Militarismo
Rio de Janeiro,Se tem uma tendência que anda pipocando por todo lado, essa é, sem dúvida, a do militarismo, que saiu direto das passarelas para dominar com muito bom gosto o cenário street.
Essa onda não vem de hoje, é antiga, e foi devidamente inaugurada por uma estrela do cinema alemão conhecida como Marlene Dietrich. Na década de 30 – a também cantora – foi pioneira ao desfilar o shape militar em tempos onde as mulheres ainda perpetuavam o corselete. Marlene se vestiu com botões, field jackets e até quepe! O charme foi instantâneo e alçou o guarda- roupa militante a objeto fashionista.
O closet da atriz arrastou por décadas o estilo que muitos anos depois foi hypado através da mente fashionista de Christophe Decarnin e Emanuelle Alt – o estilista e a diretora criativa da Balmain respectivamente. Foram eles que injetaram no army style uma pegada moderninha, nascendo ali o conceito do novo militarismo. No primeiro momento, lá em 2008, foram apresentadas jaquetas no melhor estilo uniforme de soldadinho, totalmente inspiradas em Michael Jackson. Virou febre e todas as celebs – de lá e de cá – passaram a dar as caras com o ombro forte e detalhes oitentistas mil, sendo a própria Emanuelle Alt umas das principais dizimadoras do estilo.
Em 2009, a Balmain continuou investindo na modelagem, só que desta vez ela perdeu a forte pegada alegórica – cheia de brilhos – e veio mais sútil, bem próxima do uniforme masculino, com o verde (militar, claro) reinando absoluto. No meio disso, paetês, camuflagens, franjas, muito tecido destroyed, coturnos (que a gente falou aqui ), martingales(aquela alcinha nos ombros) cintos, e até brasões – que viraram objeto fashion com a mesma rapidez na qual a febre militar se espalhou por aí.

A moda de Balmain instaurou uma nova forma trendy de se vestir, e como a tendência já não podia mais ser ignorada outros estilistas passaram a incrementar suas coleções com a pegada militar. Stella McCartney e Kenzo se renderam as estamparias camufladas, Marc Jacobs e Diane Von Furstenberg aderiram a jaqueta militante arrematada com cintinho, Burberry nos mostrou o quanto o corte militar – cheio de botões – funciona com botas over- kness. A lista é longa!
Aqui no Brasil, Juliana Jabour desfilou a parte romântica da tendência com chapéus que fizeram-nos lembrar do saudoso quepe. Todavia, quem se alistou com força no militarismo foi Reinaldo Lourenço, que no SPFW, apresentou muito verde-musgo, trench-coats, e modelagens que eram a cara de Marlene Dietrich.

Saindo das passarelas, o militarismo invadiu os editorias. Todas as revistas especializadas em moda reservaram muitas páginas para estampar a tendência, tanto aqui quanto em terras gringas. As mais emblemáticas foram a da Vogue USA em março, e a Vogue Korea de Maio, que vestiu Gisele Bündchen com o uniforme fashionista do momento.
Com seu território mais do que demarcado, o militarismo passou a figurar nas ruas e dentro das coleções de praticamente todas as marcas antenadas. Por aqui, a Farm foi sem dúvida uma das grifes nacionais que melhor adaptou o modismo ao estilo das brasileiras. “A gente procurou trabalhar com peças que fazem parte da nossa identidade, como biquini, casaquinhos, coletes, sobreposições levinhas, todos eles ganharam um toque militar, sem perder a nossa cara. As estampas também entraram nessa onda, por exemplo, o nosso camuflado é todo feito de corações. Na hora de produzir, a quebra ao misturar com peças mais básicas e simples é o que tira o ar “gringo” da produção.” , explica Katia Barros, coordenadora de estilo da marca carioca.
A coleção da Farm traz como tema principal o amor, e por conta disso Katia explicou que eles usaram a história do soldadinho de chumbo e da bailarina como principal fonte de inspiração para a referência militante da marca. “A gente lembrou logo deles, pois combinava muito com a vontade de usar tules, rendas, e looks mais românticos ( bailarina), e as peças militares e de influência do guarda roupa dos meninos. E ficou ótimo, prova que os opostos se atraem na vida real, e na moda também”, conta Katia. A dica da Farm é mesclar o guarda-roupa militar com peças mais sequinhas e femininas, e é essa exatamente a grande sacada pra quem quer aderir a tendência ser ficar “uniformizada” além da conta.
Vale combinar a jaqueta com modelagem boyfriend – também conhecida como field jacket – com cintinhos de todos os tipos marcando a cintura. Super funciona arrematar esse tipo de padronagem com shorts e saias, e calças bem sequinhas. Outra coisa hiper legal que dá pra fazer é coordenar a jaqueta militar bem estruturada com calça skinny(ou legging, jegging) e botas acima do joelho – da mesma cor da calça de preferência. As it girls já aderiram ao movimento, que o diga Olivia Palermo, que se rendeu ao estilo provando que ele pode sim ser muito feminino. Todo mundo se alistando na moda militante!


