Tudo sobre semanas de moda
2ND FLOOR
A proposta da 2nd Floor foi misturar toda a cultura tropical brasileira, que apareceu nas cores e estampas, com o western americano, que deu forma ao desfile. Um destaque merecido é a sandália peep-toe que parece uma bota de cowboy, que resume perfeitamente essa junção. Destaque para a Mallu Magalhães, toda linda e princesa, que além de fazer a trilha do desfile ao vivo, vai estrelar a campanha. Por Melyssi
Moda de se sentir moderna e criativa
ESPAÇO FASHION
Taí há tempos não amo 100% um desfile da Espaço (e muito por causa da cartela de cores que sempre achei esquisita), mas a deste verão estava linda. Os looks estavam inspiradíssimos e aí eu vi a garota decidida da marca que usa um look completamente inspirado nos anos 90 e ainda sim fica sexy.

Moda de se sentir segura de si
CANTÃO
Não gostei. Pronto, falei! Achei a coleção velha e careta… Cadê a alegria, vivacidade, despojamento, frescor, colorido e a jovialidade da marca? Não tem nada disso aí… Não que as roupa sejam feias. Longe disso. Adorei o chemisier amarelo, por exemplo, mas não é o que eu esperaria do Cantão. Depois do desfile, conversando com todas as minhas amigas que adoravam Cantão, todas tinham a mesma opinião…
Moda de se sentir …
LENNY
O desfile começou colorido, com uma série de 4 maiôs com estampas de rostos de mulheres, uma lindeza. Depois vieram estampas tropicais, de fundo do mar com peixinhos, mas tudo foi ficando abstrato, com cores escuras e estampas parecidas com o teste de Rorschach (aqueles borrões que os psicólogos usam), para acabar no preto. Em volta de toda essa informação tinham detalhes geométricos, que foi o que ficou com toda a atenção no final. Por Melyssi
Moda para se sentir chic
Começou a SPFW e é engraçado olhar para trás depois de quase 4 anos cobrindo o evento. Quando a gente se descobre querendo trabalhar com moda, as fashion weeks se tornam o grande ideal. Seja para quem quer ser estilista, stylist, jornalista ou blogueiro. Afinal, são durante aqueles longos dias que tudo acontece: tendências são lançadas, pessoas são vistas e o mercado ganha novo fôlego fazendo a economia do país girar.
Só que numa semana de moda parece que você entra num universo paralelo. É muito louco. É tanta informação, para todos os lados, que no início você parece criança que ingeriu um monte de açúcar. Só que posso contar? Essa euforia passa com o tempo. Eu nunca vi uma temporada com tanta gente (o meu círculo é composto das mais variadas pessoas ligadas à internet e algumas do impresso) demonstrando uma falta de vontade de estar ali. Não pelas pessoas, agitação e coisas legais que obviamente acontecem, mas por preguiça da razão de existir do evento. Quase desilusão.
Acho que é a inquietação da geração Y (quem nasceu depois de 1980) começando a se mostrar insatisfeita com o jeito que as coisas estão. Nós vivemos (n)a internet e acredito que por isso a nossa relação com as passarelas mudou. Não precisamos mais esperar os desfiles daqui para saber o que é tendência. A gente já leu em algum blog. Quem está ali vivendo aquele evento já tá cansado de saber que o étnico e o futurismo iam bombar e que verde musgo, mostarda, paprika e vinho seriam as cores da estação.
Logo, começamos a ter necessidade de que tudo isso tenha um novo propósito.
A GENTE TÁ SENTINDO FALTA DE VER COISA NOVA.
De ser surpreendido, poxa!
Sabe que eu acredito que as marcas brasileiras estão precisando se desafiar. Sair da zona de conforto das suas salas de desfile lotadas, das palmas coordenadas no final e do seu sucesso de vendas nas lojas. A grande maioria daquelas marcas que estão no line-up, as que representam a moda brasileira, não entendem o que quer este novo público formador de opinião e consumidor.
No bate-papo deste primeiro dia de SPFW tivemos a Gloria Kalil como convidada aqui do QG F*Hits falando muito sobre a sua trajetória. E contou sobre uma série de seminários que ela promoveu há 5, 6 anos que tinham como objetivo entender a relação do nosso país com a moda. Num deles o debate era o papel do Brasil nisso e chegaram à conclusão de que o nosso diferencial seria a criatividade. E adoraria que fosse mesmo! Mas tenho a forte impressão que as marcas não pensam assim.
Suzy Menkes do International Herald Tribune esteve aqui em terras tropicais, ano passado, para reforçar que o artesanal é o futuro do luxo. Nós temos um trabalho inacreditável de uma cultura muito interessante, mesmo sendo tão jovem. Se os europeus tem séculos de reis e rainhas, nós temos a miscigenação. Vários povos e culturas diferentes (de reis e caciques) que se encontraram nesta terra e criaram diversas novas identidades. Nós temos o novo luxo aqui bem diante do nosso narizmas não sabemos transformar isso numa “marca” desejável.
Eu também acho que nós precisamos trabalhar melhor o branding da moda brasileira. Parar de querer fazer uma moda globalizada e olhar para dentro. Nos cativar e fazer a gente se apaixonar a cada 6 meses. As semanas de moda precisam se mostrar, pra gente que está ali dentro, tão encantadoras quanto para quem tá de fora. Um período onde as criações sejam a notícia mais importante que as celebridades que passaram por lá (ou o fato da Luiza ter voltado do Canadá) .
E que comece mais uma SPFW.
Logo depois de escrever o post sobre Clara Bow, resolvi tirar o atraso das semanas de moda internacionais e me deparei com a década de Clara influenciando diversas coleções de verão 2012 (deles, nosso 2013) em NY e Milão com saias e vestidos de cintura baixa, caimento lânguido e comprimento comportado.
Durante a pesquisa de Clara Bow vi várias vezes a palavra “flapper” que se repetia nas descrições dos desfiles. Flapper é como eram chamadas as meninas novinhas (adolescência e pós) que usavam saias menores (estas na altura dos joelhos), tinham cabelos mais curtos (estilo Chanel ou Bob), ouviam jazz , e gostavam de contestar as regras sociais — as melindrosas eram mais velhas e já fumavam, bebiam, dirigiam e eram a favor do sexo casual (!). E flapper ainda designa este “estilo” que incluiam vestidos, sem mangas e com balançantes detalhes na barra (como os da Gucci e Etro) os ideias para se dançar o American Jazz.
Além do Flapper e seu jazz, os ritmos latinos — mambo e flamenco — foram inspiração das coleções das italianas Dolce & Gabbana e Missoni que criaram roupas com cara de verão (tropical) em peças com mais volumes, cores e exuberância, como exigem as danças (e amo que as estampas de Dolce & Gabbana são legumes!).
Temporada de danças e sereias.
Este é o último dia de SPFW e, mesmo faltando poucas horas para dar adeus à Bienal, já sinto que vi tudo que poderia ter visto nesta temporada. Uma temporada sem-graça. Confusa e, sinceramente, entediante. A moda mudou. Mas, infelizmente, boa parte dos estilistas parecem insistir em pautar suas coleções na mesma fórmula de anos atrás: completamente inspirada nas coleções de grandes maisons. Salvo uma adaptação aqui e ali, o que vemos nas passarelas é um moodboard, uma colagem de tudo que estes estilistas viram de interessante no style.com . A criatividade foi tendência em baixa nesta temporada de moda brasileira.
O consumidor hoje tem um acesso muito fácil à informação de moda. Não dá mais para estilistas e clientes beberem da mesma fonte. A gente quer mais. De que vale um desfile, numa estrutura que vale milhões de reais, se ele vai só reproduzir a informação de moda que encontramos em sites e blogs meses antes? Como pode valer tanto peças sem nenhum esforço artístico?
O que acontece nas passarelas não é muito diferente do que é visto em lojas de socialites paulistas com suas versões “inspired” de itens de luxo (e que inclusive não tem preços nada acessíveis). A diferença é que ali, sob os holofotes das principais semanas de moda brasileiras, aquela que deveria “criticar” e incitar a evolução dos criadores nacionais, apontando de forma construtiva suas falhas, prefere esquecer as referências, fingir que não acompanhou nenhuma outra semana de moda no mundo, e ver todos aqueles looks desfilados como uma grande novidade. A imprensa brasileira de moda se esquiva da sua responsabilidade.
E não é que se nada mudar, se nossos estilistas não pararem de se “inspirar” em marcas internacionais, as pessoas deixarão de consumir e a indústria da moda vá quebrar. Mas, por quanto tempo ainda valerá a pena fazer o esforço de se “ilhar” durante quase um mês do ano, para “exaltar” a mesmice da moda brasileira?
Para o estilista André Lima, ser desafiado é o que faz seu trabalho valer a pena. Para ele, não existe sucesso sem estudos, André, que é twiteiro viciado assumido, conta que o “São Google” é sua maior fonte de pesquisa e “onde eu recorro quando tenho alguma dúvida”, confidenciou o adepto à tecnologias.
Abusando dos “tecidos leves como cetim e cetim gazar”, o estilista rompe as dificuldades de trabalhar com anáguas e barbatanas, pois “esses tecidos não respeitam o caminho, eles tem vontade própria, e é muito difícil controlá-los e fazer tudo parecer natural e leve”, mas após pesquisas, André não só conseguiu alcançar seu objetivo, como os apresentou, em “21 vestidos longos, curtos e dúbios” encerrando o último dia de desfiles.
Uma das características do seu trabalho são as formas mais próximas ao corpo. André contou que fica feliz quando consegue valorizar ainda mais as formas femininas e deixar sua cliente com sorriso no rosto. Outro ponto importante para ele é o uso de estampas em suas criações, e segundo ele, “as estampas nunca seguem um tema específico, elas nascem de coisas que eu acho bonitas, do que eu usaria, aí as insiro na mesma peça e às vezes isso não faz sentido”.
A dupla Mauro Freire e Robert Estevão, foram os responsáveis por deixar as modelos a altura das criações do estilista. Mauro preparou dois penteados diferentes para este desfile, “um era uma banana, já o outro eram duas bananas, com uma pegada meio década de 1960, um cabelo para noite, para uma mulher glamourosa”. Para deixar os fios da maneira que queria, Mauro usou enchimento nas madeixas e finalizou com spray seco. A frente ficou com um penteado com ares da década de 1920, mas sem os exageros da época, “para não ficar over”, contou.
Já Robert preparou algo para “mulheres excentricas, que adoram maquiagem e entendem este universo”, os olhos ganharam traços curvos feitos com pincel delineador e pigmento MAC (verde para alguma e cobre para outras), além do batom Lustre Freckltone, também da MAC.
Com resultados tão satisfatórios, André e todas as suas clientes querem desafios assim sempre.
A descolada marca V. Rom, fez uma viagem no tempo e voltou para 1997, para desenvolver sua coleção. Inspirado pelo universo da música eletrônica, Igor de Barros usou tecidos sintéticos, “que resistem às ações do clima“ e naturais, “como nylons, telados, malhas leves e piqué“. A “alfaiataria streetwear“ é uma característica da marca, “e isso se fortaleceu nesta temporada, e vem cheia de personalidade e toques esportivos“, explicou Igor, que abusou de cores neutras, que fazem contraponto com outras “mais acesas, que receberam nomes como amarelo solar, água de coco e merthiolate, e tem também o roxo, que aparece forte na coleção“, contou.
As estampas também chamam atenção, e através delas, Igor pretende “passar uma imagem futurista, mas com um perfume retrô“, visto nas peças cheias de zíperes, fechos e recortes inusitados, nos shorts curtos, feitos “para ensinar o homem a usar short” e também nos calçados esportivos, que nasceram em parceria com a Rainha, e não tem cadarços (eles são presos com elásticos). Esse passeio entre o vintage, o atual e o futurístico, promete criar peças muito divertidas e contemporâneas, sem data de validade.
O mundo das artes constantemente inspira os estilistas. O inspirado da vez foi Ronaldo Fraga, que tirou do livro “Turista Aprendiz” – que reúne 600 fotos de Mario Andrade (1893-1945) acumuladas em dois anos de pesquisa pelo norte e nordeste do Brasil – inspiração para mergulhar na cultura nordestina que hoje deu origem a seu desfile de verão. “Eu sempre tive vontade uma pesquisa semelhante a isso, só que não tinha tempo, porém desde 2005 trabalho para inserir minha marca dentro de cooperativas e grupos de artesanato”, contou o estilista.
O trabalho já vem de cinco anos, porém só há pouco tempo Ronaldo percebeu que estava “sem querer” fazendo a mesma coisa, salve às proporções, que Mario Andrade. O estalo foi o ponto de partida para criar a coleção em parceria com as bordadeiras da cidade de Passira no Agreste Pernambucano. “Para entender o que a gente veste hoje, o que é fashion, a alma do brasileiro mesmo, é necessário buscar essas raízes que estão nessa cultura nordestina”, completa Ronaldo.
Na passarela, linho, seda, bases de algodão e jacquards que simulam a regionalista renda. As peças carregavam texturas mil e em alguns momentos, estamparia floral e xadrez. O destaque fica para os acabamentos incríveis – assinatura de Ronaldo – que encheram os olhos de quem estava assistindo. Fora isso, modelos totalmente cobertas por paetês (que formavam luvas e bermudas ciclistas) que caíam pela passarela enquanto os modelos desfilavam, num momento de pura poesia.
Para ficar em sintonia com o desfile, o beauty artist Marcos Costa criou uma beleza que ele denominou de “Aprendiz de Maracatu.” O destaque ficou todo para a boca vermelha “para estampar esse nordeste, a cor do batom escolhida só poderia ser esta, que ganhou ainda mais intensidade com a cobertura de gloss” , diz Marcos Costa.
Os olhos vieram cobertos por óculos estilo aviador, por isso ganharam apenas um pouquinho de rímel. A pele foi mais uma vez parte fundamental do look, e dessa vez veio bronzeada. Maçãs iluminadas em pêssego e pó compacto no nariz para tirar o brilho.
Como de costume, Marcos só usou produtos Natura: batom Natura Aquarela FPS 8 Cor 7, gloss labial Natura Aquarela Cor 4, tonalizante da Natura Faces, blush duo mosaico Florescer Natura Faces, pó compacto Natura Aquarela e máscara para cílios Natura Aquarela. Já a cabeça ganhou um adereço feito com fitas brancas.
Uma homenagem mais do que merecida para a nossa rica cultura!