassins que viraram botinhas, estampa nada óbvia de urso e fivelas de águia. Isso tudo pontuava as peças confortáveis e de tecidos quentinhos. Talvez a coleção tenha sido um pouco comercial demais para a passarela, mas isso não a fez menos interessante.
A Andrea Marques faz roupas lindas para mulheres chiques e elegantes. Então, no desfile dela, a gente pode esperar formas clássicas, cores bonitas e tecidos nobres. Só que aí eu sempre fico com aquela impressão de déjà vu que já vi isso numa temporada passada.
Experimentações. Esta é a palavra-chave dos desfile d’OESTUDIO que sempre tem uma performance (doida), que neste caso acabou tirando um pouco a atenção dos modelos. Gosto muito de como o desfile deles é mais design que moda e assim as peças tem formas interessantes, se prendendo menos a valorização das formas e mais as possibilidades dos tecidos. Roupa de gente moderna.
Adorei o desfile da Auslander, que desde o primeiro (e com 1 ou 2 exceções no meio do caminho) vejo forte influência de blogs (gringos) na coleção. Achei incrível como eles transformaram os cobertores parahyba em saias, blazers e ponchos — peças que dá para usar de verdade e espero que agora (fazendo parte do grupo Toulon), eles cumpram a promessa de ter mais produtos nas lojas.



