Nesses dias, algumas revistas femininas teens publicaram um tal de maiô de seis reais milagroso que fica bom em todos os tipos de corpos. A primeira impressão das matérias era maravilhosa. Meninas com todos os tamanhos de manequins estampando dias lindos de sol na praia. Que maravilha! Afinal, viva a diversidade. Não somos manequins. Nosso corpo não é um enfeite. Somos todas lindas, etc!

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Mas, logo em seguida, já bateu um estranhamento. Como em plena segunda metade de 2015, o fato de uma peça custar 6 dólares ainda seja motivo de celebração em vez de suspeita? É muito fácil fazer as contas e ver que os números não batem. Para você pagar esse valor quase simbólico em uma peça, pode ter certeza que alguém está pagando caro, muito caro. Alguém está pagando com saúde, alguém está pagando com vida.

◊ você sabe como são feitas as suas roupas? ◊

Não é novidade nenhuma que as sweatshops, onde essas peças baratíssimas são produzidas em locais como Bangladesh e Camboja, são a senzala do mundo moderno. Lá, os escrav… ops, trabalhadores:

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E adivinha quem compõe mais de 90% do quadro de funcionários? Bingo! Mulheres. Tudo isso para a gente pagar 6 DÓLARES em um maiô e se sentir bem.

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Para ver bem de perto essa realidade, é só dar aquela ligada rapidinha no Netflix e assistir ao documentário The True Cost (que a Carla falou nesse post aqui). Ele mostra que essa cultura de peças baratíssimas trouxe à tona não só a nossa herança escravocrata, mas também um reflexo pesado na indústria têxtil legal e na política dos países explorados.

Existem países que tiveram as suas fábricas de produção de roupa dizimadas porque o volume de doação que chega é muito grande. Ah, mas doação é bom… nem sempre! O consumo exagerado e a moda acelerada, ou melhor fast, faz com que a gente use roupas como se fossem descartáveis, o volume de doação é tão grande que não dá vazão. Resultado: pilhas de lixo que demoram décadas para se degradar e milhares de pessoas desempregadas.

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◊ leia aqui uma nova consciência de consumo para a moda e para vida ◊

Fora isso, para que a indústria exploradora não saia desses países de terceiro mundo, os políticos seguram leis que beneficiam os trabalhadores, praticamente legalizando o estado de escravidão que eles vivem. E tudo isso por quê? Para a gente pagar um preço módico em algo que vamos usar 4 vezes, enjoar, e transformar em lixo.
É preciso sempre ter cuidado, é preciso estar sempre vigilante porque o seu empoderamento em um dia de sol pode estar custando a vida de uma irmã do outro lado do mundo – e existem outras formas de valorizar a nossa auto-estima.

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Aí, fica a pergunta: você sabe de onde vêm as suas roupas?

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Agora, temos aqui na coluna do lado uma categoria especial para os posts sobre consumo consciente →. Não deixe de acompanhar e compartilhar!

||||| 37 amei! |||||

Sobre o autor

Iana Villela é redatora por profissão e lazer. Escreve sobre a vida, sobre moda, sobre o marido, sobre o céu e, se duvidar, até sobre você. Deu mole, ela está escrevendo! :)

  • Cris

    Este tema é muito complicado para ser tratato de forma tão simplista. Se vc for para a China ficara chocada com o número de pessoas trabalhando para grandes marcas que de barato não tem nada. Para falar a sério sobre o tema seria preciso uma grande reportagem com muita investigação. Neste universo nem tudo é como parece ser.

    • Iana Villela Cotta

      Discordo bastante, Cris. Muito antes de se falar em Bangladesh, já se sabia das condições de trabalho na China e a exploração de grandes marcas também não é novidade. Não à toa as etiquetas “made in china” foram as primeiras a serem vilanizadas na Nike, na Zara e etc.

      Documentários, visitas e grandes reportagens sobre o assunto existem aos momentos por aí (basta ver o indicado no post) e é só dar uma olhada na Forbes para ver que o dono da Zara virou o segundo homem mais rico do mundo. Pagando justamente é que não foi.

      A questão que esse texto trás não é a das grandes fábricas. É a NOSSA questão. É a gente preferir fechar o olho, não se questionar sobre a procedência da roupa, não se negar a comprar um maiô de U$6 por pura vaidade – enquanto isso destroi vidas.

      A questão é a gente achar que está celebrando o empoderamento quando na verdade não está questionando as próprias escolhas perante uma indústria que tão sabidamente explora a mão de obra feminina.

      É um exercício de olhar interno – e não externo – e, para isso ou para qualquer forma de conscientização, eu não acho que seja preciso uma grande reportagem. Qualquer passo, na direção certa, é bem-vindo. Um beijo.

  • Rosangela

    É um assunto muito complexo! As roupas de hoje de grife ou nao,nao tem mais a mesma qualidade. E que voce mi diz dos blogs? Que a grande maioria é so pura ostentaçao! Tudo influencia a esse consumo esfrenato! Um abraço e gosto muito do seu blog.

  • Ana Cláudia

    Complicado… Porque até as grandes marcas usufruem desse tipo de trabalho! E ainda cobram caríssimo pela peça, mesmo tendo explorado quem produziu… O mercado da moda ta mais pra escravos da moda, literalmente…

  • Ingrid Abbade

    e eu que nem sei que maiô é esse

  • Laura A A

    Fiquei curiosa, quais países tiveram sua produção de roupas dizimada pelo alto volume de doações? Onde acho mais infos a respeito? Obrigada,

    • http://modices.com.br/ Carla Lemos

      no True Cost eles mostram como isso acontece num país aqui da América Central. as industrias locais quebraram, uma tristeza sem fim :( principalmente pela perda da cultura de moda local. Aqui acontece um pouco disso com as rendeiras do Nordeste… Se a gente nao comecar a fazer algo pra preservar as rendas do Nordeste elas vao se perder…