Tudo sobre backstage
Mesmo na correria que são os backstages das semanas de moda, é possível pegar dicas rápidas bem legais com os top maquiadores que criam os conceitos de beleza dos desfiles (como mostramos na matéria sobre segurar a base no calor). Só de dar uma espiadinha em suas bancadas de trabalho, conseguimos garimpar produtos legais pra mostrar aqui.

Foi o que fizemos com Max Weber (que o Modices AMA! Talento e simpatia!). Enquanto preparava as modelos para o desfile da Colcci, Max foi contando alguns truquezinhos e mostrando novidades que encontrou em suas viagens internacionais. Uma delas é o gloss O-Plump, da Smashbox, que promete aumentar os lábios. “Não conhecia, mas vi numa viagem que eu fiz e trouxe. Ele aumenta e destaca os lábios. Todo mundo com bocão, experimenta!”, disse, oferecendo o produto para as repórteres em volta usarem (nota da Márcia: não virei a Angelina Jolie, mas dá uma inchadinha mesmo).

No meio de vários produtos de marcas importadas (a maioria nem é vendida no Brasil, como a Nars), avistamos vários vidrinhos da base Dream Matte Mousse, da Maybelline. Mas será que não estavam lá apenas para “fazer figuração”? Que nada, Max realmente usa o produto, como vimos no backstage do desfile do Melk-Z Da. “Eu adoro essa base, ela é ótima! E não é cara, custa em torno de R$ 40”, contou Max, mostrando que, pra profissionais da beleza, o que vale são produtos bons, não importa o preço.
Na “teoria”, a ideia para a coleção de inverno 2011 da Ana Salazar saiu das florestas da região central de Portugal e seus pássaros. Na prática, a marca mostrou uma coleção que misturava uma pegada punk com peças mais glamurosas.
Fotos: Charles Nasseh para o Chic
Casacos pesados e jaquetas de couro eram coordenados com vestidos de musseline leves e peças bordadas com micro-paetês em tons metalizados (mas foscos), como vestidos e leggings. Destaque para os vestidos longos com golas plissadas. A silhueta era basicamente reta, acompanhando o desenho do corpo sem marcar. As cores eram preto, vermelho, verde musgo, prata e dourado velho. Um pouco de azul, branco e amarelo nas estampas abstratas.
Fotos: Charles Nasseh para o Chic
Coturnos brutos e sapatos de bico fino, de couro preto, com tachas pontiagudas atrás, vestiam os pés das modelos. Os capuzes bordados lembravam malhas de metal medievais. Para completar os acessórios, luvas de couro coloridas e óculos escuros.
Henrique Martins assinou a beleza, com proposta bem minimalista e foco apenas na boca vermelha. Para chegar ao tom que queria, misturou dois Lipmix da linha profissional da Mac (vermelho e azul). Nos olhos, apenas curvex e máscara para cílios preta e, nas bochechas, blush amarronzado para contornar o osso do maxilar e iluminador nas têmporas.
Fotos: Romulo Soares
É comum criadores olharem para a própria trajetória para buscar inspiração, e assim foi com o desfile da marca Do Estilista hoje. Marcelo Sommer revisitou suas criações antigas e a mistura de referências bem street com estilo vintage para apresentar seu inverno 2011. Até mesmo o casting de anos atrás estava na passarela, com modelos-amigas como Luciana Curtis, Mariana Weickert, Cássia Ávila, Isabela Fiorentino, Carol e Mariana Bittencourt, entre outras.
A fórmula street+vintage garante que a coleção fique atual e não pareça figurino de época – um estilo “brechó” contemporâneo. Tecidos como cetim, seda, crepe, renda (com aspecto envelhecido) e tafetá em abundância originaram vestidos amplos, longos e na altura do joelho. Para contrapor o visual certinho, bermudões de skatista, transparências, um lado diferente do outro e sobreposições assimétricas. Nos pés, bota de cano alto em estilo Brogue bicolor, usada com meia ¾ transparente.
Robert Estevão assinou a beleza com inspiração retrô, com produtos da Mac. O foco eram os lábios, coloridos com o batom Rubi Woo e com o Lipmix Fuccia (batom da linha Pro, não disponível no Brasil). Nos olhos, sombra iluminadora na parte interna e marrom na raiz dos cílios superiores e inferiores. A pele foi leve, apenas com base Face & Body, e dois tons de blush nas maças e contorno (Well Dressed e Desert Rose). Os cabelos estavam naturais, levemente ondulados e com movimento na raiz.
Com “Decadence avec elegance”, clássico do Lobão, como trilha sonora (o cantor se apresentou ao vivo no desfile e conversou com a gente), a Reserva mostrou mauricinhos que, após viverem anos de riqueza, perderam tudo, menos a marra. “A coleção nasceu de uma leitura bem humorada da cultura decadente que os Estados Unidos estão vivendo agora. E o mais irônico é que, enquanto eles caem, o Brasil está em ascendência. Por isso, pegamos ícones clássicos do estilo preppy americano, e demos uma subvertida, bem no jeitinho brasileiro”, explica Rony Meisler, diretor criativo da marca.
Fotos: Charles Naseh para o Chic
Essa tal subvertida veio em forma de desconstrução da alfaiataria. Quando vemos a coleção “por cima”, parecem blazers, camisas, coletes, malhas clássicos. Mas basta um pouco mais de atenção para perceber que golas estão invertidas, o cós deslocado e, o abotoamento, assimétrico.
Como o riquinho decadente não tem dinheiro para comprar um terno de lã fria com fio tinto, eles criaram uma estampa em sarja com o tecido escaneado. Ícones das roupas dos clubes universitários americanos – como o xadrez no estilo argyle e os bordados – também estão presentes e, claro, de um jeito diferente. “Esse cara está às moscas, então criamos bordados e broches com várias moscas. Também demos tratamentos de envelhecimento aos tecidos, até mesmo mofo”, descreve Rony.
Fotos: Romulo Soares
A cartela de cores sofisticada: preto, branco, cinza, camelo e grená. Nos acessórios, tênis, oxfords com aparência (cool) de couro mofado, ou com cadarço “improvisado”. Na maquiagem, Celso Kamura criou jovens senhores decadentes (mas elegantes), marcando linhas de expressão nos rostos dos modelos e branqueando os cabelos.
Brasília e o trabalho de Niemeyer já foram exploradas algumas vezes em vários campos do design e da moda. Mas o desfile da Maria Bonita não voltou seus olhos para as linhas curvas e modernistas do arquiteto, ou no planejamento de Lúcio Costa, mas nos candangos que construíram a cidade e nos azulejos de Athos Bulcão.
As vestimentas simples dos trabalhadores e suas mulheres inspiraram Danielle Jensen a criar peças com corte reto e sem complicações, em malhas de algodão, algumas com relevos e um trabalho que lembra o devore (que geralmente é em veludo). Para as peças mais finas, sedas e bordados que lembravam cacos de cerâmica, remetendo ao trabalho do artista plástico Bulcão na capital do país, assim como as estampas. Muito legal o vestido com bolsas à tiracolo “anexadas” (como mostramos no detalhe da foto de backstage). A cartela de cores reuniu o azul do céu de Brasília, o branco e cinza das construções e o marrom da terra do Cerrado.
Chapéus de tecido amassado, nos mesmos tecidos e estampas das roupas, ornamentavam as modelos. Nos pés, uma versão em couro de tênis simples, com biqueira de acrílico. Bolsas que lembravam malas de antigamente, além das bolsas-vestido que comentamos, completavam os looks.
Acompanhando a influência das candangas, Celso Kamura criou um penteado com trança, mas bem moderno, como o design da marca. Uma trança horizontal fazia a “bainha” de rabos de cavalo, pegando mechas da esquerda para a direita. Na maquiagem, apenas blush nas bochechas e no osso do nariz, lembrando que as trabalhadoras andavam sob o sol do Cerrado.
As técnicas da selaria – criação de selas para cavalos e outros acessórios de montaria – foram a inspiração de Priscilla Darolt para a coleção da Animale, que abriu este SPFW. Mas, para criar um inverno leve, de acordo com o clima brasileiro, nada de couros e formas pesadas. Os principais tecidos como seda, organza, lã fininha e um couro mais fino, para conseguir esse efeito de leveza.

O tema também estavam em alguns recortes que lembravam as formas de selas e fivelas de arreios, e também nas estampas de cavalinhos. Apesar desses recortes, alguns mais assimétricos, a coleção tinha formas simples, de corte mais seco. A maioria das saias e vestidos tinham comprimento em torno do joelho. As principais cores foram o branco, amarelo, laranja e preto, com um pouco de marrom e azul. Nos pés, destaque para as sandálias apenas com tiras finas perto dos dedos e no tornozelo.

A beleza assinada por Max Weber veio com referências dos anos 60, com o cabelo puxado para trás com um arco e levemente “altinho” próximo da testa; e os olhos com delineador com puxado de “gatinho”, lápis na parte interna inferior e boca natural.
Fotos: Divulgação
O deserto da Califórnia foi fonte de Thais Rossiter, estilista da Coca-Cola Clothing, para o Inverno 2011. Todas as características do lugar – das areias ao céu azul (que dá até nome para este tom da cor) foram parar nas roupas, que também tinham uma pegada aventureira e étnica. A atriz Thaila Ayala abriu o desfile e estrela a campanha da marca.
Thais explica como transpôs os elementos do deserto para as peças. “As sarjas beges e os tricôs de malha têm aspecto empoeirado, um pouco detonados. Já o céu da Califórnia aparece na estamparia (um tie-dye meio lavado) e na lavagem dos jeans”, descreve. A silhueta, tanto para homens quanto para mulheres, são opostos entre justo e largo. “Os vestidos das meninas são justinhos, mas usamos com casaco largo por cima”, conta. Outros detalhes pontuam a coleção, como aplicações nos jeans femininos. São debruns feitos do mesmo pano e aplicados, criando efeito diferente.
Os sapatos são em patchwork de couro e tecidos rústicos, com pêlo dentro. Dos meninos, tênis de cano alto e, para as meninas, botas tipo coturno (amarradas com cadarço azul e branco, diferente!) com salto bem alto. As pochetes também apareceram com o clima da coleção, sendo uma maneira prática de carregar sua bagagem em grandes caminhadas no deserto.

Max Weber assina o beauty e criou um look bronzeado de viajante no deserto. Todos os produtos são marrons. O lápis faz o contorno dos olhos e é levemente esfumaçado em cima, com sombra próxima do côncavo e finalizando com rímel da mesma cor. Base marrom para dar uma cor bronzeada e batom no mesmo tom (puxando para o bronze). Por cima de tudo (até mesmo na boca), pó dourado para dar a ideia de que passou por uma ventania com areia. As modelos com cabelos castanhos recebiam o pó até mesmo na sua raiz.
Fotos: Divulgação