Fashion Rio, segundo dia: do computador mesmo
Rio de Janeiro,Desde que a Luminosidade de Paulo Borges assumiu o Fashion Rio, a vida da imprensa de moda em Janeiro virou uma maratona. Imagine cobrir 3 eventos —Fashion Rio, Fashion Business e Rio-à-Porter (que para alegria geral não teve desfile desta vez) — simultâneos em diferentes pontos da cidade? Pois é, e nesta quarta resolvi deixar o Fashion Rio de lado para assistir o desfile da Oh,Boy! e visitar os stands do Fashion Business. Mas, analisar é preciso e fui descobrir o que perdi neste segundo dia.
A inspiração da coleção da 2nd Floor, marca jovem da paulistana Ellus, era Robin Hood. Confesso que esperava ver um pouco mais de “literalidade” na coleção. Ok, o styling das meninas tinha até uma certa atitude de justiceira com o chapéu, óculos e quebradinha de quadril… Mas, desenvolvimento do tema da coleção a parte, curti muito ver tanta calça jeans na passarela. Jeans com cara de jeans básico sem muitas firulas. Como ele funciona bem com os mais diversos estilos. O melhor da coleção, junto com a estampa de leão.
A Coven sempre tem um desfile bom. Algumas vezes ele vem incrível como o deste inverno. A inspiração na cultura Maia rendeu uma cartela de cores ótima (como a cor/luz da passarela pode ajudar), assim como as texturas (que você não acredita que é tricô!) cada vez mais ricas. Me surpreende o quanto os estilistas de uma forma geral estão apostando nas formas do anos 90: blusas compridas com saias godê, os conjuntinhos (já estou convencida de experimentar um) e casacos de formas arredondadas. Amei o vestido flapper (aquele anos 20) versão étnica. Desfile muito bem amarradinho, do tema ao cenário, das roupas às cores da maquiagem. Parabéns aos envolvidos.
O desfile do pernambucano (oh terra boa!) Melk Z Da é o mais conceitual a cruzar as passarelas do Rio. Por isso foi o que mais senti falta de ter visto de perto para entender o movimento das peças, as texturas, recortes… Tem gente que faz desfile de foto, tem gente que faz de ao vivo — Melk é do segundo grupo. As fotos normalmente não fazem jus as suas peças. De qualquer forma, gosto muito de como ele desconstruiu a silhueta peplum brincando com a assimetria, assim como os acessórios de pescoço, as golas altas e os maxicolares.
Eu já gostei de muitos desfiles da TNG, mas acho que nunca passei em frente a uma loja que não estivesse escrito liquidação na vitrine. Isso acaba desmotivando na hora de ver o desfile, né? De que adianta tudo isso se a gente não tem muitas notícias das coleções nas lojas. Não sei, acho que eles precisam de um bom consultor de branding para explorar todo o potencial da marca.Pitacos à parte é bem boa esta saia jeans com patchwork de tecido flanelado (tem um q de tapeçaria, né?) e as peças bordadas e rendadas (já que ninguém parece cansar de renda).
E a Coven foi a melhor do dia no Píer Mauá.



