O primeiro Mulheres Fodonas de 2017 vem a história de Jeanette Epps, a primeira pessoa negra a participar de uma missão na Estação Espacial Internacional, e a importância das mulheres na ciência

Ainda é impressionante que, em 2017, a gente continue falando sobre as conquistas das mulheres na ciência como um passo na quebra de paradigmas. Mas a realidade é que sim, em comparação ao número de homens, ainda somos uma minoria nas áreas tecnológicas e científicas, por diversas razões históricas e culturais (incluindo o machismo institucional desse meio). Só que essa posição nunca nos impediu de nada – muito menos de sermos protagonistas de grandes mudanças globais.

A presença da mulher na ciência está aumentando e acontecendo, e não há como ignorar. No Brasil, por exemplo, já existe o programa “Para Mulheres na Ciência” (desde 2006), uma iniciativa de L’Oréal Brasil em parceria com a UNESCO e com a Academia Brasileira de Ciências. Porque, assim como a gente por aqui, essa galera acredita que mulheres na ciência têm o poder de mudar o mundo. E para que possamos continuar ocupando os nossos espaços de direito em qualquer lugar que tenhamos vontade, é importante que a gente se junte, não só pra premiar, mas para contar e espalhar as histórias dessas mulheres incríveis (e as nossas também).

Assim, a gente ainda inspira uma porção de garota que quer seguir os seus sonhos na ciência e tecnologia, mas não tem exemplos palpáveis de mulheres fodonas.

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Pra gente e pra todo mundo, o ano começou com uma notícia incrível: A NASA está enviando pela primeira vez uma pessoa negra para a Estação Espacial Internacional (ISS) – e ela é uma mulher. Jeanette Epps é física, PhD em engenharia aeroespacial e desde os 9 anos de idade ela já sabia que era isso mesmo que queria para o seu futuro. Nada muito diferente dos desejos muitas meninas de 9 anos por aí, né? A diferença é que Jeanette conseguiu conquistar seu espaço enquanto muitas garotas por aí não têm oportunidade ou ouvem desde bem pequenas que “isso não é para elas” e que “essa não é uma profissão de menina”. Já chega disso, né, gente?

Sabemos muito bem que nós mulheres temos toda a capacidade, a inteligência e competência de alcançar cargos incríveis – mas nada acontece por acaso. Jeanette Epps, por exemplo, se tornou parceira da NASA durante a sua graduação, e publicou artigos e pesquisas que até hoje são referência. Depois de se formar, ela foi trabalhar na Ford Motors como especialista técnica no laboratório de pesquisa científica e lá participou de pesquisas envolvendo sistemas de detecção de colisões automotivas e contramedidas, o que resultou na sua patente americana, e trabalhos sobre o uso de atuadores magnetoestrictivos para reduzir as vibrações que entram em um veículo via suspensão.

Em 2002, Jeanette entrou para a CIA onde passou mais de 7 anos trabalhando como Oficial de Inteligência Técnica e recebeu vários prêmios de desempenho por seu trabalho. Em 2009, ela foi selecionada como um dos 14 membros da vigésima turma de astronautas da NASA. Enquanto aguardava por uma missão (e sendo treinada em robótica, vôo, sobrevivência e até russo), Jeanette foi representante do Painel Conjunto de Operações Genérico que trabalha na eficiência da tripulação na estação espacial, foi astronauta de tripulação de apoio para duas expedições, e liderou a missão CAPCOM.

Pois em 2018, todo esse caminho trilhado culminará no sonho máximo daquela garota de 9 anos: ela iniciará a missão na Estação Espacial Internacional (ISS) como engenheira de voo – sendo a primeira pessoa negra a ir para uma ISS.

Ilustração Danie Drankwalter

Ilustração Danie Drankwalter

Aliás, vocês notaram que a história de Jeanette tem muito a ver com o filme “The Hidden Figures”? Ela inclusive participou de uma mesa de discussões sobre ele. Pra quem não sabe, o filme é uma adaptação do livro “Hidden Figures: The Story of the African-American Women Who Helped Win The Space Race” e estreia por aqui em fevereiro.

O filme conta a história de três mulheres negras que foram o cérebro por trás de uma das maiores operações dos EUA – o lançamento do astronauta John Glenn em órbita e o seu retorno seguro. Junto, o trio ultrapassou todos os limites de gênero e raça e, mesmo tendo sua história escondida e silenciada durante tantos anos, abriu as portas e deu exemplo para que muitas mulheres seguissem esse mesmo caminho.

 

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Jeanette tem em seu currículo muitos prêmios e honras. Sua premiação mais recente foi no ano passado quando recebeu o “Doctorate of Humane Letters” pela faculdade LeMoyne. E é “apenas” mais uma mulher incrível abrindo espaços para as próximas que virão e provando mais uma vez que nós podemos fazer o que quisermos. ♥

Conhece mais mulheres que têm histórias incríveis e merecem ser contadas? Fala pra gente!

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