Tudo sobre inverno
Lá no iniciozinho do ano a Carmen Steffens fez uma apresentação da coleção de inverno com algumas blogueiras lá em São Paulo, com direito a bate-papo com o (divo) Max Weber e bolsa para laptop personalizada (obrigadíssima!!!). Como a coleção só iria chegar as lojas mais de um mês depois preferi esperar para postar no lançamento da coleção. Esqueci. Mas aí este fim de semana, organizando o Lightroom, achei as fotos e acho que mesmo que não tenha mais estas peças nas lojas (tipo essa sandália azul maravilhosa
) a coleção continua valendo o post porque me surpreendeu.
Explico: Eu tinha um baita preconceito com a Carmen Steffens. Torcia o nariz quando alguma cliente minha falava da marca (lá nos meus velhos tempos de stylist) sem nem pisar na loja. Um dia, porém, eu entrei e achamos uma rasteira linda lá (azulzinha com detalhes dourados que era elogiada em todo lugar que a cliente usava) e abaixei a guarda. Pouco tempo se passou e a marca (mostrando ser bem esperta) começou a patrocinar alguns dos meus blogs favoritos e comecei a conhecer mais das coleções e mesmo assim, quando cheguei na loja da Oscar Freire me surpreendi. Acho que a Carmen Steffens foi esperta em não só em se posicionar bem, mas também em receber e usar bem a informação que vem da internet. Adorei ver peças com a logo mais discreta (pessoalmente não gosto de marca grande nas peças) e dos modelos mais descolados (como a sandália azul bafo, a bolsa de franjas + zebra + turquesa + viés burgundy e o oxford pied-de-poule que não entrou pq não tirei foto boa) junto com os produtos “clássicos” da marca.
Taí uma lição que várias marcas poderiam aprender… dá pra conquistar novos públicos, agradar mais gente sem deixar suas clientes fieis e apaixonadas, carentes.
A instalibidade do clima nesta primavera carioca me deixa a vontade para trazer à tona assuntos invernosos como a proliferação do veludo (molhado) em capas e blogs do lado de cima do Equador.
Saber de onde exatamente surgiu uma certa tendência é bem difícil mas, no caso do veludo, acredito que o marco foi a coleção Resort 2011 da Chanel, quando Karl Largefeld se inspirou na cultura bizantina do século 15 (e misturou com os anos 60 londrinos). Pronto, depois deste desfile (lindíssimo!) outros estilistas apresentaram looks com o tecido medieval nos desfiles de inverno 2012.
O veludo é um dos tecidos mais antigos do mundo, criado no Oriente e popularizado a Europa, lá do início do século 13 — que era também o comecinho da Idade Média. No século 15, o rei inglês Henry IV proibiu pessoas que não fossem nobres de usar o tecido. Assim o veludo manteve, através dos séculos, uma imagem de riqueza e sofisticação. Mas no século 20, mais precisamente na década de 70, o movimento de contracultura queria subverter e, assim como o paisley, o veludo se popularizou.
Em 2011 o veludo aparece em casacos, vestidos, partes de baixo (os bottons) como saias e calças, e acessórios, principalmente nos slippers — sapatos que eram usados no quarto por homens elegantes (olha de novo a nobreza aí!) e que se proliferaram nas lojas do hemisfério norte nesta estação, das grandes marcas às fast fashions.
Numa rápida pesquisa informal entre amigas constatei que é popular no Brasil a ideia de que o veludo é coisa cafona. Concorda? Faz ideia qual fato originou tal conceito no imaginário coletivo? Suspeito que tenha sido alguma personagem de novela!
A Mac é uma das patrocinadoras da London Fashion Week, só que por lá as coisas são bem diferentes e os patrocinadores não tem grandes lounges como nas semanas de moda daqui. Acabei entrando (junto com a Thereza, claro) numa salinha com os expositores e maquiadores da Mac e uma simpática mocinha disse que não poderíamos tirar foto (nem ficar por ali) mas nos encheu de releases e deixou a gente bisbilhotar os expositores com a coleção que ia ser lançada por lá, a Mac me over!
Esta semana foi o lançamento desta coleção aqui nas lojas do Rio — e tá chegando no Brasil inteiro — e a assessoria da marca me convidou para entrar no clima e passar por uma transformação, um “makeover”, com os produtos novos cuja campanha foi feita com clientes que mandaram fotos e vídeos contando porque queriam ser transformadas pela MAC. Louca que fiquei pelos batons escuros e sombras metalizadas da coleção que conheci por acidente topei fazer o “Mac me over!“.
Minha transformação foi feita pelo Fernando, artista da loja do Leblon. Cheguei falando que topava qualquer coisa (sou facinha facinha com maquiador e cabeleireiro) e assim ele optou por um look mais conceitual — acho que era a única coisa que eu ainda não tinha “usado” no quesito maquiagem — com direito a sobrancelha de vilã (marcadona), cílios enormes e blush vermelho, bem dramático.
Adorei o visual “passarela” e já vou adotar o truque do blush na próxima Auslander Halloweeen Party. Mas sabe o que eu achei mais incrível? É que quando cheguei a loja estava cheia de clientes passando pelas transformações — com direito à cabeleireiro e foto que ia pro display com a logo da coleção. Tem marca que se preocupa tanto em falar com “formadoras de opinião” que esquece de quem faz o caixa girar. Ponto pra MAC
Mesmo com as lojas de moda (99% delas pelo menos, né?) já estarem com suas coleções de primavera-verão nas araras, e enquanto aqui no hemisfério Sul a gente ainda sente as baixas temperaturas, o hemisfério Norte nos enche de referências para mesclar as tendências das duas estações em um só visual.
O WGSN identificou as propostas das principais marcas de maquiagem do mundo para o inverno, através dos seus anúncios de inverno que marcam: o retorno da beleza clássica, com olhos e bocas bem marcados — do gloss e do efeito metalizado.
A beleza clássica - Resgatando o visual das divas do cinema do início do século 20 — nos tempos que o cinema era preto e branco e a maquiagem ajudava a marcar a expressão das atrizes — com olhos bem marcados e bocas de cores fortes. O olho tudo e boca também reapareceu em versões multicoloridas nos anos 80 e acabou sendo condenado por anos (taxado de cafona). A versão 2012 desta beleza propõe um acabamento mate nos lábios com uma pele bem iluminada.
A volta do gloss - Não são apenas as tendências de moda que são cíclicas. As de beleza também tem itens que tem seus altos e baixos e voltam sempre com novas propostas de uso. Assim é a volta do gloss, o produtinho que deixa os lábios (ou pálpebras em makes mais ousados) com efeito molhado. Mas aqui a ideia é aplicar o gloss para dar textura aos batons coloridos como os vinhos e roxos.
Brilho Gótico – Olhos escuros e boca nude não são exatamente uma novidade, mas a inspiração dessa vez tem ares góticos (e vampirescos) de olhos bem esfumados e intensos, bochechas quase sem cor e lábios pálidos. O interessante é que estes olhos esfumados tem nuances de azul, dando um ar mais moderno para a maquiagem.
Brilho Metalizado – A última proposta, e também a mais “leve”, é das sombras metalizadas — prata, verde, roxo e marrom — perfeita para o uso diurno (as outras tendências são mais noturnas, né) acompanhadas de bochechas bem iluminadas (blush + iluminador) e bocas levemente rosadas.
Ainda de acordo com os últimos lançamentos, podemos esperar muitas sombras e esmaltes em azuis intensos (como o cobalto e marinho) e tons de chocolate e batons e glosses em todas as nuances das “berry fruits” — cereja, framboesa e etc.