Paisley: nome inglês, estampa indiana
Rio de Janeiro,Os anos 70 estão em voga. E com ele vem o pacote completo: silhuetas, cores, acessórios e… estampas! E quase nada grita mais seventies do que a estampa tipo “Paisley”. E não se engane pelo nome, porque com certeza você já a viu em um monte de roupa por aí.

Nas últimas temporadas de moda, uma lista forte de nomes desfilou a estampa, como Chloe, Kenzo, Yves Saint Laurent, Pucci, Oscar de la Renta – exemplos no exterior – e Reinaldo Lourenço, no Brasil. Mas de volta lá para a época do paz e amor, o paisley era um grande símbolo do movimento hippie e especialmente da contracultura, movimento de contestação social, que buscava uma transformação dos valores e costumes da época.
Antes dessa apropriação, o Paisley tinha uma conotação sofisticada. Era a cara da riqueza dos aristocratas britânicos, usado em gravatas de gente rica, robes, camisas e vestidos de seda, xales de cashmere. E era exatamente o que o movimento da contracultura tava bem afim de fazer: Pegar algo das camadas abastadas e dar um significado popular, subverter tudo aquilo. Jimi Hendrix e Janis Joplin, deuses do rock, são exemplos de gente que adotou o Paisley como símbolo.

E você já deve ter lido por aí que essa é uma estampa que veio da Índia, e de certa forma, veio mesmo. Xales estampados com o Paisley (que ainda não tinha esse nome) eram feitos na Caxemira, desde o século dezessete, mas só com a Companhia Britânica das Índias Orientais, que comercializava as especiarias e exotismos produzidos lá, é que a estampa ganhou o Ocidente. Os britânicos começaram a trazer e importar xales de cashmere estampadas com Paisley para o Reino Unido, só que o custo era muito alto e, depois de um tempo, a produção in loco não era capaz de suprir a demanda inglesa.
Foi então que manufaturas no interior da terra da Rainha (na época, era a Victória quem mandava por lá) começaram a reproduzir a estampa, para que o custo diminuísse exponencialmente, e também foram adaptando ao gosto do freguês, com cores que agradavam aos ingleses, e que pasmem, quase nada tinham a ver com a estampa original. O nome da cidade que mais fabricava cópias da estampa indiana? Paisley.
De início eram apenas xales, mas depois, o céu era o limite. A estampa se tornou tão popular que, ao lado do Chintz (aquelas flores que estampam as porcelanas do chá inglês), praticamente perdeu sua conexão com a Índia, mas se tornou, no imaginário popular, um símbolo britânico.
Hoje, na miscelânea que é a moda, é possível se apropriar do Paisley de diversas maneiras, flertando com o movimento hippie, com os ingleses ou com o que der na telha. Mas a essência, ah, a essência sempre vai estar lá.