Existem alguns momentos do mundo que provocam movimentos radicais na moda. Hoje estamos caminhando cada vez mais, graçasadeusa, para uma moda empoderada, que foge dos padrões sociais estabelecidos para os gêneros e celebra a personalidade e as vontades de cada indivíduo. Chegará a hora em que ninguém será julgado como vulgar, ou sem valor, ou não-merecedor de algo simplesmente pela forma que se veste e a moda será apenas a expressão daquilo que estamos sentindo – do nosso empoderamento.

Enquanto esse momento não se estabelece, vemos tendências baseadas na “resistência”. Quando falamos sobre o batom azul, por exemplo, dissemos que ele pode ser visto como um símbolo da resistência feminina pois é a mulher deixando claro que ela não busca a validação masculina ou a objetificação - você pode ler mais sobre como o batom é um símbolo feminista aqui. A resistência está em fazer escolhas, sejam elas de moda ou não, que reflitam e manifestem nossa personalidade acima de tudo e principalmente acima do que é esperado do nosso estereótipo.

O mesmo vale para uma nova silhueta que anda surgindo nas fotos de streetstyle. Uma silhueta desconstruída, que brinca com o padrão corporal feminino e desfaz as proporções esperadas, transformando um look em uma declaração de poder sobre si mesma.

É muito interessante ver a moda tomando um rumo que pode ser compreendido além das esferas do consumo. Nesses dias, a querida Carol Delgado falou em seu Facebook (lê aqui na íntegra): “Todo lugar é um espaço pra nossa assinatura. A moda já é uma outra coisa. Ninguém mais precisa comprar roupa, gente. Ninguém. Até porque, quem precisa mesmo de roupa não tem dinheiro pra comprar. Moda precisa ser o que a gente precisa“. Seja para dar lugar e voz a quem merece, seja para expôr nossas lutas, seja para ser uma expressão do que a gente curte, seja para quebrar padrões. A moda precisa ser um recurso para o empoderamento.

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Não é que todas as pessoas que optam pela silhueta desconstruída estejam fazendo uma “declaração de resistência” consciente. Mas a quebra dos padrão mulher-sexy-olhem-minhas-curvas acontece. A silhueta desconstruída se baseia da combinação do longo com o longo, do oversize + oversize, do exagero das formas em busca do conforto, diversão e uma posição em relação à moda. É uma tendência democrática, simples e que não requer que você compre nada novo para “fazer parte”. A cara dos novos tempos, não acha?

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Sobre o autor

editora executiva

29 anos, publicitária, feminista imperfeita. É Editora Executiva do Modices. Escreve sobre moda, bebe uísque e ama gatos. Se divide entre ser totalmente racional e acreditar em unicórnios. @ninaribeiro no Insta.

  • Giovanna Airoldi

    Olha, vou ser polêmica: essa desconstrução de silhueta é o oposto de empoderamento pra mim. Eu só uso saião, camisetão, roupa larga. Adoro e virou meu estilo. Mas também me prendi a esse jeito de me vestir. Comecei a usar roupas mais largas porque estava cansada de sair com as pernas de fora ou com um decote e ser cantada e assediada na rua. Eu me sinto protegida embaixo das minhas roupas largas, e, no fundo, isso me deixa meio triste. Desaprendi a botar qualquer coisa acima dos joelhos ou que marque minha bunda, me sinto exposta e sei que vai vir algum macho desagradável interferir no meu espaço. Sei lá. Nunca usei decote ou roupa justa esperando validação masculina. Mas uso, sim, roupa larga e “silhueta desconstruida” pra me esconder de homem.

  • a isa

    oi, nina, adorei a matéria! mas senti falta de mulheres negras nas fotos…

  • Maria Cláudia Senna

    Acho lindo PODER usar esse tipo de roupa… considero empoderamento sim, porque o que esperam de nós é exatamente o oposto… e desafiar a lógica, o censo comum, as imposições bestas que nos fazem é a melhor sensação de PODER! Eu sou Arquiteta… e na minha área o glamour é o que mais conta, aparências, fachadas… já perceberam? Visual é o mais importante. Pensam assim: “se aquela arquiteta não sabe nem escolher uma roupa decente pra vestir, como pode ter bom gosto pra fazer a minha casa?”. Sério, é bem isso. Adoro ser eu mesma, ser diferente desse padrãozinho… adoro isso! ;)

    http://www.mariaclaudiasenna.com