O provador pode ser um lugar muito catártico.

Sempre que falo de roupa (porque quem sou eu para falar de moda), insisto em dizer que se vestir é um exercício frequente, e às vezes bem duro, de autoconhecimento. Mais do que saber o que cai bem no seu corpo, escolher um look é um movimento de reconhecimento. Porque a gente muda. Muda toda hora de convicções, de opiniões, de valores. Constantemente estamos querendo diferentes coisas de nós mesmas e exigindo diferentes resultados de nossos esforços.

Kristina Webb

“imagine um espelho que pudesse revelar a sua personalidade, você ousaria olhar?” @colour_me_creative

Reconhecer-se na frente do espelho e entender quem é essa mulher hoje é um grande passo para o nosso empoderamento. Entender o que espera de si mesma é importante e é com a nossa roupa que a gente começa a passar essa mensagem para o mundo: “Essa sou eu, do jeito que eu quero ser, do jeito que eu quero que você me veja”. Consegue ver o poder nessa frase? Sim? Pena não ser tão simples.

Ainda entramos em um provador querendo ser mais magras, mais altas, mais bronzeadas. Ainda procuramos nas araras roupas que consertem um pedaço do nosso corpo ou disfarcem uma parte do que somos. Por mais bem resolvidas que sejamos, por mais feministas que nos tornemos, jamais conseguiremos fazer uma escolha (de moda) totalmente livre de julgamentos enraizados em nós por anos e anos de dominação patriarcal. Mas tudo bem, é aos poucos que a gente vai desconstruindo os mitos que criamos sobre nós mesmas.

 

Esses dias me apaixonei por um vestido que qualquer revista ou “entendida de moda” me aconselharia a não levar. Afinal, coloque-se em seu lugar, Nina, um vestido longo em formato de t-shirt gigante não é para meninas de 1m60. “Você é baixa demais”, “você é pequena demais”, “você é magra de menos” para sair ilesa usando esse vestido. Comprei mesmo assim. Afinal, eu nunca vou deixar de ser pequena e não existe roupa mágica que vai me dar centímetros de pernas. O importante é que vesti a roupa e me reconheci no espelho. Me reconheci como livre

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||||| 97 amei! |||||

Sobre o autor

editora executiva

29 anos, publicitária, feminista imperfeita. É Editora Executiva do Modices. Escreve sobre moda, bebe uísque e ama gatos. Se divide entre ser totalmente racional e acreditar em unicórnios. @ninaribeiro no Insta.

  • leticia

    que texto lindo, cara!

    • http://modices.com.br/ Carla Lemos

      <3

  • Mayara

    Apenas a minha realidade. A vontade de usar roupas que talvez não sejam compatíveis com a cara que eu sempre mostrei aos outros. Dá medo? Dá. Mas quando eu visto, é uma sensação maravilhoso. E eu vou além: sempre sonhei em cortar franjinha e ouvia das pessoas que nunca ia ficar bem no meu rosto. Resultado? Cortei e to arrasando e ta todo mundo concordando comigo. E o melhor? Eu to me sentindo maravilhosa <3

    • http://modices.com.br/ Carla Lemos

      Mesma coisa comigo, Mayara! Quando corte franja, quando fiquei quase loira, quando quis fazer outras tantas mudanças que representavam quem eu queria ver refletida no espelho. E é isso, quando tá refletindo a nossa vontade, quem a gente é naquele momento vai ficar lindo. A gente vai brilhar e as pessoas vão se surpreender <3 Beijão!

  • Carol Costa

    Ótimo texto Nina! Ler reflexões como essa me dá uma sensação boa sabe? Obrigada!!!
    http://dibobis.blogspot.com.br/

  • Renato Oliveira

    O texto coincide nitidamente com os novos olhares e métodos que venho tentando incorporar ao meu trabalho como consultor de estilo e blogueiro. Conseguimos pessoas mais autênticas quando baseamos a busca por novos estilos e imagens de moda, na liberdade, e no desejo de ser e sentir-se como quiser ! http://www.pontepop.com.br

  • Gabriela S. Padilha

    Acho que o papel das revistas e blogs deve ser exatamente esse, de dizer que as pessoas são livres para vestir o que quiserem! http://www.alemdolookdodia.com

  • Erika Gentille

    Isso é tudo que eu penso. E penso mais algumas coisas, se quiser ver, Carlinha: http://www.ixigirl.com :), depois de passar por isso aqui: https://www.youtube.com/watch?v=DUXXrlALRnY não tem como viver de maneira menos profunda. Beijo

  • Walkyria

    Putz! Falou tudo Nina!
    Queria sugerir um post sobre TAMANHO G!
    Você disse sobre entrar no provador e conseguir provar uma roupa que possa vir a traduzir quem você é…
    E quando você não consegue nem chegar no provador?! Você achou aquela peça linda! Maaaaas, não tem seu tamanho. Você não passa nem da arara, e dos cabides… vai embora e não traduz quem você é através de uma peça linda que encontrou. e o engraçado é que o G não é um absurdo de tamanho… eu por exemplo não tenho quase nada de seios, mas minha costas é hiper larga, herdei da família do meu pai, ombros largos etc, e visto o tamanho G. Não tenho vergonha disso, mas fico triste quando encontro um vestido lindo e não passo ele nem dos ombros…
    Parabéns mais uma vez pelo post!
    Wal.

  • alessandra faria

    Excelente texto!
    Dá para refletir e rever alguns conceitos.
    Mostrar a responsabilidade através das próprias roupas não é tarefa fácil, não. Mesmo porque, muitas vezes as pessoas não se conhecem.
    Bjos
    http://www.alessandrafaria.com