Tudo sobre east london
Brick Lane é um dos meus lugares favoritos de Londres (uma rua na verdade, dentro do bairro de Shoreditch) e acredito que tem muito a ver com a carga história das vizinhanças. Essa rua fica na área de East London (que até o século 19 era o lugar mais pobre e perigoso de Londres, inclusive onde Jack, o estripador fazia suas vítimas!) e tem uma arquitetura industrial cheia de fábricas, galpões e construções tipo conjuntos habitacionais.
Entre o final de 1800s e o início de 1900s, essa era uma região de judeus com muitas fábricas de vestuário (!), mas depois da 2ª Guerra as famílias judias começaram a se mudar e imigrantes vindos de Bangladesh e outros países do sul da Ásia ocuparam as redondezas. Isso fez com que Brick Lane fosse conhecida como a capital do curry, por seus inúmeros restaurantes temáticos (que abusam do uso do condimento) e as placas de sinalização também fossem escritas nas 2 línguas.
Mas foi no final dos anos 80, que os brechós e antiquários das redondezas começaram a atrair o povo das artes que começaram a frequentar o bairro e expor seu trabalho — principalmente nos muros. É em Brick Lane que caras como Banksy começaram a fazer seus graffitis e é absolutamente fascinante o tanto de intervenções urbanas (coladas, esculpidas ou grafitadas) que existe em cada metro quadrado até hoje.
{can we live here?}
{chuva de cor}
{punk Obama}
{acredita que essa é uma futura marca de moda?}
{questões}
{paisagem de cartaz}
{punk romance}
{deixa a luz do céu entrar}
{que instalação!}
É impossível não inspirar muita criatividade andando por essas ruas. E esse ambiente altamente artístico justifica pela alta concentração de gente super estilosa. E, como Brick Lane não é um lugar rico (vide seu passado), a galera se veste com o que compra nos brechós e barraquinhas das suas feiras maravilhosas. Logo, o visual por ali é uma releitura de styling 2013 das peças dos anos 80/90 (e até início dos 2000). Mas sobre estilo, me aprofundarei em outro post
_post dedicado à Ju, que adora os meus posts de street art ❤
Tem domingo que dá uma vontade danada de estar apenas algumas estações de metrô de distância da Brick Lane Market, a feira mais incrível de Londres — que acontece todos os domingos, a partir das 11h entre a Fashion St com Bricklane St, em East London.
Lá você encontra comidas deliciosas de todos os tipos — indianas, tailandesa, italiana, nova iorquina (é, hot dog!), vegetariana, grega, orgânica e francesa —, brechós, antiguidades e até showzinhos rolando pelas esquinas e gente incrivelmente autêntica, já que este é o bairro dos descolados de Londres.
É uma experiência deliciosa andar pela feira e reparar nos detalhes daquele caos: o jeito que as pessoas se vestem, as artes de rua, os produtos ofertados, as lojas abertas, as comidas vistosas e o som (sempre bom) que percorre as ruas… Pra matar as saudades fui fuçar as minhas fotos e as do Vitor pra ilustrar este post:
{que vontade desses pães!}
{muita comida diferente}
{e a galera pega o seu potinho de comida e come andando ou sentada no meio da rua}
{nesse Backyard Market (146 Bricklane St) tem uns estilistas novos e fofos}
{preciso de um Dr. Martens prateado ♥}
{lojas novas e brechós}
{só vinis de palpitar o coração}
{pra quem não tem tempo durante a semana}
{vende-se de tudo nas calçadas}
{cafés charmosíssimos}
{cuidado com a bolsa!}
Ainda tem mais um post de street art e outro de street style vindo aí, só de Bricklane ♥
_fotos de Vitor Fernandes
_foto de Vitor Fernandes
Vasculhando o acervo do DasRuas de East London, me deparei com esta moça de boina, meia-calça rasgada e mocassim. Um visual bem ao estilo dos Beatniks, não é? Praticamente um look resumo dos posts da semana
Falei tão pouco da minha viagem aqui. Ok, de lá era praticamente impossível fazer um post mais elaborado, mas acabei me dando conta que deixei de compartilhar as coisas mais diferentes que fiz por lá. O roteiro alterrrna (como diz Lalá), longe do padrão de compras e realeza. Londres é uma das cidades mais ricas do mundo, não só em renda per capita, mas também em cultura. E, desde a minha primeira visita, eu estava doida para conhecer o outro lado de Londres. A Oxford Street é incrível, mas antes das tendências irem parar ali, elas passeavam em outra freguesia. Se um dia foi Carnaby Street ou Kings Road, hoje é em East London que está o que e quem deve ser visto.
Não me tornei especialista, nem mesmo uma insider (AINDA), mas tive sorte… Poucos dias depois de terem acabados meus compromissos da London Fashion Week, meu querido (gerente de marketing da maior marca de moda brasileira no facebook, a Farm) André Carvalhal chegou de férias. Nos encontramos num sábado em Bricklane, e começamos a caminhada com destino a Broadway Market pela Fashion Street. Ao contrário do que o nome possa fazer você imaginar, a Fashion Street não é cheia de lojas incríveis, mas é nela que se encontra o Istituto Marangoni, uma das principais escolas de moda da Europa. Ou seja, esta área é repleta de gente que está sendo preparada para criar as roupas que eu e você vamos querer nas temporadas que estão por vir.
Claro que não lembro as ruas que percorremos (aí sim, cheias de lojas incríveis), mas chegamos em Broadway Market, uma feirinha que rola aos sábados cheia de comidas e temperos dos mais variados e exóticos tipos — a barraca de fila interminável era a de hamburguer vegan. A cozinha típica de Londres não é das mais saborosas da Europa (aquele Fish and Chips deles é bem, literalmente, sem sal), então eles adoram experimentar coisas novas (principalmente se for oriental – da Tailândia ao Japão).
Uma máxima que o povo por aquelas bandas leva a sério também em estilo. Qualquer pessoa que você olhasse tinha uma identidade expressa através de suas roupas. É como se ninguém fosse figurante, sabe?
A (pequena e estreitinha) Broadway Market termina em London Fields, um parque delicioso (daqueles de filme que você tem uma tarde agradável) com muita gente estilosa. O Vitor fez dezenas de fotos de streetstyle e eu fiquei com ainda mais vontade de revirar o álbum da memória dos anos 80/90.
De London Fields, os amigos do André nos levaram para conhecer algumas galerias de arte (e no caminho estava o Regents Canal, que tinha barcos fazendo as vezes de sebos!) e quanta coisa incrível eu vi. A primeira, por exemplo, estava expondo o trabalho de um artista todo feito de raio x de bichos escrotos (e essa estética é a inspiração da coleção que a TNG vai apresentar essa semana no Fashion Rio) tipo baratas e ratos.
Mais do que ver o que os artistas estão criando bom foi ver a proximidade que as pessoas tem da arte. Além das ruas estarem cobertas de intervenções (grafites, cartazes, etcs) é fácil você adquirir uma obra de arte. Várias destas galerias tinham peças mais “comerciais” e acessíveis pra você levar aquela ideia pra casa. Em uma delas o release do artista era um cartaz (tamanho A3!) com uma obra dele na frente. Vitor não pensou duas vezes, pegou um trouxe com maior carinho de Londres pro Rio (e hoje ele decora nossa casa <3).
Se você for a Londres reserve o final de semana, sábado ou domingo, para percorrer esta área de Hackney e Bricklane. Vale a pena para renovar as ideias de moda, arte e até culinária
_foto de Vitor Fernandes
De volta à (home) Londres fui encontrar com meu querido André Carvalhal — que acabou de lançar seu jornal bimestral de moda e arte, o MODO — e com os amigos dele fui conhecer melhor a East London. Para ser mais especifica, Hackney e seu incrível Broadway Market que fica em frente à London Fields um parque delicioso, ainda mais num dia de sol exibido como hoje.
A gente que mora no Brasil onde temos sol o ano inteiro, não damos tanta importância ao sol quanto os ingleses. As pessoas param e sentam onde tem sol, seja na grama ou no meio-fio. Todo muito fica mais feliz, sabe? Parece quase que a endorfina do sol tem mais efeito no frio. E esta menina de biclicleta, capa vermelha, camisa jeans e pashmina lilás pra mim é o que melhor representa isso, com esta trilha sonora (em português mesmo):
É a primavera chegando.