Tudo sobre amapô

Os conceitos das passarelas do quarto dia de desfiles de verão 2014 da SPFW

Rio de Janeiro,

Vitorino Campos: Três coisas bem diferentes nessa coleção: o local onde foi apresentada, como e a inspiração da coleção. Primeiro que foi no estúdio do fotógrafo André Schiliró, segundo que as roupas foram exibidas em manequins enquanto um ‘vídeo-desfile’ era apresentado. E a inspiração? O ruído branco, aquele som chiado que a televisão fazia quando estava sem sintonia (que na verdade é a junção dos sons de todas as frequências disponíveis). Acho que essa inspiração ficou mais clara nos looks que tinham tramas que lembram a imagem que aparecia na tela. O mood era minimalista dos anos 90 e o preto reinou nas peças com recortes e dobraduras, decotes, fendas e alfaiataria. Depois o rosa, dourado e azul metalizado apareceram e, no fim, a renda com brilhos bordados – dando o contraste entre as roupas rígidas e as leves e femininas. As unhas douradas e os óculos também criaram a impressão de uma mulher misteriosa e meio futurista.

Alexandre Herchcovitch: O estilista está comemorando seus 20 anos de carreira e nesse verão resolveu rever o desfile da mesma estação que ele fez em 1999. Todo em preto, branco e cinza (exceção de 3 looks roxos), o desfile começou com as listras de risca de giz, que depois evoluíram para umas mais grossas e terminaram como zebras. Outras peças desconstruíam a jaqueta perfecto, por isso muitos zíperes apareciam nos vestidos. Tinha uma ou outra barriga de fora, brilhos, saias rodadas ou assimétricas , alcinhas finas e no final vimos a renda. Algumas modelos apareciam com seus casacos nas costas, como se fossem capas. Foi um desfile bem morno em comparação ao que costumamos ver na marca.

Amapô: Inspiradas no fundo do mar, nas sereias e nos piratas, as estilistas Carol Gold e Pitty Taliani continuaram com sua moda divertida e fora do comum. Uma causa de sereia gigante estava no fundo da passarela por onde vestidos com babados, coletes com escamas e peças esportivas com estampa de sereias e tritões passavam. Também teve uma estampa tribal, barriguinhas de fora e assimetrias. A trilha foi toda do Frank Sinatra (voz encantadora).

Juliana Jabour: Dessa vez a estilista não pegou nenhuma inspiração específica, mas teve como norte as mulheres dos anos 90. Explico: a marca está amadurecendo, evoluindo, já que suas clientes deixaram de ser adolescentes e agora já são mulheres que querem se afirmar como maduras, fortes e decididas (mas ainda com a doçura de sempre). E eu já expliquei em um post que era mais ou menos isso que acontecia com as mulheres de vinte anos atrás, depois de se imporem como boas profissionais nos anos 80, agora elas queriam continuar com esse espaço, mas voltar com a sensualidade que ficou esquecida. Na coleção, os balonês foram esquecidos e trocados por saias rodadas ou até longas, os vestidos são mais estruturados e as cores mais sóbrias. Mas a diversão ainda existe com os brincões, franjas, camadas, bordados, brilhos, macacões e até um toque de japonismo (obsessão da moda nos anos 90).


Osklen: A marca já olha para as festas que vão acontecer no verão de 2014 (a Copa vai animar nossa vida, né). Então a inspiração foi: as pedras preciosas usadas nesses grandes eventos! Acho que foi totalmente em sintonia com os desejos já de hoje, como pedras bordadas nas roupas, cores e brilhos de joias  recortes (que lembram as lapidações). Verde esmeralda, vermelho rubi, amarelo brasilianita, azul turmalina, laranja citrino e até diamantes foram contemplados na coleção. Também teve cinza, areia e preto – uma referência às pedras ainda não lapidadas. Coqueiros, alcinhas, barriga de fora, costas nuas e shortinhos lembram que aquela coleção é completamente carioca (mesmo sendo apresentada em SP).

Colcci: O tema foi “Geometric Gardens” e o resultado foi bem fresh. A marca está se desenvolvendo de uma forma muito boa, encontrando outras características fortes além do jeans (que nessa estação apareceu escuro, sem muitos detalhes). As peças tinham muitas texturas e as estampas eram super desejáveis (uma floral fofinha e outras duas que lembram ladrilhos hidráulicos). Babei nas botinhas, sandálias e bolsas. Vi várias versões de terninhos, camisas de botão amarradinhas, listras, casacos por cima dos ombros (charme!) e muitas peças confortáveis, até oversized, além das mangas bem grandes. A feminilidade ficou nos vestidinhos, que eram meio tubinhos, só que com uma saia rodada no final.

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SPFW || Sexto dia: Pedro Lourenço, Fernanda Yamamoto, Amapô, André Lima e Ronaldo Fraga

Rio de Janeiro,

Pedro Lourenço: O menino prodígio da moda brasileira que com 12 anos já assinava sua primeira coleção na SPFW (para Carlota Joakina, segunda marca da mãe Gloria Coelho) e aos 20 retorna fazendo uma verdadeira apresentação, já que Pedro Lourenço fez questão de estar no “palco” descrevendo e contando a história por trás de cada peça, revelando curiosidades como os ajustes que tem feito em suas coleções para atender as demandas dos compradores internacionais. Quanto às peças em si, as formas geométricas característica do trabalho de Pedro nas coleções apresentadas em Paris se fazem presentes junto com as estampas tropicais inspiradas no trabalho de Lelli Orleans e Bragança.

Fernanda Yamamoto – Apesar de ter peças com estampa da gatinha japonesa Hello Kitty a coleção foi toda trabalhada em tons terrososos, contando até com folhas de árvore ornando as cabeças de algumas modelos. Os recortes de tecido que tem sido vista em quase todas as coleções aparece feito de forma orgânica, mais fluida. Interessante.

Amapô - O desfile de Carô e Pitty começou a ser aplaudido quando o brilhante painel tropical foi revelado. Com um Bob Marley gostoso vimos uma explosão de cores, recortes inusitados, desconstrução das formas, babados e muitas peças que dá vontade de ver como serão desdobradas para a linha comercial da marca (que vende online aqui).

André Lima – O estilista paraense especializado em vestidos de festa trouxe uma nova proposta para sua coleção, as calças de festa (remetendo aquela vontade de ternos). Além disso muitas fendas, metalizados, e referências aos quimonos japoneses.

Ronaldo Fraga - Usando sempre referências do Brasil para contar a história de suas coleções, Ronaldo, neste verão,olhou para o Rio de Janeiro de 80 anos atrás. O Rio de Janeiro do samba, dos grandes bailes de Carnaval, cantado por Noel Rosa. Golas de marinheiro, plissados, poás, estampas de pierrot todas em preto e branco como as imagens da época. Uma delícia de encerramento para esta temporada de moda.

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SPFW: Amapô desfila coleção jovem cheia de mix-and-match

Rio de Janeiro,

Se a gente vinha falando de misturas e contrastes de materiais, formas e – resumindo – vontades nos desfiles do Fashion Rio, no desfile da Amapô, eles foram ao extremo. As estilistas Carolina Gold e Pitty Taliani trouxeram colagens de tricôs, retalhos de veludo, esculturas e alfaiataria desconstruída, numa coleção jovem e que lembra um pouco o estilo college. Muito volume no feminino e assimetria no masculino. Mix também de estampas: uma criada pela cantora cool Cibelle e outra pelo artista plástico Fabio Gurjão.

Nos acessórios, botas de cano alto e sapatos de bico redondo com amarração frontal de couro imitando estampa de cobra e textura de crocco. Os óculos de grau imensos (bem no gosto da galera hype) tinham glitter aplicado. Pra fechar, bolsas fofas de morango vermelha, azul royal e amarela.

Ricardo dos Anjos criou a maquiagem (com produtos Mac) e o cabelo do desfile – esse segundo, aliás, “enforcava” os modelos com apliques e tranças emaranhadas. Para os olhos, duas variações com pigmentos profissionais vermelho (Acrilic Basic Red) ou verde (Acrilic Landscape Green) ; usados com sombra grafite Carbon para esfumaçar, e finalizados com lápis (cor Teddy) na pálpebra superior e na parte interna e rímel Haute and Naughty. Para as modelos com sombra vermelha, blush Lillicent no lugar de batom (como apareceu aqui). Para quem estava de verde, foi aplicado o batom roxo Goes and Goes, lançamento da linha Longwear.

Fotos: Divulgação

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Roupas cheias de amarrações

Rio de Janeiro,

Quando Katy Perry aparece no tapete vermelho já esperamos alguma extravagância. Neste ano de 2010 já tivemos até vestido que acendia (!). Para o 2010 Annual MuchMusic Video Awards, no Canadá, a ousadia de Katy ficou por conta do modelito cheio de amarrações (e muita pele à mostra). O “estilo” também foi visto recentemente na passarela da Amapô, na última SPFW, que teve peças “amarradas” para meninos e meninas.


Katy Perry e os looks da Amapô (fotos:
Just Jared e FFW)

Não se preocupe, ninguém precisa sair com tanta pele exposta por nós de tecido, mas as imagens trazem o prenúncio de um verão cheio de peças com amarrações. A coleção de verão da Afghan está cheia delas, lembra?

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A festa regional da Amapô

Rio de Janeiro,

“Nesse dia di Santo Antôniu, convido o povo prá festeja. Lá prus lado do Imbirapuera, nas lâdera da Bienar.” Esse foi um trechinho do cordel que a Amapô enviou no convite para o desfile desse domingo. Irreverente e a cara da marca assinada por Carô Gold e Pitty Taliani. O cordel já deu a dica da inspiração do desfile que transportou para as passarelas as festas regionais do país.


“Nós fizemos a festa da Amapô, que mixou todas as tradicionais comemorações do Brasil e criou uma com a nossa cara. Os trajes que as modelos e os modelos irão desfilar são justamente os trajes da nossa festa.” Contou Carô.

Nessa festa tem de um tudo mas, o que mais chama a atenção são as diversificadas – e mega coloridas – estampas, com destaque para a feita por Filipe Jardim que traz vários elementos representando mais de uma festa, e que foi inspirada em uma música do Chico Science.

Quebrando paradigmas a Amapô trouxe um novo mecanismo para o já conhecido paête, que ao em vez de ser pregado vem solto, com movimento dentro do tule “porque a gente queria dar a impressão que o paête estivesse chovendo por cima da pessoa”. Os famosos metalóides – aquela fita metálica típica que enfeita todas as festas e as perucas do Carnaval – ganharam uma versão em couro, cortado a mão, e que enfeita grande parte das peças inclusive o look que abre o desfile.

Para completar o visual as modelos e os modelos vieram com óculos colorido, costume da marca, e algumas meninas carregando bolsas no formato de caçapa, acessório divertidíssimo e com carinha de must-have.

A beleza assinada por Ricardo dos Anjos vem com “diversos tipos de apliques de franja, em todas as cores contrastando com o cabelo natural dos modelos. A franja ultrapassava a linha da sobrancelha e, segundo o maquiador, anulou qualquer possibilidade de maquiagem nos olhos.

A pele veio apenas corrigida e com um blush marrom, o Coppertone da MAC. Nos lábios um pouco de rosinha, feito com o Gloss Pur da Yves Saint Laurent na cor 7. As unhas estavam em sintonia com o colorido do desfilee vieram em quatro cores da coleção Muito Luxo da Impala: Royal, Café Creme, Madame e Santo Luxo.

Com uma festa dessas, difícil não agradar né?

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