O cuidado com o meio ambiente na hora de criar roupas já deixou de ser uma tendência para virar exigência do mercado. Sendo assim, as marcas já consolidadas precisam atender esse novo valor, que já é super importante para os consumidores. A gente até espera que as grandes grifes sejam as primeiras a puxar esse trem, mas infelizmente essa não é a maioria. Como nós temos uma certa síndrome de Pollyanna, achamos melhor focar nos bons exemplos. Então, quais marcas já têm as melhores iniciativas ambientais? Vou explicar como reconhecer:

 

No começo desse ano o Greenpeace mandou um formulário com 25 perguntas para algumas das maiores empresas de moda do mundo (tipo Chanel, Dior, Gucci, Louis Vuitton, etc) sobre suas iniciativas ambientais. As perguntas giravam em torno de três ações para o bom relacionamento da moda com a sustentabilidade industrial: Política de compra de couro (se as peles vêm de criações de gado ligadas ao desmatamento de florestas), origem da celulose usada para fazer embalagens de papel (e se também ocasionou a derrubada ilegal de árvores) e qualidade da produção têxtil (para saber, por exemplo, se houve uso de produtos químicos perigosos que possam comprometer os recursos hídricos).

Com essas respostas nas mãos, eles mostraram quais têm mais compromissos com aqueles três aspectos ambientais. E, para a minha surpresa, a empresa que ficou em primeiro lugar no ranking foi a Valentino! Segundo o Greenpeace, a grife respondeu com transparência as perguntas e teve um bom desempenho. E olha que a marca nem fica se valorizando por isso, apenas se preocupa em fazer sua parte. Armani, Dior, Louis Vuitton e Gucci também ficaram bem em relação ao couro e o papel, mas nenhuma se comprometeu com as metas de desintoxicação do processo de fabricação dos seus tecidos (é um estudo longo, complicado e caro, mas vamos combinar que é super necessário! Não quero que minha calça nova seja responsável pela poluição de um rio). A Gucci, aliás, já lançou uma linha de bolsas sustentáveis, com couros de vaca legalmente provenientes da região amazônica (sim, daqui do Brasil!) que não causam devastação ambiental. Cada bolsa vem com um passaporte que descreve a cadeia de produção, desde o nascimento da vaca até o produto finalizado manualmente.



Entre as marcas que não responderam estão Chanel, Dolce & Gabanna, Prada e Hermés. Aqui fica o alerta para a falta de compromisso ou até de atenção de tais empresas com um movimento tão importante quanto o Greenpeace. Em contrapartida, a Hermés acabou de lançar uma submarca chamada petit h (assim, tudo pequeno mesmo), que cria novos produtos reciclando os materiais que sobram das suas fábricas. A loja é comandada por Pascale Mussard, tataraneta de Thierry Hermès e ex-diretora criativa da marca. Ela que não gostava da quantidade de materiais bons que eram jogados fora (e desperdiçados) nas fábricas por detalhes minúsculos – achava até um desrespeito aos artesãos. Então, criou essa marca.

E não vamos esquecer de que além de se preocupar com o que está sendo produzido de novo, também é preciso pensar no que ficou. Assim fez a Maison Martin Margiela, que usou tecidos vintage para criar sua ultima coleção de alta costura. Sim, comprar e reaproveitar roupas antigas também são ações ecologicamente corretas – já que você está dando uso para o que viraria lixo! Entre um vestido de formatura dos anos 50 e o figurino de uma ópera japonesa dos anos 30, os tecidos criaram novos vestidos únicos (um deles demorou 76 horas para ser concluído). O segredo é não poluir, não desmatar, não desperdiçar e reaproveitar!

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Sobre o autor

Uma cearense que veio de metida pro Rio de Janeiro, uma jornalista que entrou de metida na moda e uma leitora que, de tão metida em tudo, virou #modicesgirl.