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Fashion Rio, primeiro dia: o resumão.

Rio de Janeiro,

O tempo era cinza e nublado, chuviscante. Parecia São Paulo, mas era Rio de Janeiro. Parecia Junho desfilando verão, só que estamos mesmo Janeiro acompanhando a apresentação das coleções de inverno 2012. Dia, tal e qual o esperado para quando o grande público comece a usar as propostas das passarelas deste primeiro dia de Fashion Rio. Nem muita emoção, mas diversas confirmações de tendências nos desfiles (inclusive já faladas aqui!). Vamos a eles?

O trânsito da Zona Portuária do Rio (que está passando por um processo de revitalização tão incrível quanto tortuoso) me impediu de chegar a tempo de ver a linha jeans do Herchcovitch na passarela. O jeito foi acompanhar por fotos mesmo. Acho que o mais importante de uma coleção, seja ela boa ou ruim, é ver a identidade, o DNA da marca impresso naquelas roupas. E mesmo sem fazer ideia de qual o tema ou inspiração, a verdade é que eu vi o Herchcovitch que conheci há uns 6, 7 anos, quando ele tinha um ecommerce maravilhoso e uma forte linha jeans. Acho que é este shape de jeans mais duro, industrial, sabe? Adoro os recortes inusitados, o topo jeans coberto de renda fazendo alusão a uma lingerie, e a estampa camuflada(desdobramento da tendência militar que passou por aí e não foi bem aproveitada), principalmente na saia lápis com vontade de sereia.

Acquastudio, inverno 2012

O desfile da Acquastudio é daqueles que vale a pena estar na sala de desfile para assistir mesmo que de um lugar não muito bom. Os últimos desfiles foram incríveis, mas este não me emocionou tanto. Era lindo, sem dúvidas. Inspirado nos anos 40 e 50, as peças pareciam ter sido redesenhadas a partir de um álbum de família. A cor do cenário me lembrou casa de vó, assim como os bordados, as flores aplicadas e todo um romantismo de menina que escrevia um diário secreto. Só que menina romântica do séc. 21 abusa das transparências, usa cortes forte e formas mais ousadas. Agora, repensando, acho que a falta de emoção do desfile foi culpa da trilha sonora (que não mexia no coração como a daqueles desfiles incríveis).

Patachou, inverno 2012

A Patachou foi minha favorita da noite. O desfile era inspirado no Oriente e misturou Japão com Índia (eu vi a terra de Maya aí) em peças lindas e vistosas, tanto ao vivo quanto na foto. Quimonos modernos, obis (aquela faixa do quimono), túnicas, conjuntinho estilo pijama, recortes e formas assimétricas eram todos bem interessantes. Assistindo a apresentação veio a mente o trabalho de Paul Poiret, estilista de 1900/10, que “inventou” a alta-costura e trouxe pela primeira vez referências de trajes do Oriente — no caso, os quimonos — para suas criações ocidentais. Porém, o mais encantador foi conseguir imaginar os looks com corpos acima do 38. Até acredito que eles fiquem mais bonitos em pessoas com mais curvas (e um pouquinho mais de sensualidade).

Alessa, inverno 2012

Me surpreendi com a Alessa. Não, não foi por causa do desfile mas sim vendo as peças fabulosas fuxicando uma produção de um amigo stylist. Assim, resolvi abrir o coração e olhar com mais amor a coleção. E deu certo. Adorei as estampas de tapecaria (que eu ando observando a um tempo…) e de penas de aves como o faisão. Pena que o desfile teve tão poucos looks.

Cantão, inverno 2012

Cantão é a marca da minha adolescência. Logo, tenho uma prepotência de cliente antiga — acho que conheço a marca como ninguém. Assim, a beleza me deu uma certa preguiça… A menina Cantão do meu imaginário estaria com pelo menos um elemento expressivo de maquiagem (nem que fosse iluminador forte ou gloss bem marcado) e um frizz no cabelo por conta do ar úmido do Rio. Mas, falando da coleção em si… Bom, não que ela fosse ruim. Só não era aquela garota-carioca-suingue-sangue-bom de outrora. As estampas eram mais maduras, assim como as peças mais certinhas (até camisa de seda tinha!). Os sapatos divertidos não apareceram e, de bacana mesmo, tinham os maxi-brincos, os agasalhos de tramas fofas e quentinhas, os gorrinhos neo-grunges, as peças com cauda e as amarrações por todo lugar (frente, costas, camisa e vestido).

E aí? Qual foi o seu desfile favorito? Me conta!

Radar Eudora: A versatilidade do gloss

Rio de Janeiro,

Existem alguns itens de maquiagem que salvam qualquer make num momento extremo levando sua utilidade para além da função descrita na embalagem. Quer um exemplo? O brilhante gloss.
Mesmo depois de boas temporadas esquecido no fundo das maletas dos maquiadores ele está de volta e, de acordo com as passarelas da Louis Vuitton, Balenciaga e Chanel, com toda a força e cores possíveis.

Mas o que faz o gloss ter um retorno mais interessante é levar o uso dele além das fronteiras labiais. Enquanto o seu uso na boca estava em desuso, o gloss era usado para dar textura molhada em pálpebras — claras e escuras — em diversos desfiles (olha esse post aqui de 2009!) . Também lembro de, nas minhas primeiras coberturas de semana de moda, ter visto gloss transparente ser usado também como iluminador no ossinho acima da bochecha (em makes praianos). Mas o uso mais criativo para o gloss, neste caso colorido, foi o da Kay Montano que sugeriu usar gloss de cor forte (vermelho, pink ou vinho) como blush! Ela fez na hora e ficou ótimo — deu aquela corada leve já que o gloss mesmo colorido é translúcido e o brilho que fica (o ideal é um que não tenha pedacinhos de glitter) deixa um ar de saúde, meio praiano.

Este produtinho tão poderoso em funcionalidade e visual faz parte da linha de maquiagem “Poderosa” de Eudora com o Desirable Lips Gloss lançado em 8 cores – do transparente ao vinho, com textura leve e preço ótimo.

Além do gloss, a linha Poderosa de Eudora ainda tem lançamentos — por enquanto disponíveis apenas na revistinha e nas lojas físicas — como as (super pigmentadas) sombras magnetic eyes e os pincéis de pó e sombra.

Jeito Bonnie de usar lenço

Rio de Janeiro,

Ando fissurada em cinema do século passado. Recentemente assisti Bonnie e Clyde, filme americano de 1967 inspirado na história real de uma gangue de bandidos da década de 30. Apesar de ser uma história americana, a película tem em sua direção influências francesas — da Nouvelle Vague — e esta se refletiu também no figurino da mocinha, Bonnie Parker (Faye Dunaway), repleto de boinas e lenços amarrados no pescoço.

O estilo da Bonnie dos cinemas (acrescente aí saia midi e suéter) rendeu um editorial na Vogue Brasil de Agosto e os lenços de seda usados do jeitinho dela apareceram no styling da coleção Resort 2012 da Just Cavalli e no recente desfile de verão 2012(/13) de Alexander Wang na NYFW — e já vi em algumas fotos de streetstyle por aí.

Este styling de lenços (usados assim, de forma triangular sobre o colo) foram mania há pouco tempo quando Nicolas Ghesquière colocou lenços palestinos na passarela da Balenciaga no inverno de 2007, lembra?

SPFW || Sexto dia: Pedro Lourenço, Fernanda Yamamoto, Amapô, André Lima e Ronaldo Fraga

Rio de Janeiro,

Pedro Lourenço: O menino prodígio da moda brasileira que com 12 anos já assinava sua primeira coleção na SPFW (para Carlota Joakina, segunda marca da mãe Gloria Coelho) e aos 20 retorna fazendo uma verdadeira apresentação, já que Pedro Lourenço fez questão de estar no “palco” descrevendo e contando a história por trás de cada peça, revelando curiosidades como os ajustes que tem feito em suas coleções para atender as demandas dos compradores internacionais. Quanto às peças em si, as formas geométricas característica do trabalho de Pedro nas coleções apresentadas em Paris se fazem presentes junto com as estampas tropicais inspiradas no trabalho de Lelli Orleans e Bragança.

Fernanda Yamamoto – Apesar de ter peças com estampa da gatinha japonesa Hello Kitty a coleção foi toda trabalhada em tons terrososos, contando até com folhas de árvore ornando as cabeças de algumas modelos. Os recortes de tecido que tem sido vista em quase todas as coleções aparece feito de forma orgânica, mais fluida. Interessante.

Amapô - O desfile de Carô e Pitty começou a ser aplaudido quando o brilhante painel tropical foi revelado. Com um Bob Marley gostoso vimos uma explosão de cores, recortes inusitados, desconstrução das formas, babados e muitas peças que dá vontade de ver como serão desdobradas para a linha comercial da marca (que vende online aqui).

André Lima – O estilista paraense especializado em vestidos de festa trouxe uma nova proposta para sua coleção, as calças de festa (remetendo aquela vontade de ternos). Além disso muitas fendas, metalizados, e referências aos quimonos japoneses.

Ronaldo Fraga - Usando sempre referências do Brasil para contar a história de suas coleções, Ronaldo, neste verão,olhou para o Rio de Janeiro de 80 anos atrás. O Rio de Janeiro do samba, dos grandes bailes de Carnaval, cantado por Noel Rosa. Golas de marinheiro, plissados, poás, estampas de pierrot todas em preto e branco como as imagens da época. Uma delícia de encerramento para esta temporada de moda.