É inegável que a crise econômica vem mudando a nossa percepção de valor e os nossos hábitos de consumo. Não há como fugir da reorganização que uma crise como essa causa nos mercados a nossa volta. Assim como não há como fugir das consequências dos movimentos de ressignificação dos meios sustentáveis e do estabelecimento de economias colaborativas. Não é difícil de ver o tipo de mudança que isso tudo provoca na forma como compramos e na forma como os bens de consumo nos são oferecidos (e vendidos). Os novos conceitos estão aí e as marcas devem escolher se adaptar a eles ou morrer por causa deles.

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◊ uma nova consciência de consumo para moda e para a vida ◊

as marcas brasileiras e o famoso “mais do mesmo”«

Existe uma máxima que rege quase todos os mercados e todos os tipos de crise econômica: se você não for criativo, você morre. É durante uma crise que o consumidor para e analisa como o seu dinheiro deve ser gasto de forma mais responsável – e como ele pode gastar menos, sendo igualmente feliz e realizado. O próprio consumidor deve ser criativo para fazer isso acontecer, imagina então como devem agir as marcas.

É bem simples. Você tem um produto e ele tem um valor percebido pelo cliente. Se o preço cobrado é mais alto que o valor percebido, a compra do seu produto configura um mau negócio. O consumidor não quer saber se a crise chegou para você também, dono de marca de moda, ele está repensando como utilizar melhor o dinheiro que sobra no mês e não quer arriscar fazer maus negócios. Eu não vou pagar R$300 pelo mesmo vestido que eu comprei no ano passado por R$180 (fato verídico relatado por nossa editora) e eu realmente não me importo se esse preço é porque conta de luz da loja aumentou – a minha também aumentou.

O que as marcas de moda brasileiras parecem não ter percebido ainda é que o seu consumidor mudou, mudou muito. Não só porque ele lê blogs e compra online – o que aumenta a concorrência para a sua marca de forma inimaginável. Mudou porque ele precisa ser convencido, o tempo inteiro, de que a sua marca e os seus produtos vão agregar algum tipo de valor para ele. Não adianta colocar na vitrine o que a menina da novela usa, não adianta fazer campanha com modelo famosa, não adianta gastar milhares de reais num catálogo de papel, não adianta repetir o que você vem fazendo há anos porque não vai mais dar certo. Você não está mais nos anos 90, Dorothy.

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O mundo mudou, esvaziando os shoppings e enchendo as feiras. As pessoas já entenderam que quando elas pagam o preço pelo vestidinho de poliéster dentro da loja do shopping, elas estão pagando o aluguel da loja, a comissão da vendedora, o frete do tecido vindo da China e 80% de lucro sobre a unidade do produto final. Nada disso vale a pena se o que você oferece a seus clientes é apenas um vestidinho (que ele já viu, já teve, e sabe que vai estar com 70% off na próxima liquidação).

E se você tem a esperança, de que “quando a crise passar“, nós mulheres voltaremos às lojas felizes e radiantes com cartões de crédito em punho loucas pra comprar blusa de poliéster por 500 reais, pode começar a mudar de ideia. Consciência é um caminho sem volta.

Como consumidoras, o que estamos achando disso tudo?«

Marcas de moda, nós consumidoras queremos ser vistas e entendidas como indivíduos que pensam, escolhem e decidem de acordo com valores próprios e uma percepção real do mundo. Entenda que suas clientes são gordas, são negras, são empresárias, são altas, são velhas – e se você ainda está tentando vender para uma cliente ideal que você acha que todas as mulheres desejam ser, você está à beira de um choque de realidade. É impressionante como poucas marcas conseguiram captar essa ideia.

Basta uma ida ao shopping para ter a sensação (clara) de que nada daquilo que está nas vitrines e nas araras nos representa. Conversando com pessoas próximas, é possível ver o como essa reação tem sido cada vez mais comum e de que as marcas simplesmente não estão acompanhando a nossa evolução. “Para quem são essas roupas?” – foi a pergunta levemente indignada de uma de nós dentro de uma loja, que foi jogada em um grupo no whatsapp e desencadeou um monte de mensagens que diziam “há muito tempo não compro nada”, “só tenho achado roupas legais em marcas independentes”, “tudo tem me vestido muito mal, será que sou eu?”, “tenho preferido gastar meu dinheiro com comida e decoração”.

É como a Carla gosta de dizer: nessa crise, o dinheiro está trocando de mãos. Temos sim um dinheiro (mesmo que pouco) para gastar com nós mesmas, ainda temos vontade de comprar roupas, ainda temos desejos de tendências e de objetos de/da moda. Mas temos outros desejos consumistas também como um quadro novo para casa, um bom vinho, uma viagem no fim de semana… E isso tudo significa que se a ida ao shopping não “rendeu frutos”, o dinheiro que seria gasto com o seu vestidinho, vai ser gasto num jantar com as amigas.

Se o que você oferece a sua cliente é uma roupa sem personalidade, com qualidade medíocre, preço mais alto que o valor percebido, modelagem padrão feita nas coxas, conceito anos 90, tendencinha comprada aos lotes na China e atendimento pífio, você não pode esperar que ela compre – que ela escolha comprar com você.

E não se engane, dono de marca de moda, não adianta facilitar o pagamento. Pode parar de achar que a sua cliente não está comprando suas roupas porque está sem dinheiro. Ela só não quer mais comprar de você.

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Sobre o autor

Esses posts são feitos em conjunto pela equipe - juntando as ideias loucas de umas e a sensatez de outras - e representam o que a gente acredita, aposta ou quer discutir com o mundo. Porque tudo que é compartilhado é mais incrível.

  • http://www.ixigirl.com.br Erika Gentille

    Gravei um vídeo exatamente sobre moda consciente, comportamento de consumo e crise! Tenho a mesma percepção! Parabéns pela visão e ousadia ao postar! Beijo! http://www.ixigirl.com ❤️

  • Vanessa Moreira

    A Farm, por exemplo, é uma loja onde deixei de comprar. Tecidos cada vez piores, shorts cada vez mais curtos e preços cada vez maiores.

    • Camila Urgal

      Lembrei da Farm na hora! Se encaixa bastante…

    • http://simsemfrescura.blogspot.com.br/ Paola Alves

      Até mesmo Renner.. Qualquer regatinha, básica e com tecido escroto = 79,90! What?

    • Camilla Ayres

      Farm, Espaço Fashion e mtas outras do RJ.
      Eu deixei de comprar nelas há anos, foquei no fast fashion durante muito tempo. Porém, em Julho desse ano, me liguei que não comprava nada há uns bons 2/3 anos (nesse cálculo não entram itens como: calcinha e sutiã). Mesmo na época que foquei em lojas como C&A e Renner já percebia alguns valores exorbitantes, isso só foi me distanciando do fast fashion e me aproximando da compra online que não durou muito tempo. Enfim, hoje tenho prestado mais atenção em lojas nacionais online com preços mais acessíveis, mais cuidado com o cliente e sem pressão ao consumo desenfreado.

  • Simone

    Excelente matéria! Tenho loja on line e fazem 6 meses que fechei o site e estou somente pesquisando marcas novas, com preço acessível… vendia marcas que hoje em dia não pego mais de forma alguma. Isso tudo que li aqui é real. Procuro equilibrio entre custo x benefício para minhas clientes, e só voltarei quando descobrir boas marcas!

  • Luiza Goulart

    Excelente texto! Nossa, parabéns. Sinceramente, estava me sentindo estranha por estar sem comprar por um tempo. Quando me deparei com a leitura, pensei “Isso sim vale a pena ler”. E valeu, porque percebi que não há nada de errado nos meus hábitos de consumo, e sim, com o nosso mercado. Nós, como consumidoras, estamos pensando muito mais em custo x benefício. Pelo jeito, o mercado não está acompanhando essa mudança de consumo consciente dentro da moda…
    Ótimo texto! ;)

  • Juliana

    Texto fantástico! Parabéns! Eu moro em Palmas/To, não temos inverno aqui, a diferença de temperatura media do mes mais frio pro mais quente é de +-4°C, sempre por volta de 35-40°, só tenho roupas de verão, então aproveito só as liquidações e tento montar um estilo próprio independente das tendencias, aproveitando-as quando possível. Prefiro investir em viagens e qualidade de vida. É ótimo ver um blog de moda tão crítico e não-alienado! Parabéns!!

  • Jéssica Maia

    Assino em baixo.. é tão difícil de entender… Não.. basta querer.. por isso sempre fui adepta de brechós e revendas e trocas.. adoroooo

  • Line Store Leather

    Chega de vestido sintético por 500 Reais!

  • Viviane Ribeiro

    Nossa, fiquei sem fôlego com o texto e com a representatividade que encontrei nele.
    Podemos, queremos e sabemos escolher. As grandes marcas precisam começar a entender isso.

  • Priscila Gama

    Fenomenal! FENOMENAL!!!

  • Lu Gomes

    Viva Aliexpress!

    • http://modices.com.br/ Carla Lemos

      Na verdade, não Lu :( No Ali Express vc não tem controle sobre a origem do produto, que por ser produzido no sul da Ásia infelizmente tem grandes chances de ter sido feito por gente que trabalha em condições insalubres ganhando salários baixissimos. Falei sobre isso nesse post aqui: http://modices.com.br/comportamento/mais-consciencia-menos-consumo/

      Sua compra é uma escolha, então é importante que a gente dê preferência sempre pras marcas locais, que fazem roupa adequada pros nossos corpos, com nosso estilo e identidade. E claro, pra desenvolver a economia local que é tão importante <3

  • http://helenamattos.com Helena Mattos

    Super concordo com tudo no texto! Todo mundo está numa fase em que pensa muito bem antes de gastar o dinheiro, acho que não só pela crise, mas também pela grande quantidade de informações a que temos acesso com a internet.
    Eu por exemplo só compro em liquidação! haha Vejo tudo nas lojas, amo fuxicar as coleções, mas chega na hora de ver o preço desanimo e espero a liqui. Já está na hora das marcas – e revistas, estendendo um pouco a discussão – perceberem que o consumidor tem suas diferenças e deve ser ouvido e levado à sério.
    helenamattos.com

  • http://simsemfrescura.blogspot.com.br/ Paola Alves

    Essa coisa de ~ tudo estar vestindo mal é muito verdade! Concordo totalmente com o post <3 Fiquei um tempão triste achando que precisava emagrecer porque nada ficava bom no corpo, gente, é muito sério isso! Ainda bem que me dei conta de que não era eu =) http://simsemfrescura.blogspot.com.br/

  • Lolly Ly

    Esse post é o melhor dos últimos tempos, um dos que mais me identifiquei, principalmente por ser contra o consumismo. Estou achando o blog incrível, e isso me faz lembrar porque leio ele há tantos anos.

  • Lucimar Silverio Nogueira

    Teria muito o que discorrer sobre o texto,entretanto, só vou chama-lo de FANTÁSTICO!

  • Rafaela Paludo

    Pior ainda são as marcas que importam da China sem adaptar a peça ao biotipo brasileiro. Vestidos curtíssimos que impossibilitam até levantar os braços. Sem contar o poliéster infinito que definitvamente não funciona com nosso clima quente.

  • Maria Donatelli

    Farm, pelo jeito não fui a única a lembrar dela ao ler a matéria. As peças antigas (ótima qualidade) não tem a menor comparação com as atuais, sem contar os preços altos (pelo menos para o meu bolso) e os comprimentos cada vez menores…

  • http://arquitetadoamor.com.br/ Paula Posser

    Melhor texto dos últimos tempos! Há tempo incentivo através de um coletivo de jovens designers de lingerie. Apostar em comprar aqui, estamos não só reconhecendo que podemos, mas também estruturando uma cadeia de pessoas e profissões gerando rendas saudáveis. Sobre modelagem, se você soubesse que o próprio ensino de moda no Brasil não investe em modelagem, que os designers são mais perdidos que bala em tiroteio, com uma modelagem que só cabe do manequim de moulage você iria cair dura. É preciso querer ouvir a consumidora e perceber as melhorias que devem ser feitas. As grandes não querem investir. Cabe aos pequenos a chance de ouvir e se adaptar ao biotipo e a região de cada parte do Brasil. Beijos Mil

  • Débora Venceslau

    Carla, eu trabalho no setor calçadista, em Franca/SP, e por trabalhar na recepção sempre escuto os fornecedores/donos de fábricas reclamando da atual situação econômica. O problema é que eles não percebem isso que você escreveu, o consumo mudou. E a maior parte da indústria não está acompanhando essa mudança. É mais cômodo para eles jogar a culpa no governo, do que pesquisar e tentar entender a nova forma de consumir, de se comunicar. O cliente final está dando mais valor no dinheiro e na forma que ele é gasto. São poucas as pessoas que querem mais do mesmo. E é em tempos de crise que algumas marcas se reinventam e saem por cima.

  • Bela Matuliones

    Perfeita essa postagem!
    Arrasou muito, não preciso nem falar mais nada!
    Parabéns :)

  • Denise Pitta

    Maravilhoso o artigo1 Gostei tanto que publiquei no Fashion Bubbles, com link pra cá. Bjs e parabéns!!!

  • Flavia Cano

    Adorei!

  • Caio Braz

    mara o quê? vilhoso

  • Monique Ofemann

    Muito bom, Realmente gostei muito, comecei a menos de um ano a confecionar e vender em feiras pelo Rio e sei que no início lucro não tem como ter, mas me preoculpo muito com a qualidade.
    E que não seja mais uma nas feiras, busco realmente o diferencial dentro da minha proposta de estilo e assim conquistar cada vez mais minhas clientes, isso me faz feliz!

  • Dani Fátima

    Muito bom! Tenho refletido muito sobre essas questões (e fiquei feliz por perceber que não fui a única a se incomodar imensamente com os manequins alienígenas da Animale).

  • Xicarazinha

    Muito interessante o texto. Eu geralmente não comento em blogs de moda, fiz esse twitter para ficar “por dentro” das informações, já que não tenho facebook. Mas dessa vez tive que comentar. Imagino que daqui a um tempo as lojas dos shoppings(de roupas, calçados, digo) terão que fechar suas portas, justamente pelo que você aponta no texto, uma mesmice constante, porque ir ao shopping, pagar estacionamento, pagar mais caro, se pela internet ou em feiras acha-se mais barato? (Tenho um certo receio de comprar coisas da China, entretanto). O problema que estou tendo por agora é encontrar peças de qualidade e com essa consciência explicitada por vocês “Equipe Modices” (desculpa, não encontrei o nome da autora..)

  • rafael

    Artigo super interessante !

    Tudo se resume a custo x beneficio em todos os sentidos.

  • Monica Prado

    Tudo virou mais do mesmo quando a palavra “tendência” se tornou o elemento principal dentro da indústria da “moda”. Essa palavra é a castração das almas criativas.

  • Cléo Garcia

    Concordo em cada palavrinha! É dificil entrar nas lojas onde a forma 44 veste 38! Sou gorda e pequena, mas me envergonho com entro em uma TNG e peço uma calça 44 e não tem, só até 42, e vou em uma TACO, onde o preço é uma diferença bem brusca e visto 40 no strech! É complicado, hoje no shopping tenho comprado apenas em liquidação e buscado mais as feiras de moda, uma na Tijuca, e algumas lojinhas online que tem roupas bonitas e bem em conta!
    As lojas vendem de acordo com quem usa, e a base deles são modelos ultra magras e com corpos esculturais, chegando na loja é bem mais difícil, pois com a loja aberta, todo o tipo de mulher vai entrar pra comprar. Eles esquecem que moda é pra todos, roupa é pra todos e tendo em mente apenas um único formato de corpo, dificulta mais ainda a venda e acaba caindo.

  • Mari

    Tão complicado quanto a gordinha que não encontra roupas grandes é a magrinha que precisa fazer mil ajustes pra que uma peça fique boa no seu corpo, quando a loja não oferece o ajuste, além de pagar caro pela peça ainda precisamos pagar pelo ajuste.
    Por mais que os manequins estilizados da animale sejam magros, as roupas da marca não ficam boas em mim, que tenho 1,65 e 50kg, visto 36, mas o 36 deles sobra em mim, assim como o da leeloo e a Maria Filó, essa última já desisti de comprar por fazerem peças fora da realidade.
    Então antes das gordinhas reclamarem, pensem no outro lado. Tem mt loja que faz roupa e coloca na etiqueta um número menor, pra gordinha se sentir melhor, mas não faz o PP pras pessoas magras.

    • Bárbara Vieira

      Só uma coisa, Mari:

      A magra tem a possibilidade do ajuste e a gorda não. A roupa grande ainda entra na magra e a roupa pequena não cabe na gorda. Nesse caso, não tem simetria nisso não.

  • Júlia Meirelles

    Texto maravilhoso!
    Hoje em dia faz muito sentido, ainda mais em tempos de crise.
    Não queremos ser apenas um número; queremos experiência, que a loja nos trate como indivíduo e não apenas como ‘mais um cliente’; aliás, tem outro ponto aí que considero essencial: tenho notado uma piora gradativa no atendimento ao cliente em todos os segmentos do varejo – principalmente em vestuário! Aí é que não dá vontade de comprar MESMO!
    No mais, parabéns novamente! Texto muito coerente! :-)

  • Helga Raphaela Bezerra

    Excelente texto. Incrível. Como você conseguiu expor de forma clara e realista o sentimento do consumidor , que aliás compartilho desta mesma visão.

  • Carol Mayer

    Carla, que texto FODA!

    Eu acho que a moda ficou tão surreal quanto a essa ditadura do “magra-fashionista-alta” que já tô desencantada de comprar há tempos. Hoje em dia, eu prefiro brincar com as minhas peças “old but gold” e comprar pouquíssimas coisas que sejam mais atemporais do que trendy. E quer saber? Tô passando super bem!
    Beijos!

  • Mah

    Eu sou alta, falsa magra, 27 anos e tenho muita dificuldade de achar shorts e saias que não sejam curtíssimos.

    Outra coisa do falsa magra: convenhamos, maioria da população tem uma pochetinha. Mas as marcas insistem em fazer uns vestidos que cismam em marcar a coitada.
    Vestidos que só ficam bem nas irmãs Jenner e meninas abaixo dos 15.
    Não que eu acho um crime fashion marcar a pochete, mas eu não me sinto bem com isso e creio que boa parte das mulheres também não.
    É errado querer uma roupa que caia bem em vc?
    É errado que, por um milagre vc ache essa roupa, mas não queira desembolsar meio salário mínimo?

    Ta complicado conciliar valor x qualidade x caimento.
    Eu me encontro num limbo cruel. Era consumidora de fast fashion pelo fashion e pela grana.
    Hoje em dia não sou mais por nenhum dos dois motivos (tudo feio/ruim/curto e num valor que não vale a pena), mas também não po$$o consumir Maria Filó, Animale, Cantão…

    Outra coisa: já deu de cropped. (isto é para você, C&A)

  • Izabel Drumond

    Nas lojas um pouquinho mais grifadas, nada é para meu biotipo ou gosto, fora os preços. Nas C&A´s da vida tudo me parece feio, caro e com cara de que não vai durar nada, e nas lojas com peças mais a minha cara e tamanho adequado eu tenho que pagar com dinheiro + uma córnia. Ai realmente fica muito complicado. Me identifiquei muito, pois quase não compro em shopping, quase nunca mesmo, a ultima vez nem lembro. Compro mais on line e ainda assim em pouca quantidade, já estava me sentindo um ET porque parece que aquelas roupas que vemos na vitrine parecem feitas para a população de uma realidade paralela a qual eu não tenho acesso. Estou totalmente na vibe consumo consciente, roupas que durem, que valham meu suado dinheirinho.

  • Natalie

    Manequins é algo que me incomoda bastante, que realmente me distancia de certas lojas, certa vez notei uma calça bem interessante em um manequin magérrimo na renner mas olhei, olhei e falei: não, não vai ficar legal! Dois dias depois vi uma mulher na rua vestindo a mesma calça e adorei, certamente era uma calça que eu levaria mas no manequin me intimidou…! Repensar o manequim e a forma de expor seja em catálogos ou mesmo na loja, trazer mais para a realidade é algo que sinto falta nesse universo todo, Quero ver roupas em mulheres reais!

  • Aliera29 .

    É por isso que ver gente real no pinterest a vestirdeterminados modelos é muito mais interessante do que modelos numa revista. Tem de ruir essa necessidade de apresentar as rouas em modelos que parecem cabides, de tão magras que são. Isso não me mostra como vai ficar em mim. E sim, inflacionar preços numa epoca em que temos7aprendemos de pesar todas as nossas necessidades, vai levar a muitas respostade de “não, obrigada!”

  • Amanda

    Nossa,amei o texto!
    É verdade,eu sou falsa magra,mas tenho o bumbum grande,nada me entra.Se entra no bumbum fica largo em cima,se entra em cima não passa no bumbum.Jeans?Já desisti,não serve mesmo.Estava até achando que o problema é meu corpo mesmo,mas percebo que não.O tempo passou,mas algumas marcas ainda insistem em fazer roupas para modelos.Agora,preciso dizer que isso é relacionado a marcas mais “conceituadas” para não dizer cara.Em suma,GRIFES!
    Porque saio bem satisfeita quando vou ao Brás fazer compras e acho peças lindas,por um preço otimo.Mais bonitas até que muitas lojas de grife.

  • Greice

    Gostei muito do texto, mas ao mesmo tempo não me identifiquei tanto assim. Talvez porque no meu caso eu nunca tive interesse em esbanjar dinheiro em marca da moda, boutiques e roupas caríssimas. Nunca achei razoável pagar R$300 em calça jeans. Quando comento isso com algumas amigas do trabalho elas rebatem que é por causa do caimento, que eu sou magra e por isso tudo fica bem. Não é bem assim… tb me considero falsa magra. Meu manequim é 42 (e chega a 44 quando eu surto e viro aloka do fast food :P ). Então não sou o que as lojas chamam de magra. Ainda assim, meu guarda roupa é basicamente c&a, riachuelo e renner. E roupa de feirinhas. :3 Acho que garimpando, e sabendo exatamente o que VOCÊ gosta e quer usar, fica tudo mais fácil.

    Sim, outro aspecto que deve ser levado em consideração é menos tendência, e mais personalidade. Identificar o próprio estilo ajuda muito. Esse lance de “temdemsia” é uma chatice e um engodo para quem tem baixa auto-estima e, como disse a autora, procura consumir produtos que agreguem valor à sua pessoa: “eu não estou feliz comigo mesma então vou me dar essa roupa caríssima/da moda/da marca tal pq vestir isso (a “moda”, não a roupa) vai me fazer sentir especial/importante”. Felizmente essa realidade está ruindo com a enxurrada de campanhas pela valorização do próprio corpo, o que é ótimo! :)

    E aí podemos não seguir as tendências, mas só utilizá-las a nosso favor. Por exemplo, quando alguma coisa que eu gosto muito vira tendência, eu aproveito pra estocar roupa pq depois sei que o treco some!!! XD rsrsrs

    Aliás, sobre isso, há uns anos eu assinava a NOVA. Eles tem (tinham, sei lá) uma seção que era a sexy vs. over, que comparava tendências e enquadrava nesses dois rótulos. Daí em uma edição eles colocaram animal print como sexy, seis meses depois era over. WHAT? Não me diga para comprar algo e jogar fora em seis meses, sua revista fajuta! Aliás, não me diga o que usar. Vai ter animal print, sim. E se reclamar saio toda trabalhada de bichinho da parmalat. >:( Depois disso cancelei a assinatura e nunca mais comprei a revista. >_<