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SPFW: A construção do inverno da Maria Bonita

Rio de Janeiro,

Brasília e o trabalho de Niemeyer já foram exploradas algumas vezes em vários campos do design e da moda. Mas o desfile da Maria Bonita não voltou seus olhos para as linhas curvas e modernistas do arquiteto, ou no planejamento de Lúcio Costa, mas nos candangos que construíram a cidade e nos azulejos de Athos Bulcão.

Fotos: Charles Naseh

As vestimentas simples dos trabalhadores e suas mulheres inspiraram Danielle Jensen a criar peças com corte reto e sem complicações, em malhas de algodão, algumas com relevos e um trabalho que lembra o devore (que geralmente é em veludo). Para as peças mais finas, sedas e bordados que lembravam cacos de cerâmica, remetendo ao trabalho do artista plástico Bulcão na capital do país, assim como as estampas. Muito legal o vestido com bolsas à tiracolo “anexadas” (como mostramos no detalhe da foto de backstage). A cartela de cores reuniu o azul do céu de Brasília, o branco e cinza das construções e o marrom da terra do Cerrado.

Fotos: Charles Naseh

Chapéus de tecido amassado, nos mesmos tecidos e estampas das roupas, ornamentavam as modelos. Nos pés, uma versão em couro de tênis simples, com biqueira de acrílico. Bolsas que lembravam malas de antigamente, além das bolsas-vestido que comentamos, completavam os looks.

Fotos: Charles Naseh

Acompanhando a influência das candangas, Celso Kamura criou um penteado com trança, mas bem moderno, como o design da marca. Uma trança horizontal fazia a “bainha” de rabos de cavalo, pegando mechas da esquerda para a direita. Na maquiagem, apenas blush nas bochechas e no osso do nariz, lembrando que as trabalhadoras andavam sob o sol do Cerrado.

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